PAÍS
- Publicado em 07.12.2025
EM FRENTE PELA GREVE GERAL!
A resposta dos trabalhadores às provocações e ataques do governo
No passado dia 2 de dezembro, o governo PSD/CDS, através de Montenegro, proclamou em Santa Maria da Feira, no Millennium Portugal Exportador, num discurso fascizante e falacioso, as verdadeiras, urgentes e impreteríveis razões das alterações à actual lei laboral, colocando, logo à cabeça, a categoria flexibilidade/precariedade, a qual permitirá, segundo ele, uma “economia mais competitiva, empresas mais lucrativas e os trabalhadores poderem ter melhores salários”.
O engodo de “melhores salários” complementa-se com a promessa algo desesperada, anunciada há dois dias, face à possibilidade de um amplo movimento de massas, de que o salário mínimo passará para 1600 euros! Quando e como, não sabemos. Mas sabemos que estas declarações de Montenegro só visam ludibriar os trabalhadores, acenando-lhes com mais salário, na tentativa de os comprar e, assim, desmobilizar da greve geral nacional. Porém, os trabalhadores sabem perfeitamente que os aumentos salariais não são sinónimo de uma melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores, se paralelamente a estes tivermos um aumento do custo de vida e da inflação, mais do que certos em contexto de pré-guerra ou de guerra em banho maria a exigirem uma economia de guerra, pois estes aumentos serão, dessa forma, “comidos”, mantendo-se a situação precária dos trabalhadores, que serão obrigados a colocar à venda, no mercado, a sua força de trabalho e, naturalmente, quanto maior for o exército de desempregados e essa é uma das consequências da flexibilidade, menor será o preço da força de trabalho e maiores serão as clivagens e lutas por um posto de trabalho. Por outro lado, os capitalistas contam ilusoriamente com a inteligência artificial para reduzir o trabalho humano. E ainda contam com outra reserva: o trabalho altamente explorado dos imigrantes… O capitalista tem razões para sorrir. Mas pelo que dizem, não contam é com a inteligência dos trabalhadores nem com a sua disposição e determinação para lutarem.
Montenegro, desempenhando o papel de lacaio do capital, tem a desfaçatez de pedir sem qualquer pejo a colaboração dos trabalhadores para salvarem a sua economia: “é preciso que todos colaborem”, incluindo os trabalhadores, para melhorar a capacidade produtiva da empresa, aumentando a sua rentabilidade, Montenegro dixit, ameaçando que, se isto não acontecer, as “falências” suceder-se-ão! Querem discurso mais ameaçador? A guerra contra os trabalhadores está aberta, a alteração dos mais de cem artigos contida no Anteprojecto Trabalho XXI são exactamente isso. Embora tentem passar a ideia de que a máquina e o motor da economia são o empreendedor, o capitalista e os seus investimentos, a verdade, como eles tão bem sabem, é que a fonte de acumulação de capital provém da exploração. Daí estas medidas apresentadas, aparentemente de surpresa. Mas já cozinhadas antes das eleições.
A resposta só pode ser uma: lutar contra estas medidas, lutar contra esta política, de forma organizada e como um todo. Sim, esta luta é essencialmente política! É a política de uma classe contra outra. Lutar contra o capitalismo através da despolitização, através de ocultações, contentando-se com algumas pequenas reformas/migalhas nunca será a verdadeira solução para esta crise global e sistémica do sistema capitalista. Como diz o camarada Arnaldo Matos: “a exploração só acaba, não quando houver melhores salários, mas quando não houver patrões para pagar salários”.
Abaixo o modo de produção capitalista!
Pela revolução comunista!
MG


