Nos últimos dias, sucederam-se pedidos de desculpa por parte de dois ministros do governo de traição nacional PSD/CDS – os da educação e da justiça -, pelos desmandos por eles mais recentemente praticados nos respectivos ministérios.
Pelo lado da ministra da justiça, tratou-se do colapso mais do que anunciado e previsto (designadamente, pelos advogados e pelo sindicato dos funcionários judiciais) do sistema informático citius, supostamente reforçado para sustentar uma reforma judiciária (o novo mapa judiciário) forte e amplamente contestada.
Quanto ao já insuportável Crato, foi o culminar de toda a espécie de ataques aos professores e a um destrambelhado sistema de ensino constantemente adaptado às exigências da Tróica e do pagamento da dívida , levando à anulação de um concurso que deixou milhares de alunos sem aulas e outros tantos professores por colocar, alegadamente por um erro – imagine-se! - numa fórmula matemática.
De salientar que, confrontados e denunciados pelos trabalhadores das respectivas áreas, nenhum dos ministros admitiu ou reconheceu o fracasso das suas acções e, muito menos, os gravíssimos prejuízos causados pela sua actuação.
Por fim, encostados à parede por uma realidade intransponível e impossível de disfarçar, os ministros, sempre protegidos e justificados pelo presidente da república e pelo primeiro-ministro, recorreram ao expediente que se tornou ultimamente usual entre os dirigentes políticos oportunistas, cobardes e desonestos, que consiste em pedir desculpas, depois de acabarem de insultar todos quantos os denunciaram.
Mas se estes dois ministros de um governo de traição nacional se permitem agir desta forma para se manterem no poder, isso deve-se em larga medida ao facto de saberem que conseguem entorpecer, neutralizar ou até obter alguma compaixão por parte de uma oposição que deixou de colocar como objectivo politico imediato o derrubamento deste governo e já só pensa em obter mais uns votos e uns deputadinhos nas próximas eleições.
Se as coisas continuarem assim, ainda veremos dentro de pouco tempo o Ricardo Salgado e a família Espírito Santo, em liberdade, a pedir desculpas pelos crimes que cometeram e, quando muito, a serem condenados ... a rezar uns padre-nossos e umas avé-marias de penitência.
É o que se pode esperar quando, perante a gravidade do caso, os partidos parlamentares (todos) se entretêm com comissões de inquérito para averiguar o que toda a gente sabe há muito e a procuradoria-geral da República, a medida mais enérgica que toma, passados longos meses sobre a denúncia do golpe, é a de constituir uma equipa especial para investigar o caso BES…