PAÍS
Greve no sector dos transportes - Trabalhadores ferroviários mais uma vez demonstram a sua combatividade na luta contra o governo
- Publicado em 06.03.2013
(do nosso correspondente na CP)
Mais uma forte demonstração de unidade e luta foi dada pelos ferroviários nestes dois primeiros dias de greve no sector ferroviário. As acções de dia 5, dos trabalhadores e reformados da EMEF, demonstraram o sentimento de descontentamento e revolta contra a destruição do caminho de ferro, contra o roubo dos salários e dos direitos, que está a ser perpetrada pelo Governo e aplicada de forma feroz pelas Administrações do grupo CP.
Hoje, dia 6, a greve decretada pelos mais representativos sindicatos do sector, teve uma adesão enorme, tendo-se apenas realizado a maioria dos serviços mínimos. Numa nota emitida pelo SMAQ, pode-se ler que “A greve hoje realizada pela Tracção com plena adesão dos trabalhadores/maquinistas, com incidência às categorias de Inspectores, demonstra bem a enorme revolta e indignação contra as investidas por parte do Governo e Administração da CP que visam anular direitos e condições de trabalho, para além do não pagamento das retribuições em dívida e do abaixamento despudorado dos salários.”
Também a FECTRANS em comunicado emitido hoje, realça aquela adesão: “A luta na CP e CP-Carga tem uma adesão quase total que está a provocar a paralisação dos comboios de mercadorias e a esmagadora maioria dos comboios de passageiros, já que os poucos que circularam, inserem-se na programação de serviços mínimos determinados pela CP e que o sindicato contesta”.
E é no não acatamento de serviços mínimos que em próximas greves os sindicatos devem apontar. A imposição de mais de 25% dos serviços, visa unicamente tirar qualquer eficácia à greve, pelo que a sua recusa pura e simples deve ser ponderada. Ainda que esta tomada de posição possa ser considerada como contrária à lei, mas não o será também aquela imposição abusiva? E, como sabemos, os tribunais não estão propriamente ao serviço de quem trabalha, pelo que qualquer decisão, ainda que favorável, só será tomada daqui a 5 anos, altura em que não fará qualquer falta ao presente combate, e o governo e a administração vão impondo a sua vontade a bel-prazer.
Amanhã será dia de greve na REFER, perspectivando-se também uma grande adesão, motivada pela determinação destes dois dias.
Esta firmeza, unidade e vontade de lutar devem conduzir a uma grande participação na manifestação de 9 de Março em Lisboa, onde deve ser exigida a demissão deste governo fascista e de fantoches e a criação do Governo Democrático Patriótico.
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Os trabalhadores do Metro de Lisboa marcam nova greve
- Publicado em 05.03.2013
(do nosso correspondente no Sindem)
Realizou-se, hoje, dia 5 de Março, um plenário de trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, em frente à sede social desta empresa, situada na rua Barbosa du Bocage e no qual participaram centenas de trabalhadores, o que obrigou ao encerramento da referida rua. Isto porque, mais uma vez, o C.A não autorizou que o plenário se realizasse dentro das instalações.
Neste participado plenário foi aprovada por unanimidade, pelos trabalhadores, uma moção na qual se exige aos partidos com assento parlamentar que agendem e marquem uma audição ao C.A. do Metro a pedir responsabilidades em relação à falta de segurança e à recusa da negociação do A.E.. A moção aprovou ainda a marcação e realização de uma greve para dia 20 de Março de 2013, que ocorrerá das 05h00 até às 10h00 para a generalidade dos trabalhadores e das 08h30 às 13h30 para os trabalhadores administrativos, do apoio e técnicos superiores.
Neste plenário foi pedido para os trabalhadores, seus familiares e reformados participarem activamente na Manifestação Nacional de sector dos transportes e comunicações que terá lugar já este sábado, dia 9 de Março de 2013, pelas 14h30, no Largo do Camões, em Lisboa, dirigindo-se depois para a Assembleia da República.
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2 de Março - O Povo algarvio na rua pelo derrube do governo!
