Partido
- Publicado em 25.09.2025
Celebrar o 18 de Setembro, nos Dias de Hoje!
Fez, na passada quinta-feira, 55 anos da fundação do MRPP. Foram 55 anos em luta permanente: luta contra a burguesia, luta contra o capitalismo, luta contra o revisionismo, contra o oportunismo fora do Partido, mas também e, muitas vezes com grande violência, dentro do Partido.
As tarefas que se colocavam ao MRPP ficaram bem claras no momento da sua fundação e fazem parte dos documentos do Partido. O MRPP definiu como estratégia final a conquista do poder pela revolução socialista, através da etapa da Revolução Popular. A tática para tal passava pelo agrupamento e organização dos trabalhadores comunistas e todos os marxistas em torno de um verdadeiro e novo Partido Revolucionário do Proletariado.
Na base desta resolução está a consciência de que a organização proletária existente, o PCP, estava dominada por uma fracção da burguesia que trai e paralisa a luta da classe operária e dos explorados pelos seus fins próprios, pondo-se a reboque dos interesses oportunistas da pequena e média burguesia. Não é uma organização ao serviço da classe operária, ainda que continue a ter (cada vez menos) uma base social em certa medida trabalhadora.
Naturalmente que havia a consciência de que era um caminho difícil e longo, chamando-se logo a atenção para que “não faltarão os demissionistas e os cépticos; não faltarão os inimigos e os sabotadores; não faltarão os oportunistas à espera de “ ver o que isto dá” para então aderir; não faltarão os que ficam pelo caminho, que a luta é dura e prolongada e o inimigo não perdoa. Para nós proletários de vanguarda, para nós marxistas-leninistas, só há, porém, um caminho justo quando o proletariado é traído, quando a luta declina sem direcção, quando o inimigo triunfa: é colocar-nos à frente dos acontecimentos, é darmos o primeiro passo, é forçarmos o caminho da história. Não interessa saber se somos muitos ou poucos no momento de começar: interessa saber se a nossa linha é a mais justa e correcta, se os nossos métodos são os verdadeiros marxistas leninistas.
Há 55 anos afirmou-se:
Hoje e aqui, o M.R.P.P., núcleo embrionário dos comunistas, representa a ala mais avançada do proletariado português que, recusando a traição revisionista, a aventura pseudo-radical ou o dogmatismo estéril, resolveu tomar nas suas mãos a organização revolucionária dos operários e camponeses, visando a Revolução Popular e seguidamente a socialista.
Ousámos começar
Ousaremos triunfar.
II parte
Passados 55 anos da fundação do MRPP e 51 da sua constituição no PCTP, as circunstâncias alteraram-se significativamente, com a chamada Era neo e ultraliberal e, em Portugal, nomeadamente, a partir de 1975, altura em que o movimento revolucionário entra numa dinâmica descendente, em que o movimento comunista internacional se fragmenta, com a implosão da União Soviética, em que a burguesia compradora e o capital financeirizado dominam, ao mesmo tempo que se tenta passar a ideia de que o comunismo tem os dias contados, apresentando-o como um falhanço, proclamando que o proletariado deixou de existir e que o capitalismo é a última fase da evolução da humanidade.
É evidente que houve um desenvolvimento histórico do proletariado, mas daí não se pode concluir que as classes deixaram de existir e que já não há luta de classes, não obstante o esforço dos partidos traidores e revisionistas em defenderem a colaboração das classes, fomentando a ilusão de que se consegue uma sociedade de iguais através de meios pacíficos, através de eleições, através de negociações e de acordos. Nestas revindicações nunca se fala em abolir as relações de produção burguesas, fala-se em reformas sobre as relações de produção que não mudam em nada as relações entre capital e trabalho assalariado.
Enquanto existir o antagonismo entre capital e trabalho assalariado existirá luta de classes, a qual, tal como Marx afirma, continuará a ser o motor da história da humanidade;
Por mais confusão ideológica destilada pela propaganda capitalista, que utiliza a tecnologia como um instrumento perverso para controlar o pensamento e a acção dos trabalhadores de forma a impedir que a contestação ultrapasse o nível da insurreição, sem hipótese de se transformar num acto revolucionário que coloque a hipótese da abolição da propriedade privada e, consequentemente, do trabalho assalariado.
Estas ideias penetraram profundamente no nosso Partido, levando a uma debandada de todos os oportunistas, que já há muito tinham deixado de defender a revolução, mas que nunca tiveram a frontalidade de o dizer, escolhendo o momento em que o Partido ficou fragilizado ideológica e economicamente para o fazer, tendo como estratégia única o seu desaparecimento.
Mas a realidade, a verdade é que as lutas continuam nas ruas, onde milhares de trabalhadores se manifestam contra a exploração de que são alvo. O que a realidade nos mostra é o desenvolvimento provocado de guerras regionais que constantemente ameaçam desaguar numa 3 Guerra Mundial, com todas as consequências que lhe estão associadas.
É esta a circunstância histórica, que nos obriga a refletir e a definir o Partido que queremos, a linha política que pretendemos seguir.
E já agora, se não há trabalhadores, por que razão se está a preparar alterações ao código do trabalho que são uma verdadeira declaração de guerra aos trabalhadores e uma benesse para os detentores do capital?
Intervenção do camarada José Camões no debate realizado a 20 de Setembro de 2025 em celebração do 18 de Setembro de 1970.


