PAÍS

O Boicote às Eleições Burguesas e a Falência da Esquerda Institucional
Uma Clarificação Necessária

OBoicote2Perante a posição de Boicote, correctamente tomada pelo PCTP/MRPP, face às eleições presidenciais de 2026, tem-se assistido a um fervoroso debate entre simpatizantes e críticos do Partido, habitualmente identificados com a "esquerda" do espectro político. As críticas mais habituais consistem, regra geral, em:

a) condenar a não participação nestas eleições - como uma posição política que não seria válida de todo, porque estaria a pôr em causa a chamada democracia, como se um candidato do PCTP/MRPP concorresse em pé de igualdade com os candidatos do sistema!;

b) referir, também, a participação do PCTP/MRPP em eleições anteriores, insinuando até algumas pessoas, que o Partido supostamente não teria seguido a sua própria palavra ao não ter denunciado o carácter burguês destas mesmas eleições, o que é completamente falso: o PCTP/MRPP sempre denunciou o carácter burguês de todas as eleições realizadas na chamada democracia e sempre explicou que o seu objectivo principal nunca foi, não é e nunca será concorrer a eleições, denunciando que não será através de eleitos para um parlamento burguês que a exploração terminará. O PCTP/MRPP, quando concorre a eleições, fá-lo para utilizar esse instrumento com o fim de denunciar o próprio sistema.

Dito isto, podemos retirar dois ensinamentos muito claros desta tentativa de rebaixar politicamente a posição do Partido.

(i) A esquerda institucional e os seus monstruosos aparatos partidários têm tido um enorme sucesso em fazerem crer aos seus eleitores e apoiantes –transformando-os em autênticos liberais pintados de vermelho que, sem se darem conta, defendem a manutenção do sistema capitalista – que as eleições podem trazer mudanças reais no aparato governamental, coisa que vai contra o próprio fundamento desta ferramenta de controlo que o capital impõe aos trabalhadores. O que é uma traição dos que se dizem comunistas.

(ii) Ainda que abertamente negando, se confrontada, a esquerda institucional e os seus apoiantes vêem nas eleições o culminar da sua acção política e partidária, o objectivo final de todo o seu trabalho político desenvolvido fora das eleições. No caso do PCP, este parece fugir à regra devido à sua implantação – reformista – no movimento sindical, do qual se limita a obter pequenas conquistas pontuais, e, por vezes, nem isso, ficando-se pela defesa das conquistas que já estão a ser retiradas no momento, sem nunca apontar um futuro de luta a longo prazo. O que é uma traição dos que se dizem comunistas.

É importante referir que, vá-se lá saber porquê, uma significativa parcela da "esquerda" que tece estas duras críticas, apela ao voto em António Filipe, candidato fantoche do P"C"P, tristemente célebre por orgulhosamente afirmar na televisão, que o P”C”P já há muito abandonara a "ditadura do proletariado" do seu programa político, ou seja, abandonou claramente o caminho da revolução. Outros momentos caricatos da campanha presidencial dos "revisas", incluem: a afirmação de que António Filipe "não se dá com essa gente", referindo-se aos manifestantes na greve geral que não desmobilizaram quando a Intersindical o havia ordenado; a cómica e triste cassete já gasta de apelo à defesa da constituição burguesa (que por mais progressista que seja, mantém-se burguesa); e, entre outras afirmações chauvinistas e militaristas, a declaração de que o que o P"C"P procura alcançar em Portugal é uma "Democracia Avançada". E de que se trata quando se aponta esta "Democracia Avançada"? De uma social-democracia que, semelhantemente a todos os outros casos de países aplaudidos pelo seu estado de bem estar social, vive à custa dos povos do terceiro mundo, vítimas do imperialismo. 

Aquilo a que assistimos é ao desnorte e luta pelo poder dos diferentes sectores da direita e da pretensa esquerda! É o poder da classe dominante e a comunicação social ao seu serviço que decidem quem pode ser candidato, quem pode fazer campanha e quem vai vencer as eleições. Não tenhamos ilusões!

No fim de contas, não seria melhor esta pretensa esquerda ter-se juntado e em conjunto ter apresentado um único candidato, com um programa mínimo, que defendesse os interesses do povo trabalhador? Em vez de individualmente cada um apresentar os seus próprios fantoches, montando um espectáculo que não passa de campanha para cada uma das respectivas forças políticas? Uma atitude estranhamente sectária, sendo que não existe nenhuma diferença prática entre todos estes partidos que operam sob a máscara da "esquerda".

É neste quadro de falência política e ideológica da esquerda institucional e de esgotamento do eleitoralismo enquanto via de transformação social, que se deve compreender a posição de boicote. Importa esclarecer que o boicote não constitui uma posição de passividade, nem uma fuga à luta política. Pelo contrário, o boicote consciente às eleições burguesas é uma posição activa de recusa da legitimação do Estado capitalista e das suas instituições. É a afirmação clara de que a emancipação da classe dos proletários não passará pelo voto, mas pela organização, pela luta e pela construção de um poder próprio, fora e contra os mecanismos de controlo do Estado. É obrigação de um verdadeiro partido comunista chamar a atenção para esta farsa e não pactuar com ela.

Destruamos as ilusões eleitoreiras no seio do proletariado, Ergamos a alternativa operária e comunista!
Morte aos traidores!
O POVO VENCERÁ!

JV

pctpmrpp

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