- Publicado em 03.03.2013
(do nosso correspondente no Algarve)

A manifestação do 2 de Março, nas três cidades do Algarve para onde estava marcada, Faro, Loulé e Portimão, teve uma adesão que dificilmente alguma vez aqui se terá verificado. Com uma presença de perto de 7000 pessoas em Faro, 1000 em Loulé e para cima de 2500 em Portimão, foi bem a demonstração de indignação e revolta que grassa pela região, a juntar à que se passa no resto do País.
O Jardim Manuel Bivar, em Faro, foi pequeno para albergar todos os manifestantes, que depois de se concentrarem no Largo do Carmo percorreram a Av. 5 de Outubro e a Rua de S. António. Gritando bem alto as palavras de ordem de "A LUTA CONTINUA! GOVERNO PARA A RUA", "DEMISSÃO" e "ESTÁ NA HORA DO GOVERNO IR EMBORA", os algarvios quiseram dizer a este governo de corruptos e vende-pátrias que a exigência da sua demissão é imediata. Seja no sector da restauração e turismo, nas pescas, nos transportes, na indústria e comércio, nos hospitais e centros de saúde, nos reformados e desempregados, a indignação é a mesma e o sentimento de cortar finalmente as peias com que este governo nos tenta agrilhoar.
Pela recusa da política da Tróica e da subjugação do país aos ditames estrangeiros, pela defesa dos direitos de quem trabalha e pela liberdade, muitos foram os cartazes a ilustrar estes princípios.
A tarefa para amanhã, depois do derrubamento deste governo, deve ser a da imposição de um governo Democrático Patriótico.
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Plenário Geral de trabalhadores do Metropolitano - Mais uma afirmação de vigor e determinação para prosseguir a luta!
- Publicado em 17.02.2013
(do nosso correspondente do Sindem)
Em cumprimento da decisão tomada no plenário realizado no passado dia 29 de Janeiro, teve lugar este sábado, 16 de Fevereiro, um novo plenário geral na Estação do Campo Pequeno às 10H00, que contou com a presença de largas dezenas de trabalhadores no activo, reformados e familiares.
Logo de início, foi tomada a decisão por unanimidade de fazer uma deslocação em manifestação até à Sidónio País, onde funciona o PCC e a Direcção da EO.
Chegados ao local, houve lugar a várias intervenções de dirigentes sindicais e de outros trabalhadores.
Nessa ocasião foi defendido pelo Sindem a urgência do derrube do governo de traição nacional Coelho/Portas e, com esse objectivo, a realização de uma greve “curta” na 1º semana de Março, 5ª feira, dia 7, integrada na semana de luta do sector dos transportes. No entanto, e em nome da unidade, os sindicatos deveriam reunir para decidirem em definitivo da data.
Foi também decidido que os trabalhadores do Metro deverão participar na manifestação do sector dos transportes e comunicações no Sábado dia 9 de Março.
Não deixou ainda de ser denunciado energicamente a prepotência do CA do Metro, que mandou arrancar os cartazes colados pelas ORTS nas diversas estações do Metro, nos quais os trabalhadores se dirigiam aos trabalhadores e povo utentes deste meio de transporte, pondo a nu a actuação terrorista do governo e dos seus lacaios na administração.
Ainda na intervenção do Sindem, e a propósito da medida do governo de retirar, desde o dia 1 de Fevereiro, o direito ao transporte gratuito na empresa aos familiares dos trabalhadores no activo e aos reformados, foi fortemente atacada mais esta medida provocatória e demonstrado que nos Acordos Colectivos de Trabalho do Metro, assinados em 1971, na respectiva Cláusula 92ª pontos 1, 2 e 3 já constava o direito ao transporte gratuito nos comboios da empresa, para os trabalhadores no activo e reformados e que , no Acordo Colectivo de 1973, foi acrescentado um 4º ponto em que os descendente ou equiparados, também tinham direito à gratuidade deste transporte.
Para os trabalhadores mais conscientes e para as direcções dos seus sindicatos é cada vez mais claro que o derrube deste governo de traidores é o único caminho a seguir se os trabalhadores e o povo quiserem sobreviver aos permanentes ataques terroristas e fascistas, limitadores e destruidores das suas conquistas, de que estão a ser alvo por parte destes serventuários dos interesses da tróica germano-imperialista.

