EDITORIAL

A Doutrina e a Traição da sra ministra!

Maria de Lurdes Amaral, ministra da administração interna, falou ontem, dia 14 de agosto de 2025, ao país, para fazer duas declarações, que segundo ela, explicam e justificam o seu silêncio e a sua tranquilidade, leia-se a ausência de acompanhamento e desresponsabilização com que ela e o governo (“Governo está a agir de forma discreta”, diz Montenegro) a que pertence, estão a responder relativamente aos incêndios, tragédias mais que anunciadas e que, mais uma vez, consomem a nossa floresta, empobrecendo de uma forma dolorosa não só os que, impotentes, perderam os seus bens, mas todo o património florestal do país.

Assim, de uma forma que não podemos deixar de classificar como hipócrita, escondendo-se numa aparente confiança e conhecimento, começou por explicar que Portugal tem, desde 2017, uma “doutrina”, relativamente aos fogos, doutrina essa que é “tranquila”, ou seja, consensual e que, segundo ela, impõe o completo afastamento do governo dos locais e das populações atingidas por calamidades desencadeadas, sobretudo pela falta de medidas preventivas, no que toca ao ordenamento do território e aquisição dos meios básicos de combate aos incêndios, impedindo o alastramento dos mesmos. A política é deixar arder (como se Portugal tivesse área para isso) e os bombeiros e os populares que respondam, quando os fogos chegarem perto das suas casas!
Assim, tal como Nero ficou a ver Roma a arder ao som da lira, também o governo e o presidente da República ficaram a ver o País a arder no fresco da praia: um comportamento intolerável e obsceno! E não há nada que possa apagar este facto! 

Uma das funções essenciais do governo é garantir a segurança dos cidadãos e dos seus bens, assim como “(…) preservar os recursos naturais e assegurar um correto ordenamento do território” (Artigo 9.º, e) da Constituição) e aqui, como noutras situações, o governo falhou redondamente. E, como está à vista de todos, a Sra. ministra, ao contrário do que afirmou com tanta convicção - "Não vou trair o juramento de lealdade apresentando a minha demissão" - traiu, tal como todo o governo, o seu juramento de lealdade e de cumprimento da Constituição.

Só nos dois últimos dias arderam 64 160 hectares de um total de 139 mil consumidos desde o início do ano e que é a segunda maior desde 2017. Os incêndios já passaram por Satão, Arganil, (Mata da Margaraça), Oliveira do Hospital, Seia, Sernancelhe, Pampilhosa da Serra, Lousã, Piodão, Travassos- Cinfães, Trancoso, Paredes da Beira, Viseu-S. João da Pesqueira, Aguiar da Beira…, já foram evacuadas várias povoações e os bombeiros não conseguem responder a todas as situações, deslocando-se para os diversos locais, cujo terreno, muitas vezes não conhecem, por não serem equipas locais, situação que vai servir para mais uma vez se voltar à desculpa da descoordenação e da incompetência, escondendo, dessa forma, a falta de planeamento e de investimento, quiçá não inocente.

Neste combate, já se perdeu uma vida e resultaram dezenas feridos, cuja responsabilidade deve ser assacada ao governo de Montenegro, que deve explicar, entre outas questões, a falta de meios aéreos. Por que razão até ontem só estavam em operação dois aviões Canadair emprestados por Marrocos? Por que razão se deixa avançar os fogos para situações críticas para justificar os pedidos de ajuda? É óbvio que a corrupção e os negócios explicam muitos destes casos. Em último caso, o exército, a marinha e a força aérea deviam ser chamados a intervir!

Esta situação é, importa dizê-lo, a consequência de uma mesma política continuada por governos do PS, PSD e AD, e que oculta interesses económicos.

Na verdade, e se tivermos em conta os últimos 20 anos, podemos dizer que desde 2005 que se traçam planos, apresentam relatórios, jura-se que a descoordenação no terreno e o comando das operações, vão ser estudadas e ultrapassadas, propõe-se, inclusivamente, a criação de um corpo profissional autónomo para desenvolver as operações ligadas ao ordenamento e à protecção da floresta com um investimento de 678 milhões de euros a realizar entre 2005 e 2010, que depois Costa achou muito caro!

Ora, com o avanço da tecnologia que actualmente temos ao nosso dispor, com os milhões de euros a entrar diariamente, supostamente também não faltam os planos de emergência, a pergunta mantém-se: por que razão se abandona a prevenção e a reflorestação e se aposta sobretudo no combate? Todos sabemos a resposta. O negócio e a corrupção imperam e o PUTEDO também!

Morte ao Capitalismo!

Viva a Revolução Comunista Proletária!

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