INTERNACIONAL

O imperialismo ocidental, fazendo-se herdeiro dos pergaminhos nazis da psico-guerra, assaltou as redacções de toda a imprensa no Ocidente tornando-as meros executores da sua política de conquista de corações e mentes baseada nas mais asquerosas mentiras para uma guerra de rapina dos países e de opressão e agravamento da exploração do proletariado. As que não podia controlar erradicou da visão do público replicando "democraticamente" a censura das velhas tiranias. Não são só as torções mais grosseiras dos factos apresentadas como verdades e marteladas até à exaustão que fazem este aspecto da guerra, as tácticas são múltiplas e sofisticadas, mas servem todas os seus objectivos mesquinhos e criminosos. É dessa parcela da guerra sem explosivos, mas igualmente mortal, que tratamos neste artigo.

Crimes de guerra e psico-guerra (1)

O mote

As primeiras notícias da resposta ucraniana à invasão russa davam conta, através de uma gravação áudio, de que um grupo de 13 marinheiros ucranianos, colocados na defesa da ilha de Zmiiny, perante o ultimato russo para que se rendessem responderam "navio de guerra russo, vão-se lixar". Houve até um comentador “especialista em questões russas” e com base em “informações, obtidas de fontes locais, quase certas mas ainda não totalmente confirmadas”, a dar conta de que os russos haviam fugido com o rabo entre as pernas e que nem sequer tinham evitado o afundamento do navio, tudo isto devido à coragem e inteligência dos marinheiros ucranianos e apesar dos fraquíssimos meios de que dispunham.  Era o David a derrotar o Golias. No dia seguinte, Zelenski condecora postumamente (!!!?) pela sua heroicidade os 13 marinheiros. Afinal não tinham afundado o navio russo, tinham era dado o sangue pela nação ucraniana ao ser chacinados friamente pelos selvagens e cobardes russos. Na mesma mão percebemos que houve também um erro de comunicação das fontes locais especialmente ao nosso “especialista em questõesVasilyBykov russas”, já que mais ninguém no mundo tinha dado a notícia do afundamento do navio russo em fuga (afinal, nós portugueses, não éramos bafejados pela sorte das “informações em primeiríssima mão” do nosso especialista). Três dias depois ficámos a saber que afinal os 13 marinheiros também não tinham dado o sangue pela nação ucraniana, mas que eram 82 e, utilizando a razão, se tinham rendido e estavam a ser bem tratados pelos seus captores. Não sabemos se as famílias devolveram as medalhas ou se as chegaram a receber. Mas o mote da psico-guerra estava dado para todo o mundo a partir da central CIA na Ucrânia e, na versão amplificada para consumo luso, a partir dos estúdios dos canais TV produzida pelos seus sequazes nacionais. Na continuação da estória, passados uns dias o tal navio, o Vasily Bykov, qual castigo divino, foi afundado. Não sabemos se pelos tais 13 heróicos marinheiros, mas que foi, foi e heroicamente, garante-nos a marinha ucraniana, fonte irrepreensível ao serviço da Verdade com letra grande e denunciadora de fakenews. Dia 16 o navio regressou a Sebastopol, diz, entre outros, o francês “LEFIGARO”.
 

O refrão

Depois foi o caso do fantástico “fantasma de Kiev” que havia abatido em dois dias pelo menos 5 caças russos, senão 6, record mundial de abate individual de aviões de guerra em combate. Havia vídeos que o mostravam. E fotografias do heróico piloto em pose artística frente a avião. Os cidadãos de Kiev exultavam com o seu combatente cujo ritmo de actividade prometia deitar abaixo em pouco tempo toda a aviação russa. E os nossos “especialistas com informação privilegiada” a exultar também, a mostrarem-se um pouco cépticos quanto à possibilidade de abate de toda a aviação russa, mas a rezarem pela supremacia ucraniana nos ares. Segundo os mesmos especialistas a neutralização da força aérea ucraniana era uma falsidade russa, 2/3 da frota estava escondida em abrigos subterrâneos e começava a aparecer. Os aviões eram fracos, de geração anterior à dos russos, mas, devido à superioridade dos heróicos aviadores ucranianos na manobra dos aviões, estavam a causar graves problemas operacionais ao feroz mas incompetente inimigo.

Vai-se a ver e os vídeos não correspondiam a combates reais mas antes a jogos de computador realistas. Essa informação existia logo no post original a partir do qual foram extraídas as imagens dos derrubes de aviões russos passadas na televisão. Mas qualquer prova que desajude à tese pretendida num dado momento crucial é descartada enquanto “provas” que ajudem à tese, mesmo reconhecidamente falsas, são usadas para produzir o efeito desejado: na Ucrânia o ânimo no espírito dos combatentes fanáticos, desmoralizados pelas desastrosas derrotas militares pessoalmente vividas, no Ocidente a mobilização da solidariedade e da crendice popular de que uma ajuda militar poderá inverter a situação de derrota evidente.

Mesmo depois de tudo isso ter sido demonstrado, as forças armadas ucranianas, fonte de verdades incontestáveis olhando à credibilidade que lhes é atribuída pela nossa imprensa, publicaram há dias uma nova fotografia de um aviador encapacetado com a frase FantasmaDeKiev“Olá, não-humano russo, estou voando pela sua alma!' – O fantasma de Kiev”. Face ao cristianismo reivindicado pela parte é um bocado contraditório não ser humano e ter alma, mas os donos da verdade lá sabem… Mas que é fantasma, é.

