PAÍS

Americanos fora das Lajes!

A Base das Lajes na ilha Terceira, Açores – Base Aérea nº 4 da Força Aérea Portuguesa – é território português e qualquer operação deve respeitar a soberania nacional e a Constituição portuguesa.

O chamado Acordo de cooperação e defesa, estabelecido a 1 de Junho de 1995 (com algumas alterações posteriores), entre os Estados Unidos e Portugal prevê a utilização da base das Lajes pelos americanos em operações integradas no âmbito do Tratado do Atlântico Norte ou noutras missões internacionais de que Portugal faça parte ou apoie e exige sempre o conhecimento de Portugal das mesmas.

Ora não é isto que está a acontecer! O imperialismo americano age como dono do mundo e o governo português ajoelha-se!

Se em 2015, os Estados Unidos da América deixaram de ter interesse na base das Lajes, limitando-se pura e simplesmente a comunicar ao governo português a intenção de reduzir a sua presença militar e civil na Base das Lajes, lançando no desemprego cerca de 2000 trabalhadores e deixando rastos de poluição mortífera na ilha (solos contaminados por hidrocarbonetos e metais pesados, com risco de cancro para os residentes, como já está comprovado) sem que lhe fossem pedidas contas, para concentrar a sua acção no Pacífico onde têm o seu inimigo principal (a China), hoje, com as últimas mudanças geopolíticas no Médio Oriente, decorrentes da necessidade de Israel se impor como a potência hegemónica na região e com a consequente agressão ao Irão por parte dos Estados Unidos conjuntamente com o Estado sionista de Israel, o imperialismo americano necessitou novamente de utilizar as Lajes e fê-lo, mais uma vez, a seu bel-prazer, numa atitude de superioridade arrogante e agressiva, tratando Portugal e o governo português como reles capachos, como, aliás, sempre fez, sem respeitar acordos ou tratados.

Mas esta atitude não deve surpreender ninguém.

 Na verdade, tanto o governo central de Luís Montenegro como o regional de José Bolieiro não são mais do que isso: um governo que se ajoelha perante a mais abjecta e sanguinária agressão à soberania dos povos com o objectivo de dominar, pilhar, anexar ou mesmo exterminar. Foi assim no caso da Palestina, na Venezuela, no Irão…

O inexistente e rastejante ministro dos negócios estrangeiros, Paulo Rangel, sem mostrar um laivo de dignidade, para vergonha de todos os portugueses, bolsou continuamente desculpas desconexas, intermitentes e ziguezagueantes, tendo o desplante de afirmar: “qualquer outra operação não tem de ser nem autorizada, nem conhecida, nem comunicada”! depois de ter anunciado que concedeu aos Estados Unidos uma “autorização condicional”(?) para utilização da Base das Lajes, nos Açores, mas apenas após Washington ter informado Lisboa de que tinha realizado uma intervenção militar no Médio Oriente. Destas palavras, ficou logo claro que os EU tiveram, desde sempre, carta branca para utilizarem as Lajes quando e como quisessem.

O ministro, numa atitude cobarde e humilhante, finge que desconhece o acordo para utilização desta base, finge que não sabe o que fazem os aviões de guerra que estacionam e abastecem nas Lajes e chega ao desplante de dizer que não apoia a intervenção dos EU no Irão!? Paulo Rangel devia ter sido demitido imediatamente, não estivesse todo o governo de acordo!

Mas, os serviçais também não são respeitados, nem por aqueles a quem se vendem!

Assim, são os próprios Estados Unidos que, no final de Abril maliciosamente teceram elogios ao governo português através dos seus embaixadores em Portugal e na Nato, exibindo-o como exemplo a seguir pelos restantes países, tanto na cedência completa das bases para agressão a outros países soberanos como na compra de material de guerra, considerando-o como um importante aliado nesta guerra. Melhor elogio não era possível.

Mas, quando parecia que já estava tudo dito, eis que é lançada nova farpa venenosa desta vez pela boca do secretário de estado americano, Marco Rubio: afinal o governo português ofereceu despudorada e servilmente a Bases das Lajes aos americanos antes mesmo de estes terem anunciado ou solicitado a sua utilização.

E só então a estrebaria de São Bento tremeu, fingindo-se escandalizada, qual falsa virgem, e pedindo os inquéritos do costume, para tudo ficar na mesma! Ainda não tinham percebido o que se está a passar? Não provoquem a inteligência dos portugueses!

O governo português tem como primeira obrigação garantir a segurança dos portugueses e não a de agir ocultamente contra os seus interesses.

E não venha com a desculpa das fronteiras marítimas com os Estados Unidos que nos querem privar da nossa zona exclusiva marítima e quiçá de uma ilha açoreana, ao pretender estabelecer a sua fronteira nas nossas águas. Mas sobre isto falaremos noutra ocasião.

O que devia preocupar o governo português era fazer cumprir as indemnizações que o imperialismo americano deve à população da Ilha Terceira.

Em defesa do povo da Terceira, o PCTP/MRPP volta a exigir, como fez há dez anos atrás. (Base das Lajes: Onde Pára o Dinheiro do Plano de Revitalização?!) reiterando que “a limpeza dos solos, bolsas de água, aquíferos e furnas da Terceira, conspurcados pelos combustíveis e material de guerra do imperialismo americano deve ser exclusivamente paga pelo orçamento dos Estados Unidos da América, e não – nunca – pelos orçamentos do governo português ou do governo regional dos Açores.”

Em defesa do povo português, os ianques devem ser proibidos de utilizar a base das Lajes a seu bel-prazer, aliando e arrastando o povo português para uma guerra contra a qual se manifesta.

A base das Lajes deve ter uma nova missão: “o rearmamento da base para defesa, vigilância e segurança no espaço aéreo-naval da plataforma continental portuguesa na zona dos Açores, que, se for aceite pela ONU a nossa proposta, terá uma área de 4 milhões de quilómetros quadrados de superfície, a maior parte da qual à volta dos Açores.”

Rua com o governo AD!

Morte ao capitalismo!

Viva a Revolução Comunista!

MG e AP

pctpmrpp

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