PAÍS

João Proença/UGT: Relatos de um percurso de traição

Uma realidade de que, ao longo dos tempos, a classe operária, os trabalhadores e o povo português têm tomado consciência é a de que aquilo que aplaca a ira do inimigo – a burguesia e o seu sistema capitalista – nunca poderá satisfazer os interesses daqueles que nada mais possuem do que a sua força de trabalho para vender.

Numa desesperada e ridícula tentativa de contrariar esta verdade universal, e beneficiando de todo o espaço que a “comunicação social”, nas mãos dos grupos económicos e financeiros, reservam a quem bem os serve, veio o traidor Eng.º João Proença, dirigente máximo da Central Sindical UGT, que se arroga representar alguns trabalhadores portugueses, tentar justificar as razões pelas quais estabeleceu um pacto que, segundo ele, visou aplacar a ira dos mercados e saciar o apetite de acumulação desbragada de riqueza que a burguesia pretende efectuar à custa do agravamento da exploração de quem trabalha e da fome e miséria para o povo.

Numa entrevista concedida à jornalista Marta Rangel do Diário Económico, o traidor João Proença, tal como o fizera o patronato e o governo que representa os seus interesses, começa por considerar que a Greve Geral Nacional do passado dia 22 de Março foi uma “pseudo greve”, visto que não representou “todo o movimento sindical”, escamoteando que a greve teve o condão de unir um espectro muito mais amplo do que as greves anteriores convocadas pela CGTP e UGT, já que na sua mobilização estiveram envolvidos, para além da CGTP, sindicatos independentes, vários sindicatos e sindicalistas filiados na UGT – em aberta e pública discordância com a sua direcção – e partidos e plataformas cidadãs, representando, quer do ponto de vista sociológico, quer do ponto de vista do mundo do trabalho, uma maior representatividade do que aquela que se tinha obtido em lutas anteriores.

Tentou o Proença escamotear, ainda, que esta Greve Geral Nacional de 22 de Março evidenciou uma componente política muito maior do que as anteriores, tendo os trabalhadores e o povo português muito maior consciência, hoje, de que estas acções devem ser enquadradas na luta mais geral para o derrube deste governo vende pátrias, serventuário dos interesses da tróica germano-imperialista, que nem o recuo oportunista de Arménio Carlos, da CGTP, ao propor que governo e Central Sindical que dirige se sentem agora à mesa para discutir um aumento de 30€ para os trabalhadores, fará abrandar.

Com a candura própria dos traidores, a raiar a mais pura das imbecilidades, num determinado momento da entrevista, o traidor Proença questiona a jornalista: “Será que era necessário este ano exigir tantos sacrifícios aos trabalhadores da Administração Pública? Será que no ano passado era necessário cortar salários?”. Dúvidas existenciais destas, vindas de quem assinou com o governo e o patronato um pacto para o desenvolvimento e o crescimento que visa a facilitação e embaratecimento dos despedimentos, o roubo dos salários e do trabalho, consubstanciados na redução do número de dias de férias e no corte de feriados, na redução do valor a pagar pelas horas extraordinárias e na possibilidade de o patronato dispor, de forma discricionária, do famigerado banco de horas é, não só de uma extrema hipocrisia, como constituem a mais miserável das traições aos trabalhadores e ao povo português, que não deixarão de merecer a resposta adequada.

Questionado sobre as razões que o levaram a assinar o acordo da concertação social, já que considerava que o governo vende pátrias Passos/Portas está empenhado em prosseguir tantas políticas erradas, João Proença explicitou qual a contrapartida que obteve para se vender por 30 dinheiros: “Para minimizar os custos”?!!! Segundo este miserável traidor “o acordo tem medidas de crescimento, emprego, aposta na negociação colectiva”, todos factos desmentidos pelas recentes estatísticas libertadas quer pelo INE, quer pelo Conselho Europeu, quer pelo Banco de Portugal, que referem, hoje mesmo, que a taxa de desemprego já ultrapassou os 15% e os valores da recessão e do crescimento do PIB foram revistos em baixa, quer para 2012, quer para 2013 e 2014.

Mas, a pièce de résistence deste imbecilóide traidor, Proença de sua graça, está na afirmação de que este “é um acordo que tem de respeitar os objectivos do memorando da tróica, mas minimiza os impactos sociais do memorando”, ou seja, alinhando pela batuta do seu chefe e mentor Seguro, secretário-geral do PS, para João Proença e para a UGT a que preside, os trabalhadores e as suas lutas mais não são do que meros joguetes na partilha do bolo orçamental, do qual cada um abutres do PS, do PSD e do CDS quer ficar com a maior fatia. Proença e Seguro estão, pois, de acordo com as medidas de austeridade impostas pela tróica germano-imperialista. A única coisa que pedem é que elas sejam aplicadas num tempo e num modo mais suave!

O que o traidor João Proença deixou bem claro nesta entrevista ao Diário Económico é que ele, e a direcção da UGT a que preside, consideram que terão de ser os trabalhadores a pagar uma dívida que não contraíram, nem foi contraída para seu benefício, daí que estejam de acordo em que se “tem de respeitar os objectivos do memorando da tróica”. O empenho que evidencia ter em ser “parte activa” nos acordos com o patronato e o governo que o serve, evidencia, também, que estará sempre disposto, como sempre esteve aliás, a vender os trabalhadores e as suas lutas por um qualquer prato de lentilhas.

Mas o homem, depois de ter revelado o carácter traidor e ridículo das suas justificações para levar a UGT a assinar tal pacto, revelou, ainda, a sua mais perfeita imbecilidade ao afirmar que o governo terá, “obrigatoriamente”, que respeitar o referido acordo, escamoteando que, quer o governo, quer o presidente Cavaco, quer o patronato, já consideraram este acordo uma das reformas mais ambiciosas de sempre, de fazer inveja a muitos países por essa Europa fora, ao mesmo tempo que vai admitindo que “na área das compensações” o acordo facilita os despedimentos!

A terminar a supracitada entrevista, a anémona política que dá pelo nome de Proença, questionado sobre se o ministro das finanças, o Gaspar Dixit, teria sucesso na aplicação do programa de ajustamento que propôs, se ele ocorreria num curto espaço de tempo e se seria bem sucedido – nomeadamente provocando um crescimento expectável de 5% do PIB nos próximos anos –, limitou-se a um lacónico “esperemos que ele não se engane…”, quando já todas as evidências estão aí para demonstrar que não só não haverá crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) como, pelo menos até 2014, ele se retrairá, aumentará a dívida e a despesa pública, diminuirá o investimento público e as exportações, aumentará o desemprego e a precariedade.

Fique descansado Eng.º João Proença, Roma não paga aos traidores! E você não escapará certamente à justiça que a história e o povo lhe reservam!


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