Partido

A Luta dos Marxistas Portugueses

Pelo Partido Comunista do Proletariado

Resposta de Arnaldo Matos

Ao comentário de Carlos Correia

O camarada Carlos Correia é um antigo e muito empenhado militante do nosso Partido, que todavia se afastou da sua dedicada actividade de membro da redacção do jornal Luta Popular Online, por via de um desentendimento nunca esclarecido, aparentemente com a minha pessoa. É com muito agrado e verdadeiro afecto que o vejo regressar hoje ao órgão central do Partido com o seu muito interessante comentário ao meu artigo “A Derrota do Grupelho Liquidacionista Anti-partido”, saído anteontem no nosso – dele, meu e de todos os operários portugueses – Luta Popular Online. E lembro-me de vê-lo participar muito entusiasticamente, com intervenções e perguntas inteligentes, no colóquio sobre a Revolução de Outubro, realizado no Salão dos Bombeiros da Parede, no dia 11 de Fevereiro passado, onde fui o orador principal.

No seu comentário agora publicado, Carlos Correia começa por ironizar com a ideia da dedicação da vida ao partido, avançando que nunca pôde dedicar-lhe mais do que uma parte do dia… Ora, dedicar a vida ao Partido pode consistir nisso mesmo: dedicar todos os dias ao partido uma parte do nosso dia…

Convém que eu o esclareça que nunca defendi que os comunistas incorram no dever de dedicar a vida ao Partido, pois acho que os comunistas devem dedicar a vida à revolução proletária e ao comunismo e não exactamente ao Partido, pois poderá até acontecer que se encontrem frequentemente em minoria e, apesar disso, terem todavia razão, ainda que minoritários.

Mesmo no interior de um partido comunista operário há classes, pontos de vista de classe e luta de classes, o que torna muito discutível a questão de saber como se dedica – - ou não – a vida ao partido. É que a consciência política do proletariado revolucionário pode nem sempre residir ou ser dominante no partido comunista operário ou nas organizações assim chamadas.

Diz Carlos Correia que, no tempo em que esteve no Partido, não existiriam comunistas como eu os defendo. É pena que não tenha perdido duas linhas a explicar o que é, para ele, um comunista como eu o defendo; e outras duas linhas para explicar, preto no branco, se havia lá, nesse tempo, comunistas todavia diferentes daqueles que eu porventura defenda.

A concepção leninista de partido comunista remete para a constituição de uma organização, edificada em pirâmide e regida pelos princípios do centralismo democrático, arvorada em estado-maior político e militar de combate do proletariado revolucionário.

É o estado-maior para conduzir a classe operária e a revolução proletária ao poder, mediante a instauração da ditadura do proletariado. Deve aqui notar-se que, se o partido revolucionário do proletariado se destina a instaurar a ditadura do proletariado, então o princípio do centralismo democrático não pode deixar de ser, em si mesmo, uma forma de ditadura do proletariado, acentuando a vertente do centralismo em relação à vertente democrática, palavra esta que implica a existência de classes, pois só pode haver discussão e decisão democráticas onde houver pontos de vista de classe diferentes, quiçá antagónicos.

A minha concepção de partido operário comunista é marxista, não exactamente leninista.

A missão histórica do proletariado, como resulta do Manifesto do Partido Comunista, do Capital e de outras obras de Marx e Engels é a de destruir pela força o modo de produção capitalista, derrubar a burguesia capitalista e instaurar o modo de produção comunista.

É pois esta a função e missão do partido comunista marxista proletário. Mais do que assentar numa disciplina férrea comum, terá de assentar num programa político, teórico e ideológico comum, unindo os proletários de todos os países.

Não admira que Carlos Correia não encontrasse comunistas no Partido quando andou dentro dele. Na realidade, comunistas só encontrará na sociedade comunista, a sociedade atinente ao modo de produção comunista. O que Carlos Correia poderá encontrar num partido comunista são militantes (proletários ou intelectuais) que estudam e aplicam à luta de classes na sociedade capitalista imperialista as concepções teóricas do marxismo, os sistemas ideológicos e políticos da revolução proletária e do comunismo.

A razão por que não encontrou gente desta no partido por onde andou resulta unicamente do facto de que o grupelho de liquidacionistas que dirigia esse partido na altura e até 5 de Outubro de 2015, era constituído por anti-comunistas, anti-marxistas e anti-revolucionários como Garcia Pereira, o licenciado português mais ignorante e inculto de todos os tempos.

De mais a mais, o materialismo dialéctico e o materialismo histórico – as bases filosóficas do marxismo – ensinam que a consciência revolucionária procede do movimento revolucionário e não o inverso, ou seja, não é a consciência revolucionária que produz o movimento revolucionário, mas o movimento revolucionário que produz a consciência revolucionária.

