PAÍS

Os desmandos urbanísticos e ambientais em Armação de Pêra

É com grande satisfação que o Luta Popular tem vindo a receber, desde reinício da sua impressão em papel, vários artigos opinativos e de notícias locais nomeadamente dos seus leitores mais novos que se têm vindo a tornar ávidos colaboradores na elaboração do jornal. É no entanto também objectivo do jornal impresso, o motivar de antigos camaradas que por vários motivos, nomeadamente geográficos, se afastaram da escrita para o jornal. Deve ser sabido que o jornal para cumprir verdadeiramente o seu objectivo de arma dos trabalhadores, deve ter olhos e ouvidos em todo o lado, deve tomar conhecimento de tudo o que se passa, e os seus leitores devem ser informados e conhecedores da situação actual do país bem como da situação internacional. Fazemos por isso este apelo a todos os camaradas leitores que nos enviem não só artigos sobre a sua região, local de trabalho ou de estudo – bem como artigos de opinião que considerem relevantes – mas também de sugestões, críticas ou apreciações sobre o jornal e o seu conteúdo.

 

É grande a minha indignação perante os abusos que, de forma impune e sem que o chamado poder autárquico se incomode,  ocorrem há décadas nesta vila algarvia, que já foi armação de pescadores, mas que se transformou num  caos urbanístico para  encher  os bolsos de especuladores, corruptos e também os cofres da autarquia via IMI e outras taxas e impostos,   sem qualquer respeito pela preservação da natureza, criando, por exemplo,  zonas de lazer e bem-estar  para os armacenenses  e  todos os que querem usufruir das suas magníficas  praias.

Armação de Pêra é uma freguesia do concelho de Silves cuja presidência é há  14  anos detida pelo PCP/CDU  que, de forma vergonhosa,  colabora, não tomando medidas, com  todos os atentados e crimes urbanísticos e ambientais a que assistimos com frequência e que têm de ser amplamente denunciados, daí esta minha correspondência para o Luta Popular.

Hoje, trago a lume a situação revoltante que ocorreu na semana passada, na zona do Sapal  de Armação, formado pela foz das ribeiras de Alcantarilha e de Espiche e que integra um valioso ecossistema de que fazem parte diversas espécies de aves aquáticas, peixes e anfíbios, ocupando inicialmente uma extensa área,  digo inicialmente porque nesta zona foi levantado uma urbanização de luxo de 255 apartamentos até 6 pisos  (Urbanização Bayline) com uma área total de construção de 44.320 m², estimando-se que o peso atinja as 66 000 toneladas! Sobre este caso falaremos mais tarde, mas não podemos deixar de referir que a promotora da urbanização pertence milionário francês com negócios imobiliários na Comporta, freguesia de Grândola presidida também pelo PCP! Grandes negócios!

Mas, voltemos ao Sapal que, em vez de fonte de vida, se transformou em cemitério de centenas de peixes, aves e outros seres que aí habitam, expostos em decomposição nas margens da ribeira e zonas secas!

Em comunicado, a Câmara de Silves limitou-se a dizer que “está a acompanhar o caso”, que esta mortandade se deveu à falta de oxigénio na água e a uma bactéria (anunciada antes das análises!!) e que «iniciou já a recolha dos peixes mortos e está preparado para avançar com uma operação de renovação da água da ribeira, logo que seja autorizada pela APA». Estas declarações são demagógicas enão apresentam qualquer solução!   se estamos perante uma situação que é recorrente, identificada há anos, o que se oculta nesta falta de tomada de medidas, com a agravante de se saberem que medidas devem ser tomadas? Por que razão fica a ribeira tanto tempo fechada, sem ligação ao mar?  que medidas estão previstas para impedir a falta de oxigénio na água? O que se passa a montante da ribeira? Há descargas? E de quem é a responsabilidade? Ou pretende-se matar o Sapal?  

A população de Armação e Pêra deve exigir respostas à Câmara de Silves, nomeadamente à presidente, Luísa Conduto, responsável por monitorizar e garantir as condições ambientais saudáveis e o bem-estar da população. Esta não é uma situação local. O Sapal é património nacional.

(o correspondente em Armação de Pêra)