INTERNACIONAL

Plano da Paz para a Faixa de Gaza 
Onde Fica o Estado da Palestina?

ManifPalestina1Ao fim de dois anos da mais cruel barbárie praticada por Israel sob as ordens dos Estados Unidos e com a conivência, mais ou menos activa, da maioria dos Estados ditos civilizados, Donald Trump, com a sua cara de anjo e aspirante ao prémio Nobel da paz, (o qual acabou, efectivamente, por receber via Corina Machado) anunciou e impôs, a 29 de setembro o que chamou narcisicamente o seu plano de paz para a Faixa de Gaza (ocupada por Israel desde 1967), mas que mais não é do que a única forma encontrada para terminar no momento, airosamente, com o impasse a que a guerra na Faixa de Gaza e mesmo na região tinha chegado, sem que os sinistros objectivos políticos apresentados por Israel tivessem sido alcançados, nomeadamente o genocídio de mais de 2 milhões de palestinianos, a que seguirá a limpeza étnica dos palestinianos da Cisjordânia. Não há dúvidas quanto a esta intenção, confirmada, aliás, pelas últimas operações militares e alargamento de colonatos na Cisjordânia. Repare-se que o plano não é para a Palestina, mas para Gaza! Nem tem a ver com o Estado da Palestina, mas com Gaza e naturalmente com os planos de Trump para Gaza!

ManifPalestina2A anteceder este plano, ainda desconhecido na globalidade dos seus 20 pontos, assistimos, no mês de setembro a um nojento lavar de mãos que, sob a capa de uma atitude de pressão sobre os Estados Unidos, mais não foi do que a preparação do terreno para o surgimento do dito plano (o quarto de Trump) ao mesmo tempo que ajudou no acalmar das respectivas opiniões públicas: o chamado reconhecimento do Estado da Palestina por um conjunto de países capitalistas beligerantes, entre os quais Portugal, que, no auge da sua sabujice, se sentiu obrigado a clarificar que este reconhecimento não era contra Israel! Para que não houvesse dúvidas quanto ao seu verdadeiro posicionamento!

Portanto, estes países reconheceram o Estado da Palestina, mas, logo a seguir apoiaram o plano da Paz de Trump que não fala do Estado da Palestina! Então afinal o que é que reconheceram? Um verdadeiro Estado palestiniano ou foi tudo uma farsa?

E é neste contexto de genocídio, mas também de resistência, que no passado dia 10 de Outubro foi declarado, no Egipto, (mediado pelo Catar, Egipto e Turquia) o terceiro cessar- fogo desde o chamado “início” do ataque devastador ao povo palestiniano que a burguesia em uníssono se apressou a classificar como o direito de “Israel à defesa”, legitimando, desta forma o genocídio em curso e a limpeza étnica que está a ser levada a cabo desde, pelo menos, 1948 e que já não podem ser ocultados.

Esta é sem dúvida a segunda Nakba dos palestinianos. A primeira aconteceu quando, em 1948, 800 mil palestinianos fugiram para outros territórios, perdendo, desde então, o direito a regressarem às suas casas ocupadas, entretanto, por colonatos.

Não podemos esquecer que foi em nome dessa “autodefesa” que Israel assassinou pelas armas e pela fome cerca de 67 mil palestinianos, destruiu estruturas e infra-estruturas da faixa de Gaza, que levarão dezenas de anos a ser reconstruídas, quiçá substituídas pela ideia absurda e macabra da Riviera no Médio Oriente saída de uma mente sociopata fascista, como a de Trump, a quem segundo a ALPI – associação lusa portugueses por Israel – temos de agradecer “pela liderança na paz” como se pode ler nos abjectos outdoors colocados, para nossa indignação, na cidade de Lisboa. Para a construção da SUA Riviera, Trump exigia o afastamento forçado dos dois milhões de palestinianos da Faixa para outros territórios, sem permissão para voltarem a casa! Trump saiu completamente derrotado deste propósito.

Na verdade, ninguém acredita neste plano de paz. Antes pelo contrário, todos sabem que este plano não é para ser cumprido, é apenas um engodo para preparar e justificar o arrasamento da Palestina, com a ocupação de todo o território por Israel, sob orientação dos Estados Unidos. Esta é uma guerra imperialista, neocolonial, económica e militar com interesses expansionistas e de pilhagem dos recursos desta região, especialmente o petróleo e hidrocarbonetos, para além do interesse geoestratégico, tendo em conta os preparativos para a guerra que se avizinha. São exactamente os interesses económicos, incluindo a venda de armamento, que ditam a intervenção ou o silêncio de vários países, incluindo o da União Europeia (que é o maior parceiro comercial de Israel) neste conflito.

Passadas três semanas, tudo indica que este será mais um plano falhado. Até agora ainda não se passou da primeira fase: o Hamas entregou todos os prisioneiros de guerra vivos e 17 dos 28 corpos, continuando a procurar os restantes entre os escombros provocados pelos bombardeamentos dos sionistas e que provavelmente nunca serão encontrados dado o nível de destruição e pulverização a que a faixa de Gaza foi sujeita. Israel entregou 2000 reféns palestinianos dos 10 000 que ilegalmente mantém em masmorras impensáveis em lugar civilizado e apenas 225 dos milhares de corpos de palestinianos que cruelmente detém, muitos deles mostrando marcas evidentes de tortura.

A segunda fase exige o entendimento sobre o Estado Palestiniano: trata-se de um verdadeiro Estado soberano ou de um Estado fantoche? A faixa de Gaza e a Cisjordânia vão continuar ocupadas?

Não temos dúvidas de que o que os Estados Unidos e o seu representante no Médio Oriente querem, é uma junta administrativa de colaboracionistas que lhes permita ocupar todo o território através da força e de um golpe que lhes dê o controlo político e militar sobre a população, recorrendo à pior das repressões, como têm vindo a mostrar.

Mas, a resistência palestiniana já mostrou que não está disposta a submeter-se a Estados fantoches, incluindo o israelense.

Entretanto, continua-se a matar em Gaza. Nos últimos dias morreram mais de cem palestinianos, dos quais 46 eram crianças!

Morte ao Estado genocida de Israel!
Viva a resistência palestiniana! 

MG

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