Ensaio

João Preguiça, um Exemplo a Emular

Em Junho de 2017 morreu um dos comunistas portugueses que demonstraram mais dedicação para com o marxismo. Morre com 73 anos, mas os ideais e valores que representa são intemporais.

João Baptista Ramos Preguiça, natural de Pias, local onde, quando volta a Portugal após o 25 de Abril, se junta ao MRPP. É no ano seguinte (1975) que João Preguiça é atacado na estrada de Serpa por cobardes social-fascistas do P”C”P, deixando-o às portas da morte por pertencer ao já PCTP/MRPP. Tal ataque deplorável não abala Preguiça, que continua a lutar.

O camarada Preguiça, foi um importante membro do PCTP/MRPP, fazendo parte do comité central no dia da sua morte. João Preguiça tem uma história de defesa e de crescimento do partido, tendo sido sempre candidato pelas listas de Beja à assembleia da república bem como à câmara de Serpa, e sendo dos primeiros a assumir-se contra a clique de Garcia Pereira, Conceição Franco e Domingos Bolhão.

A sua luta mais emblemática foi em Agosto de 1995, quando decide, contra a clique oportunista de Garcia Pereira, numa quinta-feira sair de Pias preparando uma carroça que o seu macho, o “Inteligente”, puxava em direcção a São Bento demandando a demissão do vendido do Cavaco Siva. Esta sua viagem não passou ao lado de ninguém, logo no início Pias enchia-se de pessoas a rezar pelo bem-estar do camarada e a oferecer conselhos de como manter a sua saúde e a do seu macho, e este apoio não podia ser ignorado. O medo do social-fascista traidor da classe operária Álvaro Cunhal foi tal, que este se viu obrigado a ir a Pias para tentar colocar os holofotes em si afirmando “É preciso lembrar que os machos não votam”. Este comentário do Barreirinhas não serviu de nada. Preguiça não desistiu e a frase “Tenho mais confiança no meu macho do que no ministro da agricultura para não morrer à fome” atrelada à sua carroça ganha importância. Durante a viagem, as pessoas mostravam o seu apoio, gritavam “MRPP”, marchavam junto a ele, davam comida quando parava em localidades e, até se ouviu “Viva Pias!” ao qual o camarada respondeu alegremente com “Viva! Viva!”.

Quando chega a Lisboa entrega a sua Carta ao primeiro-ministro, dizendo:

“ Não foi fácil, mas cheguei. Vim do Alentejo, não muito longe do Pulo do Lobo, para lhe falar do Alentejo e do seu povo. (...) Quando digo que tenho mais confiança no meu macho que no ministro da agricultura para não morrer à fome, sei do que falo com estes meus 50 anos de vida e de luta. (...) Os agricultores Alentejanos não morreram nem morrerão. Eles continuarão a lutar, esteja certo disso! A minha longa caminhada de Pias até Lisboa mostrou bem como isto é verdade; como a revolta é grande e o povo não esmorece. Estou feliz por isso.”

João Preguiça pode ter morrido, mas a sua dedicação ao comunismo, ao partido e a todos os operários de Portugal são de louvar e emular. Foi até ao fim de sua vida um verdadeiro revolucionário.

JE

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