CULTURA
Eu Quero Acreditar!
Eu Quero Acreditar!
14 anos passaram sobre a tua morte meu camarada e amigo saudoso, Orlando Alves. O tempo passou muito rápido, o rio da vida como sempre passou por baixo da ponte, galgando as margens, violento, mas sempre ousando na conquista dessas mesmas margens, como sempre fizeste durante toda a tua vida.
A melhor forma de te lembrar, é continuar ousar lutar, não temendo as tempestades, nunca recear as margens desta vida, ousando vencê-las, elas não nos impedirão de conquistar o mundo que sempre sonhaste para conseguir esse intento.
E que melhor maneira de lembrar nestes tempos, senão com um dos teus poemas, meu Poeta, já internado no hospital, mas nunca perdendo a sua vontade de viver:
UM POEMA TRANQULO
um pássaro qualquer insistente volteia por aqui
toma altura e mergulha depois tranquilo
por entre o betão destes prédios altos
da avenida de berna e da cinco de outubro
queria escrever um poema assim tranquilo
mas não é fácil sabem
entre canos
soros tubos sangues fístulas
tecer um poema tranquilo
é fodido
(provavelmente sempre o foi
e o pássaro saberá mais disso do que eu)
(Lisboa, 26-27.02.2014)
Termino citando o camarada ARNALDO MATOS. Num comício no Pavilhão dos Desportos em 1976, afirmou convictamente:
“Quaisquer que sejam os sacrifícios porque irá passar, qualquer que seja o tempo que demore o seu combate, e o seu combate só pode ser um combate prolongado, sabe que os raios vermelhos da aurora da verdadeira democracia, da aurora do pão para todos os que trabalham, que essa aurora está para chegar. Que está para ficar.”
Obrigado meu camarada, eu quero acreditar, ousemos lutar para ousar vencer!
RM

