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45 Anos depois do 25 Abril 

O ÓDIO DO ABRILISTA E COBARDE VASCO LOURENÇO AO MRPP

Passados 45 anos após o golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, a RTP, sob o pretexto de comemorar essa data, engendrou uma manobra com a colaboração do abrilista Coronel Vasco Lourenço e do social-fascista capitão-de-Mar–e-Guerra Almada Contreiras – chefe dos serviços da nova pide, após o 25 de Abril - para atacar o MRPP, divulgando cirurgicamente trechos da gravação da Assembleia do MFA de 11 de Março de 1975, até agora propositadamente escondida por Contreiras e o próprio Lourenço.

Os possuidores desta gravação devem disponibilizá-la na íntegra e imediatamente,   tornando-a acessível na internet.

A Assembleia em causa, convocada pelo presidente Costa Gomes, tendo a seu lado o tresloucado social-fascista Vasco Gonçalves, seguiu-se ao golpe desencadeado por Spínola e por uma camarilha de oficiais fascistas, todos eles democratas do MFA e activos intervenientes no anterior golpe de 25 Abril de 1974, então ao lado, entre outros democratas, de Vasco Lourenço e Almada Contreiras.

 De uma Assembleia com um registo magnético de mais de 8 horas de duração, a RTP, Vasco Lourenço e Almada Contreiras, dedicaram mais de metade da peça jornalística (cerca de 20 minutos de um total de 34’ 47’’) emitida na noite de ontem, às medidas punitivas a adoptar naquela reunião, relativamente aos autores do golpe spinolista, tentando atribuir ao MRPP a autoria exclusiva da proposta do seu fuzilamento.

Mesmo com o artifício da selecção manipulatória da gravação da assembleia - que de selvagem só teve o facto de representar o início do contragolpe social-fascista do PCP de Barreirinhas Cunhal que se prolongaria até ao 25 de Novembro de 1975- , Vasco Lourenço, sempre com a cumplicidade do seu então inimigo social-fascista Contreiras, voltou a ser incapaz de conter o seu ódio ao MRPP, não disfarçando sequer as contradições em que ia caindo, denunciadas pelas próprias passagens da gravação.

Refira-se, desde já, que veio a ser o próprio Vasco Lourenço que, no final da Assembleia do MFA e sobre a questão da proposta dos fuzilamentos dos golpistas, considerou como absolutamente natural que essa hipótese tivesse surgido mas que para já não foi decidido actuar com a pena capital em relação a qualquer deles.

Mas, como todos os que viram a reportagem puderam verificar, coube ao então capitão Dinis de Almeida, segundo comandante do Regimento de Artilharia de Lisboa (RAL 1) - posteriormente RALIS -, ser o primeiro a defender o fuzilamento dos golpistas,  transmitindo à Assembleia ter sido essa a posição unânime de todos os soldados e restantes militares daquele Regimento, tomada após o bombardeamento pelos spinolistas que provocou um morto e 12 feridos – “é que o sangue de alguns indivíduos que tombaram (...) nós não podemos usar de moderações neste processo. Nós vamos ao ponto – eu transmito essa opinião – de encostar à parede ou seja de fuzilar imediatamente, os oficiais que participaram neste ataque.(declaração de Dinis de Almeida reproduzida na reportagem) 

Mas, como Dinis de Almeida não era nem nunca foi do MRPP, o social-fascista Almada Contreiras e o coitado do Vasco Lourenço - não podendo por aquele testemunho aceitar o desmentido de Dinis de Almeida de que nunca havia defendido o castigo máximo para os fascistas – apressaram-se agora a qualificar esta impensada atitude, como um acidente num percurso exemplar de social-fascista, frisando Lourenço que o capitão do RAL 1 não tinha lido o comunicado mais controverso do RAL 1 (só que comunicado sobre a matéria, nunca houve senão um!!) e que só teria sido escolhido como porta-voz dos militares da sua unidade para exigir o fuzilamento, por se ter destacado nas operações de resistência ao ataque de 11 Março. 