Se na Ucrânia ninguém chega a saber a verdade e a repetição da mentira ocorre sem perdas, no Ocidente o efeito inicial obtido na criação do movimento de solidariedade e na crendice da confiabilidade da tropa ucraniana não é revertido quando a verdade é revelada. Ao ponto de alguns tolos, embalados pelo êxito do seu marketing, chegarem a sugerir que existe mesmo um tal piloto. É “arrepiante”! Portanto, missão cumprida, cofres cheios, champanhe na sede!


A sem-vergonhice

BlindadoMas não é só de invenções puras que o marketing da burguesia é feito. Também há vídeos verdadeiros. “Chocantes”! Os correspondentes portugueses de guerra na capital ucraniana, sequestrados pelo recolher obrigatório dentro do hotel, enviam imagens “chocantes de tanque russo” a desviar-se da rota, numa rua de Kiev, e “a esmagar deliberadamente um veículo civil que circulava na faixa contrária”. O som de fundo é de latidos de cão e gritos de aflição femininos. O ocupante do veículo salva-se, congratulam-se os repórteres. Pouco antes a tropa ucraniana tinha avisado que os russos estavam naquele local. Portanto os russos já estavam no interior da capital a fazer das suas! Como as fontes eram seguríssimas (a tropa ucraniana e as redes sociais) nem foi preciso confirmar por fonte independente nem ouvir o outro lado. Para os digníssimos repórteres toca de comer tudo, sem uma única questão.

Num nada concluiu-se que o tanque não só era um veículo blindado da anti-aérea móvel ucraniano, portanto não era tanque, como os tanques russos ainda hoje não se aproximaram do local. Quando tal fica evidente, o “evidente crime de guerra” passa a acidente de distracção desculpável de motorista e não a uma tentativa de assassínio de civil por um militar ucraniano enlouquecido por imaginar russos no menor gesto de alguém que passe, como as imagens sugerem. 

Há dias nova notícia sobre tanque russo que esmagou carro civil, agora em Zaporizhzhia com 3 vítimas, 2 adultos e uma criança, carbonizados pelo incêndio consequente. A fonte é idêntica, ucraniana, e as imagens são de vítima desfocada e de destroços de um carro com a matrícula escondida. Credível? Totalmente! Dado que evidentemente Zaporizhzhia está já nas mãos dos russos… não! Afinal ainda continua nas mãos dos resilientes e sacrificados ucranianos! Parece que esta coisa de tanques esmagarem carros civis funciona. Chocou da primeira vez, chocará da segunda: houve logo quem na imprensa nacional fizesse alarde do vídeo oficial e da desinformação policial que o acompanhava, reproduzindo-a tal e qual sem um mas ou uma dúvida.

Os casos multiplicam-se, cada vez mais graves

O marketing desta guerra precisa fabricar heróis e vítimas… “nossos”, muito "nossos" e monstros inumanos do "outro lado". Mesmo que os "nossos" heróis sejam escabrosos.

OlenaNaziÉ o caso de heroína ucraniana Olena Bilozerska, “jornalista” freedom fighter de 2010 a 2012, sniper com um palmarés em 2021 de pelo menos 10 “russos” na conta, confessa nazi, voluntária para matar silenciosamente mais "lixo russo", na realidade ucranianos russófonos desarmados. 

Toda a gente sabe que a rede de gás ucraniana, principalmente a de Kiev, está pela hora da morte pois deixou de ser renovada a partir da derrocada da URSS. Toda a gente não, os repórteres, pelo que se vê, não sabem. Assim explosões de gás são noticiadas como bombardeamentos russos de zonas residenciais e são proclamadas como crimes de guerra.  Quem fica duplamente satisfeito é Vitali Klitschko, o presidente da câmara de Kiev, herói de Euromaidan, que por um lado fica liberto de responsabilidades e por outro encontra cumplicidade nos média internacionais para a culpabilização do seu inimigo pelas vítimas da sua incompetência. Linha! Grita Vitali. As vítimas que se aguentem.

E “fábricas de Molotovs”, quantas se incendiaram? Em cada canto da Ucrânia havia uma, mas noticiadas como incendiadas nenhuma. Notícia sobre o assunto foi a divulgação por uma cadeia de televisão inglesa do modo de fabrico de tais artefactos, o trabalho da fabricação dos ditos engenhos por gente esforçada e empenhada e depois de que alguém contara que um velho tinha parado uma série de tanques russos com os tais cocktails! No fim surgiram as notícias de residências em fogo “destruídas por bombardeamentos russos” – “crimes de guerra russos” e respectivas vítimas, claro. Ou seriam incêndios provocados por acidentes em armazéns de Molotovs como tudo leva a crer? Coincidentemente acabaram-se as notícias sobre os famosos cocktails. Virão outra vez mais tarde? É quase certo! Com novos “heróis” a animar as desmoralizadas forças ucranianas e a comover o público ocidental cientificamente conduzido para exigir na rua o socorro “aos defensores do nosso modo de vida”. De facto, para apoiar o continuo fornecimento de carne humana para municiar os canhões da NATO numa guerra imperialista para domínio do mundo.

(continua, em futuro artigo com casos ainda mais graves)

24Mar2022

JP

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