A jornada de luta que os professores dos ensinos básico e secundário acabam de travar contra a realização da chamada “prova de acesso” ao concurso de professores, destinada aos professores contratados, saldou-se por uma assinalável vitória que colocou na ordem do dia a expulsão imediata de Nuno Crato e da sua equipa do ministério da educação.
Apesar do acordo de traição celebrado entre o governo e a UGT, através do qual se procurou desmobilizar a luta e dividir os professores, restringindo o universo dos docentes contratados que teriam de realizar a prova àqueles que o eram há menos de cinco anos, os professores lograram impor um boicote à mesma que abrangeu mais de metade dos cerca de 13.500 inscritos.
Para atingir este resultado foi necessário que mais de 95% dos professores fora daquele universo de inscritos, nos agrupamentos escolares em que teve lugar a prova, fizessem greve às vigilâncias (uma vez que todos os professores dos referidos agrupamentos foram convocados para essas vigilâncias) e foi necessário também que, nos agrupamentos em que havia um número suficiente de fura-greves para assegurar pelo menos uma parte das vigilâncias, fossem os próprios professores convocados para a prova a organizarem o respectivo boicote.

Em desespero de causa, o governo mandou a polícia para dentro das escolas para tentar impedir tal boicote. Em condições difíceis de repressão e apesar de ameaçados de serem excluídos definitivamente do acesso aos concursos de contratação, uma grande parte dos professores convocados para a prova recusaram-se a fazê-la, rasgaram-na e queimaram-na na cara dos vigilantes fura-greves e deixaram completamente isolados e derrotados o ministro da educação e os seus lacaios.
Para não perder a face, o ministério anunciou a manobra patética de repetir a prova para os professores que não a realizaram, incluindo assim na nova convocatória mesmo aqueles que activamente a boicotaram. Impõe-se agora que seja preparada uma resposta à altura a mais esta provocação e que a mesma seja a ocasião para uma grande jornada de mobilização de todos os professores, dos pais e dos alunos em defesa de uma educação pública democrática e de qualidade e pelo derrube do ministro Crato e do governo de Passos Coelho.
Nesta resposta de massas às políticas terroristas que pretendem destruir a escola pública e massacrar os profissionais que nela trabalham e as crianças e jovens que as frequentam, impõe-se igualmente denunciar e desmascarar as posições oportunistas da direcção do PS, a qual vem agora, depois da lição de dignidade e combatividade dada pelos professores, fingir uma solidariedade com estes que nunca teve e escamotear que foi o PS, nos governos de Sócrates, que criou a dita “prova de acesso” e a pretendeu realizar nos mesmos moldes agora aplicados pelo governo PSD/CDS, com a colaboração do amigo e correlegionário de Seguro que se encontra à frente da UGT.
Há muito que os professores perderam as ilusões na pretensa alternativa ao governo de traição nacional Coelho/Portas representada pelo PS de António José Seguro. A hora é pois de unir forças com todos os sectores democráticos e patrióticos para derrubar os inimigos da escola pública, da democracia e da independência nacional e construir a alternativa de governo que o país e o povo exigem e necessitam.