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Honra ao Camarada Florêncio

Nasceu há oitenta anos no sítio do Cano, quando o Cano e a Terça constituíam o coração agrícola da Vila de Santa Cruz, e ainda não tinham sido destruídos pelo aeroporto de Santa Catarina, mais tarde aeroporto do Funchal, e hoje aeroporto Cristiano Ronaldo, da Madeira. E morreu ontem, de doença grave, no Hospital Central do Funchal.

Florêncio de Freitas Teixeira tirou a instrução primária na Escola da Terça, e, durante toda a sua vida, só soube fazer – e bem! – uma coisa: Trabalhar. Trabalhar com dedicação e afinco: primeiro, como assalariado rural em terras de colonia, da família e de outros camponeses pobres, e, depois, como operário da construção civil e obras públicas. Trabalhar sempre, sem descanso, por um salário de fome, poupado até à unha.

Florêncio foi um dos meus grandes amigos toda a vida e ninguém faz ideia do desgosto que me causou a sua morte, numa semana em que perdi, de uma só rajada, três dos meus melhores amigos de infância e juventude.

Aí pela meia-idade e um pouco depois de casar com Celeste, sua extraordinária companheira de uma vida, com quem teve quatro filhos, que foram sempre merecidamente o orgulho de seus pais, Florêncio voluntariou-se como bombeiro da corporação municipal de Santa Cruz. Tinha uma força e uma coragem indomáveis e poucas terão sido as vezes em que não foi o primeiro a responder ao toque da sereia e a chegar ao local do sinistro, em toda a ilha da Madeira.

Homem sempre modesto, mas de carácter firme como uma rocha de basalto, Florêncio ganhou o respeito e o apreço de todos os que o conheceram e ficará para sempre na memória dos mais novos como o Senhor Florêncio.

Ora, Florêncio sabia muito bem que doutores há muitos, mas senhores, como ele, haverá sempre muito poucos.

Florêncio de Freitas Teixeira, para nosso profundo desgosto, morreu, mas nunca será esquecida a sua pessoa e o seu exemplo de cidadão. O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP), em cujas listas eleitorais Florêncio participou muitas vezes, e eu próprio, seu amigo dedicado ao longo de todos estes anos, apresentamos as nossas sentidas condolências à família do camarada Florêncio e aos camaradas do Partido na Madeira.

Honra ao camarada Florêncio!

24JAN

Arnaldo Matos  

 

 

 

 

 

 


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