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Trabalhadores e reformados da CP em luta contra o corte de direitos conquistados - Um exemplo a seguir
- Publicado em 15.02.2013
(do nosso correspondente na CP)
Teve ontem lugar mais uma jornada de luta dos trabalhadores ferroviários, no activo e reformados, e respectivas famílias. As concentrações foram realizadas nas principais Estações Ferroviárias: Porto-Campanhã, Coimbra-B, Entroncamento, Barreiro e Faro e ainda Administração da CP em Lisboa. Em todos os locais houve centenas daqueles trabalhadores e familiares a manifestarem a sua repulsa pelo ataque que lhes está a ser movido pelo Governo e pela Administração da CP, já moribunda e putrefacta, pois há dois anos que está para ser substituída. Esses ataques consubstanciam-se em retirar direitos, conquistados com a abnegação de sucessivas gerações de trabalhadores, destruir a componente social e o serviço público de transportes. O mais recente ataque, a retirada pura e simples das concessões de transporte para trabalhadores e familiares, que sempre constituíram uma componente salarial, e para a qual eram necessários 25 anos de trabalho para que fossem completamente gratuitas na altura da reforma, demonstra bem o carácter oportunista desta administração, pois fez sair essa comunicação pela calada da noite do dia 31 de Janeiro, último dia em que estaria em funções.A revolta que se apoderou dos ferroviários fez já recuar os intentos mais vorazes da administração para um pagamento de 50% do valor total do título de viagem. Esta medida não tem qualquer encargo para a empresa, apenas serve para tentar fazer vergar a cerviz aos trabalhadores.
A resposta dada hoje, com alguns cortes de linha simbólicos de várias Estações, demonstrou que aquela medida não passará e se a administração já recuou, terá de recuar até à reposição de toda a legalidade.
O passo seguinte deve ser o de exigir a revogação aquela medida celerada e inconstitucional, por violação de vários artigos da Constituição nomeadamente o 2º, 5º e 56º. Mas aqui a luta tem de ser contra este governo fascista, não devemos ter medo de encetar lutas em campo mais político, pois é com a política que eles nos atacam. E essa luta deve abranger também a exigência da destituição deste governo e a formação de um outro que tenha um programa Democrático Patriótico e que comece logo por pôr em funcionamento a economia do País e um serviço de transporte ao serviço do povo.
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Sector dos transportes – relançar e ampliar a luta!
- Publicado em 06.02.2013
(do nosso correspondente no Sindem)
Cerca de trezentos dirigentes, delegados sindicais, membros de CT s, e reformados, de várias empresas do sector dos transportes e comunicações afectos às duas centrais sindicais e também aos sindicatos independentes do sector estiveram hoje reunidos em Lisboa para fazer o balanço da luta e tomar medidas para o seu prosseguimento.
No final da reunião, foi aprovada uma moção apontando várias formas de luta que vão desde plenários, concentrações, manifestações e distribuição de propaganda.
Cada empresa irá organizar a semana de luta, mas sempre com o sentido da unidade do conjunto e das várias formas de luta, tendo desde já sido convocada uma manifestação nacional do sector dos transportes e comunicações, com os trabalhadores no activo e reformados e suas famílias para o próximo dia 9 de Março
Durante este encontro, o SINDEM leu uma declaração que obteve uma forte ovação por parte dos trabalhadores presentes e que, pela sua importância para o conjunto do movimento operário e sindical, transcrevemos na íntegra:
A necessidade de derrubar o governo

Os trabalhadores portugueses têm no decurso dos últimos anos travado um combate sem tréguas contra o governo de traição nacional Coelho/Portas e têm infligido derrotas importantes ao governo. No Sector dos Transportes os trabalhadores têm, com grande orgulho e dedicação e sofrimento, tomado a cabeça deste combate. Claro está que o governo, por mais derrotas e isolamento que sofra, não deixa de tentar levar a sua política terrorista avante. Pela nossa parte, nós trabalhadores dos transportes não desmobilizaremos do nosso combate onde temos contado com a ajuda dos demais trabalhadores.
O nosso objectivo não é apenas lutar por melhores condições de vida e contra o roubo do trabalho e dos salários. Hoje é claro para todos os trabalhadores portugueses que o objectivo para quem trabalha é em primeiro lugar derrubar o governo.
Há que definir nesta reunião um plano de luta do sector dos transportes, sempre em unidade com os trabalhadores de outros sectores.