Dito de uma maneira mais simples, é o movimento revolucionário que produz o partido e não o partido que produz o movimento revolucionário.

O próprio partido comunista marxista proletário provém do movimento revolucionário do proletariado. É mais fácil ao camarada Carlos Correia encontrar um comunista, no sentido de adepto do comunismo, numa fábrica do que no partido dum miserável reaccionário como Garcia Pereira.

Vejam a secção do partido que os comunistas açorianos – operários e outros trabalhadores – estão a fundar no arquipélago dos Açores, a partir dos movimentos de massas da própria Região.

Os que estudaram e conhecem o marxismo devem ligar-se ao movimento operário nas fábricas e na sociedade; é dai que nasce o Partido, o nosso partido comunista marxista proletário.

Estudem a Comuna de Paris. Não havia então nenhum partido comunista. Mas foi desse movimento revolucionário, tão notabilissimamente examinado por Marx, que acabou por nascer o partido comunista do proletariado, com os seus afinados princípios revolucionários.

O camarada Carlos Correia, no seu inteligente comentário, reproduz aquela conhecida fábula dos comunistas, quando atingem uma certa idade: isto agora só vai com os jovens; ele, Carlos Correia, e eu, Arnaldo Matos, devíamos entregar – é o que se deduz da fábula!... – a pasta aos jovens e ir plantar oliveiras para o Alentejo, aproveitando a água do Alqueva.

Claro, os jovens são importantes! Mas nota, meu caro Carlos Correia: os jovens não são uma classe social, mas uma classe etária. Entre os jovens há classes sociais, contradições de classe e luta de classes. Há jovens reaccionários e jovens revolucionários; há jovens proletários e jovens capitalistas; há jovens pequeno-burgueses que cheiram a merda a quilómetros de distância: vê a que é que cheiram alguns dos filhos de Garcia Pereira e a própria mulher dele, também jovenzinha de Odivelas, nas redes sociais contra a revolução e o proletariado.

Se os velhos comunistas entregassem a pasta a alguns desses crapulosos jovens, onde é que a revolução iria parar?

Mesmo os jovens operários têm virtudes e têm defeitos. Todos os jovens, como os velhos revolucionários proletários, são tão explorados e tão oprimidos que frequentemente sucumbem perante os capitalistas.

Sim, precisamos de recrutar para o Partido e formar nas nossas fileiras militantes operários jovens, mas tal não significa que os velhos militantes comunistas devem ser repelidos das nossas organizações.

O camarada Carlos Correia levanta também o problema do estudo no Partido dos comunistas, para dizer-nos que só com o muito estudo as coisas não irão lá. Sim, só com o estudo as coisas não irão lá, mas sem estudo é que nunca irão a lado nenhum!

A verdade verdadeira é que, sem o estudo apurado do marxismo, a revolução nunca triunfará. Sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário. É a teoria revolucionária de Marx e Engels, conjuntamente com os ensinamentos das grandes revoluções proletárias, como a Comuna de Paris, a Revolução Soviética de Outubro de 1917 e a revolução chinesa de 1949, e bem assim os ensinamentos recebidos de todas a grandes revoluções da história, que arrancarão a classe operária dos princípios que a levarão à conquista do poder e à criação da sociedade comunista.

O comentário de Carlos Correia termina com uma tirada confusa e que é esta: “só a transformação das actuais forças produtivas em meios de produção revolucionários, poderá refundar o Partido.”

Forças produtivas e meio de produção são expressões retiradas de obras de Marx, nomeadamente a Contribuição para Crítica da Economia Política, de 1859, e o Capital, com o I volume publicado em 1867.

As relações de produção e as forças produtivas constituem o modo de produção, o qual se modifica historicamente (comunismo primitivo, esclavagismo, feudalismo, capitalismo, comunismo).

Meios de produção é o conjunto formado por meios de trabalho e objectos de trabalho. Os meios de trabalho incluem os instrumentos de produção. O que é que pretendes dizer quando escreves que: “só a transformação das actuais forças produtivas em meios de produção revolucionários, poderá refundar o Partido.”

A fundação – ou refundação – de um partido comunista marxista operário tem de efetuar-se já hoje, na base das aquisições teóricas, políticas e ideológicas já adquiridas pela experiência do movimento operário revolucionário.

Esse partido irá crescendo e ir-se-á desenvolvendo à medida que novas contribuições sejam trazidas aos operários pela experiência do seu movimento de massas.

Há aqui dois elementos fundamentais a ter em conta: por um lado, o estudo do marxismo e da experiencia das revoluções proletárias e, por outro, a ligação intima desse estudo e dos seus princípios a todas as classes e ao movimento revolucionário proletário.

Não os comunistas, conjunto de indivíduos, mas o comunismo, enquanto modo de produção e sociedade futura, destruirá, sim, a exploração do homem pelo homem.

07Abr17

 

 

 

 

 


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