PAÍS

Concentrar recursos no rápido restabelecimento das comunicações marítimas e reconstrução do Porto de mar nas Lajes das Flores

A Ilha das Flores juntamente com o Ilha do Corvo são as únicas ilhas dos Açores situadas na placa americana. A Ilha das Flores é a ilha mais ocidental do arquipélago dos Açores. Foi encontrada em 1452 por Diogo de Teive na sua viagem de regresso da Terra Nova. Muito isolada, sofreu durante o seu povoamento, tal como o Corvo, diversos ataques de corsários. Integra desde 2009 a Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO. Tem uma área de 141,7 Km2, montanhosa, com elevada pluviosidade, várias lagoas, cascatas e costas escarpadas. Em 1849 tinha 10840 habitantes, em 1900 tinha 8127, 6992 em 1930, 6583 em 1960, 4352 em 1981, 4329 em 1991, 3995 em 2001 e em 2011, o último censo, 3793 habitantes. São dois os Concelhos da ilha, o Concelho de Santa Cruz das Flores, onde está o aeroporto, com 4 freguesias e o das Lajes das Flores com 7 freguesias e onde o porto de mar para atracação de pequenos navios foi construído.

PortoLajesAcoresFoi no porto de mar das Lajes que a tempestade Lorenzo causou maior destruição na sua passagem pela região a 2 de Outubro de 2019 e a reduzida operacionalidade com que ficou é que está na origem do agravamento dos problemas de abastecimento às duas Ilhas.

Mas o drama que ambas vivem tem origem noutro fenómeno, lento, de consequências não menos devastadoras, o da passagem de 40 anos de sucessivos governos PSD e PS, que sem descanso sabotaram o labor, a liberdade e a autonomia secularmente almejados pelos florentinos e corvinos.

A transformação económica conduzida por aquelas organizações políticas da burguesa regional foi exactamente a oposta àqueles anseios das populações ancestralmente sujeitas, de início, aos impostos dos capitães e donatários das ilhas, depois do Estado formado em resultado das vitórias da revolução burguesa e mais recentemente do Estado da chamada Região Autónoma dos Açores – melhor seria chamar do Governos de Traição, Ocupação e Saque da Região Açores.

Os governos do apessoado e convicto bando pequeno burguês Mota Amaral/Carlos César/Vasco Cordeiro têm vindo a reduzir a indústria e a agricultura regionais à expressão mais consentânea com os interesses e o desenvolvimento da economia capitalista na sua progressão internacional de que foram e são tutelares agentes. Para o efeito usaram e usam as expectativas e as reivindicações dos trabalhadores para justificar subverter ou simplesmente destruir património cultural e produtivo locais, sacar quanto possam dos naturais da região e financiar apropriação, ocupação e instalação de pessoas singulares ou colectivas dos países imperialistas em detrimento e à revelia dos subalternizados açorianos.

Duas ilhas com significativa autonomia e diversidade de cultura e produção próprias até às décadas de sessenta/setenta do século passado, Flores e Corvo rapidamente se transformaram em terreiro de subsidiadas monoculturas, multiplicadas exclusões, cartéis de serviço público de Estado, importações traiçoeiras e ambivalente imposição/promoção/recensão turística.

Contrariamente ao pensamento administrativo corrente daqueles equivocados intérpretes do povo açoriano, a construção do porto e a construção do aeroporto não devem ser consideradas como dívidas a saldar com a destruição do tecido produtivo e cultura locais, subalternização das condições de vida nessas ilhas ou por qualquer outra forma de hipoteca sobre os seus habitantes.

Os recursos regionais devem com URGÊNCIA concentrar-se na plena desobstrução do fundo marinho, reavaliado reforço do quebra-mar adjacente, acelerada reconstrução do molhe destruído e rápido funcionamento das demais operacionalidades do porto das Lajes das Flores.

O barco fretado deve ficar adstrito às necessárias operações semanais, conforme o Presidente do Conselho de Ilha defendeu, por forma a colmatar a demora havida na normalização dos abastecimentos e exportações da ilha.

E há desde já que pensar que os florentinos e os corvinos têm o direito a um Hospital e não mero Centro de Saúde, a funcionalidades instaladas de Estudo, Investigação e Experimentação Técnicos e Científicos para todos os graus e níveis do ensino incluindo o universitário; o direito a salvaguardar e usufruir do seu Património Cultural e Natural, incluindo o da produção local indispensável às suas autonomia e satisfação nutricionais e gastronómicas; o direito a um órgão de poder próprio, o Conselho Político de Ilha eleito por sufrágio directo, universal e secreto dos eleitores inscritos no círculo eleitoral da respectiva ilha, o qual, ao contrário do que hoje acontece, deverá receber parte dos poderes autonómicos açambarcados pelo governo regional da burguesia capitalista exploradora e opressora dos trabalhadores açorianos e ter competências próprias para definir e impor ao governo regional o rumo futuro da respectiva ilha e sua população. Têm direito à qualidade ambiental e social, quer sejam jovens ou idosos, homens ou mulheres, trabalhadores no campo, fábrica ou oficina, prestadores de serviços, pescadores, técnicos especialistas, investigadores e demais profissionais, no descanso ou no trabalho.

24JAN2020

Pedro Pacheco

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