(Se os nossos leitores tiverem para isso paciência, oiçam na íntegra o que é o exemplo mais confrangedor do cúmulo do oportunismo, na passagem do vídeo da RTP com a reportagem A gravação secreta da Assembleia, entre os 25’ 49’’ a 26’ 10’’. 

Nestas circunstâncias, trataram logo os nossos farsantes abrilistas de arranjar na gravação o seu verdadeiro e único alvo – o MRPP. 

E isto, através de um gajo, um soldado qualquer, cuja voz os dois manipuladores não conseguiram identificar, mas que, afinal, como logo sentenciou inexorável o Lourenço, é um gajo do MRPP, pá!; gajo esse que fez questão de ler, na Assembleia, a moção que os soldados e todos os militares do RAL 1 bombardeados pelos fascistas tinham aprovado no mesmo dia do ataque e onde exigiam entre outras medidas o fuzilamento dos fascistas assassinos. 

Para Vasco Lourenço, homem sério como mostra ser, não tem qualquer importância que no mesmo trabalho jornalístico em que ele atribui ao MRPP a paternidade exclusiva do justo castigo para os golpistas, se diga logo a seguir que várias vozes da força aérea insistem e voltam a defender os fuzilamentos, em particular o do comandante dos pára-quedistas Ricardo Durão que já estava preso - aqui já Lourenço não consegue identificar a voz como sendo também a do MRPP. 

É que sendo verdade que o MRPP dispunha, já na clandestinidade, de uma forte organização nas forças armadas, não tinha, contudo, conseguido estar presente em todas as unidades militares, ou de ter recrutado todos os soldados daquelas que tinham já tomado a mesma posição.

Ainda que correndo o risco de saturar os nossos eleitores, não podemos ainda deixar passar em claro a repetida e já suspeita provocação que Vasco Lourenço mais uma vez resolveu bolçar sobre o Partido acerca dos acontecimentos em redor do criminoso de guerra Marcelino da Mata.

Desta vez, o abrilista Lourenço volta ao assunto, apenas para escamotear a sua cumplicidade na cobertura do contra-golpe social-fascista que teve início precisamente na noite do dia 11 de Março, com a realização da Assembleia do MFA cujo registo magnético foi escondido durante todo este tempo pelo social-fascista e ex-director da nova pide Almada Contreiras.

Socorrendo-me do que o camarada Arnaldo Matos escreveu nos seus últimos tuítes, Vasco Lourenço sabe perfeitamente que, e cito, quem sequestrou e sovou Marcelino da Mata no Ralis foram o capitão Quinhones de Magalhães, o tenente-coronel Leal de Almeida e o capitão-tenente Costa Xavier, todos social-fascistas, e não o MRPP; nós limitámo-nos a denunciar os crimes de guerra perpetrados em 2242 operações de comandos em que participou Marcelino da Mata.

E Vasco Lourenço, se tivesse um pingo de vergonha na cara, devia era estar calado, e não se armar em guardião de liberdades que ele não teve rebuço em espezinhar, quando foi um dos que aprovou a proposta do tenente-coronel social-fascista e supremo lacaio do PCP no MFA Varela Gomes à Assembleia do MFA, ordenando a realização da operação militar Turbilhão.

Operação esta que levou à destruição das sedes do MRPP e à prisão de mais de quatro centenas de militantes, sob o pretexto de que teríamos sequestrado Marcelino da Mata.

E para terminar, não resistimos a citar uma acertada caracterização do camarada Arnaldo Matos do que foram muitos dos militares de Abril:

Quem ouve hoje os militares de Abril a falar ficará a pensar que esses indivíduos desde o ventre das respectivas mães que se propunham salvar a Pátria, quando, na verdade, só se propunham salvar o pêlo.

25ABR19

Paulo

 

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