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Ciclo de Conferências: Aqui Não Há Palavras Proibidas

Cooperativa do Povo Portuense

Auditório dos Fundadores

Arnaldo Matos: Da Actualidade do Marxismo

Estava cheio o Auditório dos Fundadores da Cooperativa do Povo Portuense, na sexta-feira passada, dia 18 de Maio, à Rua do Paraíso, na Cidade Invicta, 1quando o camarada Arnaldo Matos deu início ao ciclo de conferências Aqui Não Há Palavras Proibidas, com a sua palestra sobre A Actualidade do Marxismo e da Revolução Comunista.

O Presidente da Cooperativa, Dr. Paulo Jorge Teixeira, que presidiu à primeira conferência do Ciclo, teve a ideia de convidar o camarada João Morais, compositor, poeta e professor de música no Porto, para abrir e encerrar a sessão com um pequeno recital de belíssimas canções acompanhadas à viola, com letra e música do executante, que foi muito apreciado e aplaudido.

Numa mesa sob a égide dos grandes retratos dos fundadores da Cooperativa, Antero de Quental e José Fontana, a direcção dos trabalhos esteve a cargo do economista Professor Doutor Luís Moutinho, a quem se ficou a dever muito do ritmo e2 entusiasmo do debate, suscitado por uma assistência maioritariamente jovem, de homens e mulheres.

Desta vez, procuraremos deixar ao alcance dos nossos leitores a gravação integral da palestra do camarada Arnaldo Matos, salientando aqui apenas o seu fio condutor.

A essência do marxismo é a teoria do materialismo dialéctico e do materialismo histórico. Como depois de tantas revoluções ditas socialistas (Russa de 1917, Chinesa de 1949, etc.,etc.) a humanidade não logrou destruir o modo de produção capitalista nem edificar, em seu lugar, o novo modo de produção comunista, o nosso estudo deve centrar-se na natureza de classe dessas revoluções e no caminho seguido para substituir o velho pelo novo modo de produção.

Lembrando o prefácio do livro de Marx “ O Dezoito do Brumário de Luís Bonaparte”, de 1852, chamou a atenção para o facto de que é verdade que são os homens que fazem a História, mas que tal não significa que os homens saibam sempre qual é a história que fazem.

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E foi justamente o que aconteceu com a Revolução de Outubro, de 1917, e com a Revolução Chinesa, de 1949. Em 1950, consolidadas que foram aquelas duas revoluções, quatro em cada dez homens viviam no mundo em sociedades que julgavam socialistas, e dos seis que viviam fora delas, três defendiam o marxismo como teoria de revolução e o comunismo como o modo de produção futuro da humanidade.



O colapso do regime socialista soviético, em 1989, mostrou que na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) havia-se criado, com a Revolução de Outubro, uma sociedade capitalista monopolista de estado, e não uma sociedade socialista ou comunista.

Voltando à lição do 18 do Brumário, os russos bolcheviques fizeram efectivamente a sua história, mas não sabiam que história tinham feito; julgavam e proclamaram que, a partir das Teses de Abril, haviam feito uma revolução socialista, mas como demonstrou o colapso político e económico de 1989, tinham instituído apenas uma sociedade capitalista monopolista de estado. 

Agora sabe-se que a revolução proletária, que irá derrubar o modo de produção capitalista, não poderá ser realizada num só pais, mas sim na 4generalidade dos países capitalistas chegados ao estado superior e último do seu desenvolvimento, o imperialismo, como ocorre já na actualidade. E sabe-se que também não é possível realizar a revolução proletária e instaurar o modo de produção comunista num país, como a Rússia czarista e a China de 1949, ainda não chegado ao desenvolvimento superior e último do capitalismo.

A situação atingida com a mundialização do imperialismo na actualidade abre as condições necessárias da revolução proletária e da luta pela instauração do modo de produção comunista, com a liquidação da sociedade de classes, de exploradores e explorados, de opressores e oprimidos.

O modo de produção capitalista terá, ele mesmo, de alcançar o seu máximo desenvolvimento tecnológico para criar as condições que permitirão instituir o novo modo de produção, o modo de produção comunista, sem relações de exploração e de opressão do homem pelo homem.

No fim da conferência, o camarada Arnaldo Matos foi cercado por jovens homens e mulheres que lhe pediram a maneira de contactar com ele, razão por que se deixa aqui o e- mail pessoal do conferencista à disposição de todos quantos queiram estabelecer os seus contacto: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar..

5Convidamos os nossos leitores a estudar com afinco a palestra e o debate gravados no Auditório dos Fundadores da Cooperativa de Solidariedade Social do Povo Portuense. Na parte consagrada às perguntas e respostas, nem todas as perguntas ficaram gravadas, por insuperáveis dificuldades técnicas.

E permitam-me os nossos jovens leitores lembrar-lhes que o camarada Arnaldo Matos se comprometeu a deslocar-se uma vez por mês ao Porto ou a Vila Nova de Gaia para discutir com todos os que assim o desejarem o papel e importância do marxismo na actualidade revolucionária.

O Luta Popular agradece ao camarada Arnaldo Matos e salienta a enorme importância da brilhante palestra apresentada assim como do entusiástico e participativo debate que se lhe seguiu para a compreensão do momento actual e como suporte teórico indispensável para a luta que é preciso travar para a implementação do modo de produção comunista.

 

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                                                                          Cidália Guerreiro

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