Mais um crime na capital, a ser sacudido das responsabilidades!
Conforme foi noticiado, no dia 3 deste mês, pouco depois das 18 horas, o elevador da calçada da Glória, nos Restauradores, pertencente à frota da Carris, sofreu mais um acidente, este com consequências trágicas: 16 mortes, 22 feridos, dos quais 5 graves; mas, o que não se pode apagar é o facto de este acidente já ter sido anunciado por acidentes anteriores, em 2018 e recentemente em 2024, sem que tivessem sido tomadas as medidas adequadas que poderiam ter evitado estas mortes e estes feridos: e é daqui que nasce a tragédia do passado dia 3. Perante uma realidade tão brutal e que não pode ser ocultada, imediatamente começou o jogo da criação de percepções, montando-se cenários estudados e trazendo para a opinião pública uma enormidade de informações, levantando-se, simultaneamente, um conjunto de causas para justificarem o “acidente”, gerador de confusão a nível das responsabilidades, proporcionando o habitual nevoeiro e “passa culpas”, tudo para que, segundo a também habitual declaração do presidente da República “a culpa não morra solteira”. Contudo, todos acrescentam que essas informações só poderão ser confirmadas no relatório que, supostamente, será apresentado em meados do próximo mês de outubro! De tudo o que foi visto e ouvido parece que o acidente residiu no desprendimento do trambolho por estar gasto (?), o que levou a que o equilíbrio das duas cabines (os chamados elevadores) não acontecesse, apesar de o guarda-freio ter tentado evitar a todo o custo o acidente, activando os 2 freios: o pneumático e o manual que não funcionaram. Consequentemente, tudo indica que a causa está relacionada com a manutenção do elevador, aspecto que parece alargar-se aos outros equipamentos, já que foram parados de imediato: indicação de “iniciativa” ou indício de que a confiança é nula?
Deste modo, a Carris, Câmara Municipal de Lisboa, Ministério Público e Polícia Judiciária, como não podia deixar de ser, declararam a abertura de um inquérito e a investigação do acidente para apuramento de responsabilidades, cujo relatório preliminar só será conhecido, muito convenientemente, depois das eleições, sendo que o relatório final só será conhecido dentro de um ano!!
Recorde-se que o acidente de 2024, foi praticamente igual a este, só que não chegou a ter as mesmas proporções. O elevador subiu 50 metros e caíu em queda livre durante esses 50 metros, os passageiros sofreram apenas quedas dentro do elevador. Contudo, nessa altura ficou claro que só o cabo poderia segurar a cabine e não apenas os dois travões. Até agora não se conhece outra informação, mas esta era mais que suficiente para que fossem tomadas medidas de fundo e logo aqui se abrisse um inquérito e averiguações, isto para não falar no descarrilamento que teve lugar em 2018. Em conclusão, avisos houve, medidas perante esses avisos não houve.
Se voltarmos um pouco atrás na história da Carris, empresa com 153 anos de existência e com uma frota de autocarros e eléctricos, e que tem também à sua responsabilidade, os elevadores da Glória, da Bica, de Santa Justa, da Lavra e da Graça, constatamos que, ao longo de vários anos, as oficinas da Carris conseguiram resolver os problemas técnicos com o seu pessoal de manutenção; contudo, nestes últimos anos, com destaque para o período de 2018-2025, período em que a Carris tem sido gerida sob a responsabilidade política da Câmara Municipal de Lisboa, como accionista a 100%, uma vez que o capital do Estado passou na sua totalidade para a edilidade lisboeta, ou seja, abrangendo a gestão de Moedas, mas também a de Fernando Medina.
Ora, como referimos anteriormente, este acidente deu-se claramente por falta de manutenção, ainda que tenhamos apenas em conta a nota informativa do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários – GPIAAF – segundo a qual o cabo que se desprendeu de dentro do trambolho, ou seja, que cedeu no ponto de fixação, (subterrâneo, pelo que deveria ser vigiado com frequência) estava demasiado gasto, seco e esgarçado, conforme as imagens vistas na televisão e pela sequência de acidentes nestes últimos anos, com a agravante de que os trabalhadores vinham alertando o serviço de tráfego da Carris, para o facto de que a manutenção por vezes não era feita nas devidas condições.
Falemos, então, como era feita a manutenção pela empresa MNTC – Serviços Técnicos de Engenharia ou MAIN, que ganhou o concurso em 2019, para fazer a manutenção dos elevadores da Carris, que tudo indica não foram realizados com o rigor e competência exigíveis, não obstante os responsáveis da Carris, o Presidente da Carris – Pedro de Brito Bogas e Carlos Moedas Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, ainda hoje afirmarem que a empresa MNTC é competente para executar esta tarefa!
Esta empresa começou por ganhar o concurso em 2019, recorrendo a uma táctica básica, de desconfiar, ao oferecer um preço mais baixo do que o proposto no próprio concurso da Carris para fazer a manutenção dos elevadores embora, e como tragicamente ficou comprovado, esses serviços não fossem realizados nas condições técnicas adequadas. Foi esta a forma para “entrar” na empresa, com a conivência dos responsáveis que não verificaram se a empresa cumpria os critérios técnicos que deveriam estar na base do contrato, tendo apenas em conta a baixa quantia que iriam pagar.
A Main apresentou-se ainda a um segundo concurso em 2022, com a duração de três anos – até agosto de 2025 – continuando, contudo, desde final de agosto de 2025 a manter esta função durante cinco meses por ajuste directo, naturalmente, por um preço mais elevado, tempo supostamente necessário para a abertura de um novo concurso público externo, face ao último que ficou deserto. Naturalmente que a forma como a Carris organiza estes concursos é pouco clara, mas o facto é que continuou a recorrer aos serviços desta empresa, vá-se lá saber porquê, pois os concursos que abriu ficavam vazios, dado os preços baixos que propunha. E é aqui que o negócio acontece! Abre-se o concurso público, oferendo deliberadamente valores baixos para que não haja interessados, talvez com a escandalosa e indecente finalidade de continuar a fazer o negócio com a Main.
Outro indício de falta de transparência e de corrupção associado a esta empresa fantasma reside no facto de no início da sua actividade e durante dez anos, esta apresentar uma morada que não lhe pertencia e onde nunca funcionou, em Monte Caparica, alterando-a mais tarde para Almada, mas também de forma camuflada. Enfim… coisas do capital, pelos vistos, com a conivência dos governantes local e central.
Pelos vistos, O Ministério Público e a Polícia Judiciária têm mesmo muito que investigar, se é que pretendem investigar a sério, mantendo a sua independência, pondo os carris no sítio certo, o que quer dizer, fazer funcionar a justiça, para que os responsáveis sejam efectivamente punidos pelo crime destas mortes, e para evitar a continuação de tais crimes. Ou será que vai ficar tudo na mesma? Será que a culpa vai mesmo e, mais uma vez, morrer solteira? Demitir responsáveis? Nem pensar, diz Moedas, não aceitando a demissão do presidente da Carris, apoiado por Marcelo e todos os que agora tentam abocanhar o poder, retirando, o máximo de dividendos da situação. Perante esta cumplicidade, perante a ocultação dos negócios, da falta de transparência e da corrupção que põem em perigo a vida dos portugueses só há uma saída: julgamento sério desta rede de incompetentes e corruptos, produto do capitalismo.
Morte ao capitalismo!
Viva a revolução proletária!
NS