O ponto à volta do qual se devem organizar todos os combates é a Greve Geral Nacional, para derrubamento do governo e para substituí-lo por um governo democrático patriótico que rejeite as imposições da tróica e lute pela independência nacional
Nós avançamos desde já com uma proposta de Greve Geral Nacional, não sem manifestarmos a nossa disposição de discutir em unidade a proposta que apresentamos.
A data deve ser entre 14 de Março e 16 de Abril e, até lá, com vista a essa greve geral, nós trabalhadores podemos apoiar a forma de luta que a FECTRANS/CGTP está a propor.
Nova greve geral nacional ou manifestação, logo a seguir às eleições autárquicas.
A partir de hoje devemos manter um estreito contacto entre todos os trabalhadores do nosso sector de modo a trocar opiniões, realizar balanços das lutas travadas e traçar novos caminhos.
O 1º de Maio deste ano tem que ser diferente dos outros, um 1º de Maio em grande em matéria de organização e de unidade
Lisboa 6 de Fevereiro 2013
A Direcção do SINDEM
Terminado o plenário, os trabalhadores realizaram uma manifestação que saiu da Casa do Alentejo até ao Ministério da Economia, onde foram recebidos por um forte e provocatório contingente policial que tentou impedir uma delegação de fazer entrega da moção no Ministério.
O Ministério impôs como condição que a concentração fosse desmobilizada, o que os sindicatos e CT presentes não aceitaram.

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"Alfarelos: O espelho de um país, uma desgraça adiada"
- Publicado em 25.01.2013
(do nosso correspondente na Refer)
O acidente ocorrido no passado dia 21, na Estação de Alfarelos pelas 21.15H, entre um comboio Intercidades e outro Regional, vem trazer, mais uma vez, para a ribalta as condições de segurança em que circulam os nossos comboios. Depois de lutas intensas, por parte dos maquinistas e restante pessoal circulante, para a implementação de um sistema de controlo e segurança, depressa se verificou que o sistema implementado não era completamente eficaz, pois apenas fornece informação pontual, ao invés de permanente, como acontece noutras redes e seria lógico. Como tudo o resto nesta sociedade, a exploração desenfreada e o investimento público reduzido ao mínimo indispensável, sobrepõem-se aos interesses gerais da população e aqui até à segurança.
A estação de Alfarelos está inserida na Linha do Norte, na qual o sistema de cantonamento é o de Bloco Orientável, com comando central em Braço de Prata (Lisboa). O controlo de entrada e saída daquela estação é contudo comandado localmente por uma mesa que já data dos anos 60, do século passado. Só por si, daqui não viria qualquer mal, não fosse o facto da tecnologia utilizada estar há décadas ultrapassada e a manutenção ser deficiente, com aliás quase tudo o que diga respeito a material ferroviário, independentemente da empresa que o detém. Esta mesa estava programada para ser substituída no próximo mês.
No passado sábado, em virtude da intempérie que se abateu em várias zonas do País, a Estação de Alfarelos esteve inundada acontecendo avarias e descomandos vários nos AMV (aparelhos de mudança de via) e sinalização.
Vários maquinistas têm referido que já há algum tempo, e principalmente depois de sábado, que a aproximação àquele sinal principal se encontra bastante escorregadio. Isto em virtude da existência de massa nos carris proveniente de um lubrificador de via estar a debitar mais que a necessária e como tal na mistura com a água da chuva se ir espalhando ao longo do carril , a aproximação se fazer em declive acentuado e a existência de todo o tipo de lixos nos carris. O próprio tipo de carril ali instalado, macio, contribui para a falta de aderência. A falta de eficácia de frenagem, de algumas unidades motoras, é também referida desde há tempos por aqueles profissionais.
É assim que o primeiro comboio (Regional), passa pelo sinal principal fechado sem conseguir parar, indo imobilizar-se na linha 3 da Estação. Ao segundo acontece o mesmo, só que já lá estava o outro e a inevitabilidade do embate. Neste ponto a pergunta que se impõe é, como é que depois de um comboio ter passado o sinal, o que faz accionar um alarme na mesa de comando, e ir parar à linha 3, porque não foi possível desfazer aquele caminho, para outra linha, para que ao comboio subsequente não acontecesse o mesmo e se desse o embate, sabendo-se que este último iria ultrapassar o primeiro. Talvez a resposta esteja na tal mesa de comando dos anos 60.
