PAÍS

Aos Estudantes Portugueses:

Acabemos com as ilusões! Lutemos por um ensino verdadeiramente crítico e sem desigualdades

Camaradas,
está marcada para a próxima segunda-feira, dia 24 de Março , uma manifestação de estudantes do ensino superior, convocada pelo Movimento Associativo Estudantil que integra 8 de associações de estudantes do ensino superior. Num comunicado vago, a que chamam Apelo e dia Nacional de Luta, referem que “expressam as principais preocupações dos estudantes do Ensino Superior”, mas não dizem quais são, tal como explicitam quais são os interesses dos estudantes e muito menos qual é a política e o tipo de ensino que defendem. Para tentar mobilizar os estudantes, agarram-se à questão das propinas, por saberem que é um aspecto importante (concordamos, obviamente que o é) sentido pelos estudantes e que poderá  “ agarrar” facilmente    uma parte dos cerca de 500 mil estudantes do ensino superior. No entanto, o problema principal nasce e desenvolve-se quando se deixa a  política à porta das Universidades. Quando se acha que o ensino é apolítico e não tem o selo da classe que o estrutura.
20250325-0Entretanto, a precarização do Ensino Superior avança sem obstáculos. O aumento das propinas, a falta de alojamento acessível, a degradação das infraestruturas e a transformação das universidades em meros centros de formação de mão de obra barata, com a emigração no horizonte não são falhas de governação: são a consequência lógica de um sistema que submete o ensino aos interesses do capital.
As manifestações estudantis são um reflexo do descontentamento legítimo de milhares de jovens que veem o seu futuro bloqueado. Mas cabe-nos perguntar: o que significam estas lutas se não forem acompanhadas de uma verdadeira estratégia revolucionária?
A história recente do movimento estudantil ensina-nos que o protesto, por si só, não basta. A cada ciclo de indignação segue-se um período de apatia, porque a luta permanece enquadrada nos limites de um regime que não está disposto a ceder mais do que o estritamente necessário para manter a ordem. O Estado que nos governa não é um intermediário neutro que pode ser convencido a servir os interesses dos estudantes e dos trabalhadores. É um Estado burguês, cujo objetivo é gerir o ensino dentro das necessidades da economia capitalista.
O discurso dominante nos círculos estudantis cria ilusões acerca de "Abril", como um ponto de chegada e não de partida, como se a questão do ensino público tivesse sido resolvida há cinco décadas e apenas tivesse sido traída, ou fragilizada. Mas essa narrativa ignora o essencial: o regime saído do 25 de Abril não eliminou as desigualdades de classe, apenas lhes deu uma nova forma, mais sofisticada e institucionalizada.
Neste sentido, é fundamental que o movimento estudantil vá além das exigências pontuais e entenda a luta pelo ensino público como parte de um combate maior: o combate contra o domínio do capital sobre a educação e a sociedade como um todo. A quem acredita que bastam manifestações pacíficas e pressão institucional, deixamos um aviso: ou esta luta se radicaliza e se liga à classe trabalhadora, ou continuará a ser apenas um desfile inofensivo para consumo mediático e interesses circunstanciais.
Voltamos a dizer: o problema não é apenas este governo, nem o anterior, nem o próximo. O problema é estrutural e só será resolvido quando os estudantes, lado a lado com os trabalhadores, tomarem em suas mãos o destino da sociedade, o seu próprio destino.
Os estudantes, devem tomar a rua e os espaços públicos para contestarem  o ensino acrítico, desigual e não acessível a todos, para lutarem contra um regime que lhes corta  o futuro e as esperanças, em vez de integrarem nas procissões do costume, cujo resultado já sabemos qual é.
Abaixo o ensino burguês! Viva a Revolução!

O Dep. da Juventude do PCTP/MRPP

pctpmrpp

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