Rasga-se o Véu da democracia Burguesa
A democracia liberal vai nua e já não serve o capitalismo! É um facto: o parlamento burguês está atolado no pântano; o governo da burguesia já não se consegue ”governar”, e por isso pede eleições atrás de eleições, até formar o governo que lhe interessa.
Para chegar a esta conclusão e perceber as farsas eleitorais decorrentes das sucessivas quedas dos governos, basta analisar a feira circense em que se transformou o parlamento e a corrupção e imoralidade que envolveu todos os governos. Assim, apesar de parecer fastidioso, merece a pena rever a sucessão de governos nos últimos seis anos, durante os quais nenhuma legislatura resistiu durante os quatro anos previstos, obrigando a sucessivas eleições antecipadas. Dar a palavra ao povo, dizem eufemisticamente.
Vejamos.
(I)- Na sequência das eleições de 2019, formou-se um governo com o PS e as suas muletas do BE e PCP que caiu em outubro de 2021 devido à não aprovação o orçamento de Estado (durou, portanto, dois anos). O Parlamento implodiu-se, exigindo eleições antecipadas a 30 de janeiro de 2022.
(II) O governo resultante, de maioria socialista, tomou posse a 30 de março de 2022 e caiu a 7 de dezembro de 2023 (durou pois 9 meses) devido aos sucessivos escândalos financeiros, casos de corrupção, buscas judiciais, demissões sucessivas de ministros (saúde e infraestruturas e 11 secretários de Estado), mas sobretudo pelo desejo de António Costa (que se demitiu em novembro de 23), ocupar o cargo de presidente do Parlamento Europeu, o que efetivamente aconteceu ainda em 2024.
(III) Seguem-se novas eleições antecipadas e novo governo que tomou posse a 2 Abril de 2024 até ao momento presente, (dura até agora 11 meses), envolto em vários casos de corrupção e benefícios o que parece anunciar nova queda e novas eleições legislativas antecipadas.
A forma como a discussão tem sido feita no parlamento é um caso de antropofagia social, mostrando como a choldra parlamentar se quer “comer” uns aos outros para abocanhar o poder e assim servirem os seus interesses. Contudo, como não estão certos da reacção do povo a mais umas eleições antecipadas, cujos resultados são sempre incertos, tentam hipócrita e cinicamente desresponsabilizar-se, reiterando todos que não querem eleições, que não querem desestabilizar o país e outras patranhas. Como se houvesse estabilidade no país a não ser para a elite dominante. E como se não houvesse nenhuma solução para evitar estas eleições antecipadas. Aliás, quer haja quer não haja eleições, nos dois casos, o que a classe dominante quer é manter a estabilidade deste regime de exploração e opressão. E não nos admiremos se, contradizendo tudo o que está aparentemente na calha, e ainda que o governo venha a cair, vier a apresentar-se uma solução milagrosa sem a realização de eleições, e que venha a surgir um "novo" governo com o acordo de, pelo menos, os dois principais partidos burgueses. E Marcelo? Não tem nada a dizer? Que estabilidade quer? No fundo é ele quem pode decidir tudo, incluindo quem vai governar em tempo de guerra.
Como acima constatámos, na base da falência dos sucessivos governos esteve e está a corrupção, os negócios, os paraísos fiscais, a promiscuidade entre a esfera pública e a privada, os jogos de interesse, o uso de cargos políticos para benefício próprio, criando, se for preciso, as leis para que o impossível se torne possível. É a política a servir a economia. Não tenhamos ilusões, a política é apenas um meio ao serviço daqueles que dirigem a economia. Tudo isto é inerente ao sistema capitalista apresente ele as vestes que apresentar.
Na verdade e como se vem a confirmar à medida que a crise capitalista se vai aprofundando, o capitalismo é intrinsecamente imoral, realidade que permite que esteja ao serviço da classe dominante, instrumentalizando os trabalhadores, mesmo quando estes pensam que têm algum peso no momento em que votam. Ao votarem não estão a escolher os seus representantes, mas aqueles que os vão explorar
Acrescente-se a este retrato, o que se passa nas regiões autónomas doa Açores e da Madeira, neste caso, já vamos em três actos eleitorais no espaço de um ano e meio!!. E concorrem sempre os mesmos!! Haverá eleições até que o parlamento tenha a configuração desejada para poder aplicar a política que o poder exige. É isto a democracia burguesa!
A situação de instabilidade governativa a que assistimos em Portugal é, de facto, uma crise do capitalismo e do seu sistema burguês que já não consegue gerir os interesses dos capitalistas monopolistas, ocultando a sua natureza, uma vez que para sobreviver necessita de impor medidas cada vez mais extremas e gravosas para a maioria da população e em especial para trabalhadores e operários, as quais vão incidir especialmente no campo social, como já é bem visível, mas que também exigirão o aperfeiçoamento de todo o sector repressivo e autoritário para que estas possam ser aplicadas.
É a este cenário que estamos a assistir em todo o mundo, mas basta olharmos para o que está a acontecer na Europa, com a queda sucessiva de governos, com eleições antecipadas e, não aceitação de resultados eleitorais, quando estes não estão de acordo com os interesses das elites políticas. E é neste caos que surgirá um salvador. Em Portugal parece que já temos um, que ao pedir estabilidade aos partidos políticos se coloca acima de qualquer partido, o que significa o fim dos partidos políticos, e a necessidade de o capitalismo se apresentar numa nova forma que não a da democracia.
Só a revolução pode destruir o capitalismo!
Só a alteração do já esgotado modo de produção capitalista pelo modo de produção comunista pode mudar esta situação!