Dos inquéritos mandados instaurar pelo governo à REFER e CP, já sabemos o que esperar: a estafada “falha humana”, quer seja atribuída ao maquinista ou se calhar agora ao operador da mesa. E quando assim não é, vão-se protelando as conclusões e saída desses inquéritos até caírem no esquecimento como aconteceu com o do último acidente ocorrido em Caxias, na linha de Cascais há já quase um ano. Nunca são aí apontadas as responsabilidades de quem dirige a empresa ou de quem, no poder, tinha a obrigação de providenciar as melhores condições de segurança. Os verdadeiros responsáveis por situações como esta nunca são apontados.
As consequências não foram mais graves, em termos de vítimas, porque a política da CP é a de afastar cada vez mais as pessoas do transporte ferroviário e daí apenas 5 passageiros viajarem na última carruagem da UTE embatida.
Errata:
Depois de uma ida ao local do acidente, o nosso correspondente pode veriificar que o acidente não se deu na linha 3, mas na linha geral de acesso, contrariamene ao que toda a imprensa noticiou. Assim, não se põe em causa porque não foi possível fazer o caminho para outra linha, mas porque não foi alertado o maquinista, através do rádio-solo-comboio, da iminência do embate. Provavelmente porque o alarme de ultrapassagem do sinal, que devia soar na mesa de comando, não se deu.
Pela incorreção, apresentamos as nossas desculpas.
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Reunião dos sindicatos dos transportes e comunicações - Trabalhadores dos transportes preparam greve do sector
- Publicado em 23.01.2013
(do nosso correspondente no Sindem)
Em reunião realizada hoje entre os representantes dos sindicatos do sector dos transportes e comunicações para discutir a situação da luta neste sector e as medidas a tomar, um dos dirigentes do SINDEM presentes começou por fazer uma vigorosa denúncia dos últimos acontecimentos no Metropolitano de Lisboa, dando conhecimento da actuação fascista do Presidente do Metro/Carris, e lacaio do governo, Silva Rodrigues, no sentido de intimidar os trabalhadores em greve.
Aquele senhor resolveu fazer uma carta provocatória dirigida aos trabalhadores e enviada à comunicação social, mentindo quanto a uma pretensa disposição do novo Conselho de Administração para negociar e de uma alegada recusa dos sindicatos para o fazer, quando, pela primeira vez, um CA recém-empossado nem sequer se dignou reunir e apresentar-se junto dos sindicatos da empresa.
Isto para não falar no que já foi referido noutra correspondência, de ter impedido os grevistas de entrar nas instalações, ao contrário do que sempre sucedeu anteriormente, chamando uma força policial e bufos para impor o impossível – fazer vergar a determinação dos trabalhadores que, perante estas manobras, reforçaram ainda mais a sua adesão à greve.
De seguida o mesmo representante do SINDEM propôs a realização de uma greve do sector a nível nacional para o próximo mês de Fevereiro, no que foi apoiado pela esmagadora maioria dos sindicatos presentes.
Para além disso, o SINDEM insistiu ainda na necessidade de se começar a organizar uma nova greve geral nacional, a sério, para derrubar este governo de traição nacional, que se mostra cada vez mais terrorista nos seus ataques contra os operários.
As organizações sindicais presentes decidiram finalmente marcar para o próximo dia 6 de Fevereiro um encontro de dirigentes e delegados sindicais para dar cumprimento à greve geral e nacional do sector.
Entretanto, recorde-se que os trabalhadores do Metro não dão descanso às arremetidas do governo e dos seus lacaios na empresa, voltando à greve parcial no próximo dia 29 de Janeiro.
Os trabalhadores dos transportes vencerão, porque a classe operária e o povo vencerão!
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Sindem defende as suas posições autónomas em reuniões com grupos parlamentares do PS e PCP
- Publicado em 23.12.2012
(do nosso correspondente do Sindem)
Integrado numa delegação de várias ORTs do Metropolitano (STTM, FECTRANS, SITRA e CT), o Sindem – Sindicato da Manutenção do Metropolitano – aproveitou a oportunidade para exprimir aos representantes dos grupos parlamentares do PS e do PCP, com quem aquela delegação se reuniu recentemente, as suas posições a respeito da política terrorista do governo para este sector e a reacção que entende dever ser assumida pelos trabalhadores e pelo movimento sindical.
