PAÍS

O Euro, a Saída do Euro e o Crédito à Habitação

Durante a última campanha eleitoral para o parlamento europeu, o espantalho do crédito à habitação foi a primeira e principal arma política e ideológica brandida pelos bancos, pelo governo, pela Tróica, pelos partidos parlamentares, pelos economistas e universitários a soldo do imperialismo germânico e da União Europeia para assustar a classe média e impedir a sua contaminação pela linha política da saída do Euro, que estava e está a ganhar uma audiência e apoio crescentes.

“Tenham cuidado com a teoria da saída do Euro, porque a primeira coisa que irão perder é a habitação”!...

Ainda ontem, na sede da Sociedade Portuguesa de Autores em Lisboa, num colóquio promovido pela Associação Abril e por um desertor do jornal Luta Popular, uma sujeita estrangeira, falando em nome de uma reaccionária e mais que ultrapassada auditoria cidadã, opôs-se à política da saída do Euro, defendida brilhantemente pelo Dr. Garcia Pereira, invocando, entre outros mas em primeiro lugar, o problema do crédito à habitação.

Ora, o problema do endividamento das famílias, gerado pelo crédito à habitação, é motivado pela permanência no Euro, e resolvido pela saída de Portugal do Euro e da União Económica e Monetária.

Precisamente ontem, um pouco antes da representante da auditoria cidadã perorar longamente sobre os malefícios da saída do Euro, a Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal mostrava que 6,4 famílias portuguesas em cada cem deixaram de cumprir o pagamento dos empréstimos bancários para aquisição de habitação própria.

Só este ano – e sob o império do sacrossanto euro germânico – 4 083 famílias falharam o pagamento ao banco da prestação mensal do empréstimo para aquisição de casa própria. Isto corresponde a uma média de 80 famílias por dia.

Se alargarmos o crédito de cada português ao endividamento obtido pelos quatro créditos ao consumo – casa, carro, crédito pessoal e cartão de crédito –, só este ano, 14 071 famílias entraram em incumprimento, ou seja, não pagaram ao banco durante mais de 90 dias.

Em 2007, as insolvências dos particulares pesavam apenas 18,3 % no total das insolvências; mas, no último trimestre de 2013, este valor mais do que triplicou, pois as insolvências dos particulares constituíam 67,8% do total das insolvências.

As causas das insolvências que levaram, desde os fins de 2011 aos fins de 2013, cento e cinquenta mil famílias a deixar de pagar o empréstimo para a aquisição de casa própria e a perder a casa, são todas provenientes da destruição da nossa economia pelo Euro: os continuados cortes salariais, os contínuos cortes nas pensões, o desemprego e a destruição da rede familiar.

Esta situação irá continuar até que, sob o império do Euro, a última família portuguesa deixe de pagar a primeira prestação bancária e fique sem a última casa...

A saída do Euro e a sua substituição concomitante por um novo Escudo, restaurando a independência monetária, cambiária, fiscal, orçamental, económica e financeira de Portugal, permitirá aumentar o emprego, reter a sangria da emigração, deter, primeiro, e melhorar, depois, o nível dos salários e dos rendimentos familiares e restabelecer as pensões e as redes familiares desfeitas.

Decretando o governo democrático e patriótico uma moratória sobre o pagamento das prestações bancárias para aquisição de casa própria durante um ano, o restabelecimento de uma vida económica e financeira normais sob a égide do Escudo novo permitirá fornecer às famílias trabalhadoras os meios para pagar as casas em dívida.

Uma palavra mais dirigida especialmente àquelas famílias que ainda estão convencidas de que a saída do Euro poderá representar o fim dos seus sonhos numa casa própria: é precisamente a permanência no Euro que liquidará esses sonhos, como já liquidou, nos últimos três anos de euro, de Tróica e do governo de traição nacional Coelho/Portas os sonhos das 150 mil famílias que deixaram de pagar a casa ao banco e ficaram sem ela.


Espártaco