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Em Lisboa, junto à Sede da Petrogal

Distribuição de Propaganda na Concentração dos Operários do Consórcio de Manutenção da Refinaria de Sines

Uma brigada do nosso Partido constituída pelos camaradas Firmino, Carlos Alves e Carlos Paisana apoiou activamente, ontem, sexta-feira, uma acção de protesto dos operários subcontratados do consórcio de manutenção da refinaria de Sines, um encontro que teve lugar frente à sede do Grupo Galp, em Lisboa, e contou com a participação de mais de uma centena dos cerca de 250 trabalhadores, justamente indignados com a ameaça do seu próprio despedimento colectivo.

Importa aqui salientar a importância desta luta, cujo significado ultrapassa a realidade objectiva do sector da manutenção mecânica e eléctrica, onde um consórcio encabeçado pela EFATM (cujo maior accionista é o grupo Mello), que integra uma série de outras empresas subcontratadas, “justificou” a rescisão antecipada do contrato dos patrões com a Petrogal com os alegados baixos preços impostos pela poderosa petrolífera.

De facto, os trabalhadores em protesto lutam, corajosamente, pela preservação dos seus postos de trabalho, exigindo aos administradores da Galp que todos os assalariados sejam reconhecidos pelas entidades patronais como efectivos e libertos das precárias e desumanas condições laborais, em que se encontram envolvidas as próprias empresas de “prestação de serviços” e trabalho temporário.

Durante demasiado tempo, os caciques vacilantes e oportunistas da Intersindical, que pretendem, desesperadamente, controlar o SITE Sul, entretiveram os trabalhadores com intervenções vazias e frouxas, enquanto esperavam pelos resultados de uma reunião com os representantes da administração da Galp.

No final desse encontro, um dos caciques veio “informar” o plenário que os gestores iriam fazer tudo o que pudessem para tornarem efectivos os vínculos contratuais, expressando que a empresa prometeu “interferir junto da Martifer para que seja assegurada a manutenção dos postos de trabalho”. Um propósito algo ambíguo que o “orador” considerou como positivo e só alcançado em consequência desta jornada de protesto. Como não foi visível o entusiasmo colectivo, apressou-se a terminar com “a luta continua”!

Enquanto a concentração não desmobilizou, mantivemos um contacto muito interessante e profícuo com diversos operários jovens que, curiosamente, se tinham escapulido para os cafés mais próximos, o que revela um certo distanciamento dos elementos insubmissos em relação aos dirigentes burocratas que, de resto, ficaram pelo conforto gastronómico da capital, em vez de acompanharem os camaradas, no seu regresso ao Litoral Alentejano… Refira-se, a este propósito, que alguns dos trabalhadores que se deslocaram, em dois autocarros, a Lisboa foram ameaçados de serem retirados dos turnos e de serem despedidos.

A contrastar com a moleza e a capitulação dos sindicalistas, as denúncias foram vigorosas e a revolta manifestou-se de maneira veemente. A sua postura de classe é espontânea, nítida e clara. Um grande número de operários qualificados está há mais de 3, 10, 20 e mesmo 30 anos a trabalhar a título precário, a ganhar salários de miséria, não tendo direito a férias nem ao respectivo subsídio. Por outro lado, é sintomática e escandalosa a discriminação no valor salarial entre operários das várias empresas a prestar exactamente o mesmo trabalho. Assim, por exemplo, há patrões a pagar as horas extraordinárias a 50% e outras entidades patronais a retribuir a 100%, o mesmo sucedendo com o trabalho aos sábados e domingos.

No final, fizemos uma distribuição de um comunicado do Comité Regional de Setúbal, especialmente dedicado aos trabalhadores subcontratados desta área, importantíssima, da Refinaria de Sines, aos quais manifestámos a nossa solidariedade e incentivámos a endurecer as formas de combate, tendo sido por todos muito bem acolhidos.

A forma como os operários falaram connosco revela bem o seu desejo de fazer chegar mais longe e de modo mais eficaz a denúncia que se estende sempre ao governo “socialista” e não apenas aos patrões, como se estes não tivessem nada a ver com aquele, contrariando a vergonhosa posição adoptada por um responsável do P”C”P que, quando encostado às cordas no seu apoio à política de traição governamental, se defendeu dizendo que se trata apenas de uma “maioria parlamentar”!...

Por poderem enquadrar-se no âmbito destas denúncias, não resistimos a transcrever um breve e elucidativo desabafo de um jovem operário, que já trabalhou num outro país desta Europa “democrática”, visivelmente revoltado com a situação no ambiente de trabalho fabril, amplamente favorável à exploração capitalista: “Este governo não faz a diferença do anterior. São todos a mesma merda. Pelo que nos estão a fazer, devia ir tudo preso!”

27JAN18

A Redacção


 

 

 

 

 


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