Assim, na reunião havida com o grupo parlamentar do PS, a direcção do Sindem começou por questionar o deputado socialista interlocutor nestes termos:
1. O Senhor deputado sabe que um dos responsáveis pela situação em que nos encontramos é o PS, nomeadamente pelo facto de durante cerca de 10 anos – o tempo que levou a ampliação das estações do Metro – não ter havido aumentos do preço dos bilhetes, como forma de compensar os utentes, e os preços não terem assim acompanhado a inflação , obrigando as empresas a empenharem-se junto da banca a juros altíssimos, quando devia ter sido o governo a financiar o Metro?
2. Se o governo conseguir privatizar as empresas dos transportes, os senhores, caso venham a ser governo, vão voltar atrás?
3. Se forem governo, o que pensam fazer sobre os cortes salariais?
Finalmente, a direcção do Sindem exprimiu a sua oposição à fusão Metro/Carris, por, entre outras razões, o Metropolitano ser o único transporte com capacidade autónoma e margem de crescimento para outros concelhos, não podendo ser agora colocada na situação de ter de andar a rebocar a outra empresa, defendendo ainda a necessidade de se criar uma plataforma do Metro para a área metropolitana de Lisboa, nacionalizada ou, no mínimo, municipalizada.
Quanto às perguntas dirigidas ao deputado do PS, ficaram sem resposta, embrulhadas numa evasiva própria de quem não pensa mesmo levantar-se a sério contra a política deste governo.
Já no que respeita à reunião com o representante do grupo parlamentar do PCP, o Sindem fez questão de reafirmar de forma mais explícita a sua posição sobre o momento presente e o futuro de uma empresa como o Metropolitano:
Somos contra a fusão Metro/Carris – o Metro é o único transporte que tem capacidade autónoma, é
uma empresa que ainda pode crescer e não podemos andar a rebocar a outra empresa. Temos potencial
para crescer, a nossa empresa é florescente. A construção do Metro tem um custo inicial maior mas seu
custo é rebatido no tempo, e como transporte subterrâneo não causa transtornos de tráfego.
De acordo com que se encontra já divulgado no site do Sindem, este sindicato defendeu ainda as seguintes posições relativamente às alternativas políticas que se colocam aos trabalhadores.
Com um governo de esquerda parlamentar não vamos lá. Não tem uma base de apoio forte. Não vamos discutir as palavras de ordem dos partidos, mas há uma diferença entre governo de esquerda democrática e um governo democrático patriótico. A base de apoio é diferente, mais ampla, para criar um movimento popular, com uma unidade forte, com todas as forças democráticas patrióticas, partidos, movimentos cívicos e sociais, plataformas, na base de um programa democrático patriótico, com todos os que estão contra a contra-revolução.
O PS é um partido de esquerda? As bases sim e alguns dirigentes também, mas é uma questão interna do PS, não nos devemos intrometer no funcionamento dos partidos, nem forçá-los a mudar, não resulta!
Um ano e tal depois é que aceitaram a questão da palavra de ordem do derrube do governo e no dia 15
de Setembro o povo veio para a rua e esteve quase a dar o click. Os Srs. não tinham essa palavra de
ordem, mas os sindicatos independentes tinham.
Não pagamos uma dívida que não é nossa nem foi contraída em nosso benefício! Devemos exigir no
mínimo a suspensão imediata do pagamento da dívida!
A constituição está a ser revista na prática, paulatinamente dia após dia, já não existe segurança social, empresas públicas, educação, saúde, etc…
Discutirmos o Metropolitano é importante e é também por isso que estamos cá, mas a questão central é, como já afirmámos, que a principal emergência do país será mesmo o derrube do Governo de traição nacional PSD/CDS, e a constituição de um governo democrático patriótico.
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Maquinistas da CP – Um ano de luta dura e firme a servir de exemplo no combate pelo derrube do governo!
- Publicado em 08.12.2012
(do nosso correspondente na CP)

Vai fazer neste mês de Dezembro, mais propriamente no próximo dia 23, um ano que os maquinistas da CP se encontram em greve contínua. Mais do que assinalar um qualquer recorde, importa fazer um balanço, ainda que sucinto, sobre o que levou a uma luta tão prolongada, os objectivos a atingir e o que já foi conseguido neste período de tempo.
A assinatura do acordo de traição com a Tróica, a exigência desta para que sejam os trabalhadores a pagar uma crise e uma dívida que não contraíram, nem dela beneficiaram, levou a que todo o movimento sindical se tivesse erguido e clamado contra as medidas celeradas que o governo tentou impor, a mando daquela Tróica e do imperialismo germânico. Os maquinistas, outros ferroviários assim como todo o sector dos transportes, estiveram desde sempre na primeira linha deste combate e de pronto marcaram greves e outras formas de luta.
Nos maquinistas da CP a luta começou logo por ser de recusa a trabalho com mais de 5 horas consecutivas sem pausa para descanso, a trabalho extraordinário, em dia de descanso, em dias feriados e, talvez o mais importante a de não fazer mais de 8 horas diárias. Ou seja, a Administração, por ordem governamental, passou a roubar-nos parte do salário, com a percentagem para o Orçamento Geral do Estado, preparava-se para nos roubar no trabalho efectuado, através do não pagamento do que estava acordado para os dias de descanso e feriados, mas a resposta foi a da recusa a trabalhar nessas condições, e a fazer apenas as 8 horas diárias como forma de compensar o que nos estava a ser roubado. Em Julho o SMAQ deu uma "benesse" ao governo, ao aliviar as formas de luta, mas desde logo se sabia que "a boa vontade" demonstrada pela Secretaria de Estado dos Transportes era apenas um engodo para nos enganar se fossemos tolos.
Durante todo este ano a relação de forças manteve-se, não havendo por parte dos maquinistas qualquer quebra na sua determinação, ainda que uma dezena de elementos se tenha bandeado para o lado do inimigo, o que é natural, pois o prolongamento e intensificação da luta exigem sacrifícios e determinação e há sempre quem consiga disfarçar uma ou duas vezes a sua má consciência, mas não consegue disfarçar sempre, principalmente quando a luta é diária, e permanente ao longo do dia.
Esta luta tem por fim conseguir que sejam repostos os acordos existentes à altura da assinatura do acordo de ingerência com a Tróica. Até agora nada ficou ainda decidido, encontrando-se a situação num impasse, e se não perdemos nada, ainda nada ganhámos, a não ser uma unidade férrea para continuar a lutar.
As verbas que nos são devidas desde 1996, e que todos os tribunais, até ao último recurso possível, nos deram razão, têm-nos sido recusadas num claro atropelo à lei e decisões judiciais, pelo que podemos entender que se a luta no campo judicial é importante, ela não é suficiente para que se imponha o que é justo, por isso teremos de continuar a lutar no campo estritamente sindical. Mas aqui não basta exigir o que nos é devido e ficar à espera que a coisa aconteça, nem tão-pouco cingirmo-nos à luta económica, que apesar de importantes, não são suficientes para o alcance de vitórias precisas. É preciso que se ponha uma ideologia, com objectivos precisos, na direcção da luta, é preciso saber qual é o fim último que pode emancipar os trabalhadores da canga da exploração e de mais e mais acordos com as tróicas e seus sequazes no governo de Portugal. O primeiro passo deve ser o da exigência da reposição de todos aqueles acordos que foram assinados de livre vontade com a Administração da CP e do mesmo passo, exigir a demissão deste governo de traição e a constituição de um Governo Democrático Patriótico que tenha como primeira medida a recusa de pagamento de uma dívida impagável, injusta e ilegal, que não foi contraída por nós, nem em nosso benefício, que apenas serve para subjugar o país aos ditames do imperialismo germânico.
A resposta que os maquinistas têm vindo a dar ao longo deste ano ininterrupto de greve, ainda que não de uma forma explícita, é nesse sentido: contra o roubo do salário e do trabalho, contra este governo de traição nacional e por um outro que esteja do lado do Trabalho. É preciso no entanto ganhar esta consciência e avançar para formas de luta mais agudizadas.
A paralisação total do passado dia 1 de Dezembro, mostrou isso, a dos próximos dias 8 e 25 de Dezembro e 1 de Janeiro, irão mostrar isso, apesar de meia dúzia de furas, a carreira está unida e determinada, só precisa que haja uma nova orientação para se alcançarem vitórias efectivas.
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