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Conferência Rotas de Abril: Cavaco na rota da traição nacional

greve 01Ao discursar este sábado na sessão de encerramento da Conferência Portugal:Rotas de Abril – Democracia, Compromisso e Desenvolvimento, Cavaco Silva - o tal que durante a semana questionava a oposição parlamentar sobre o que tinha a dizer sobre o elogiado sucesso da saída limpa de Portugal do programa cautelar -, perante o desaire de todos os mapas de estrada desenhados para a reforma de estado, perante o colapso dos sucessivos milagres económicos anunciados pelo governo de traição nacional de Coelho e Portas, vem uma vez mais defender um novo compromisso político para que seja assegurada a governabilidade de um país que atravessa um momento crucial da sua história.

E, a avaliar pelas declarações prestadas por Coelho e Seguro aos meios de comunicação social, estes estão dispostos a fazer a vontade a Cavaco. O primeiro admitindo que está disponível para formar governo, após as eleições legislativas que terão lugar em 2015 – se o governo não for antes disso derrubado –, em coligação com Seguro e este, por sua vez, assegurando que, mesmo que venha a obter a maioria parlamentar, promoverá acordos parlamentares com o PSD!

Claro que por governabilidade o que Cavaco entende é que se devem criar as condições para tornar definitivas as medidas terroristas e fascistas que PS, PSD e CDS subscreveram com a tróica germano-imperialista, pacto que justificou o genocídio fiscal a que o governo que tutela está a sujeitar o povo português, traduzidas em medidas temporárias, todas elas orientadas para o roubo dos salários e do trabalho, todas elas destinadas a privar o povo do seu direito à saúde, à educação e a benefícios sociais que lhe garantam a sua qualidade e dignidade de vida.

Cavaco e os interesses que este defende, que são os interesses dos grandes grupos financeiros, bancários e industriais que estão a tirar partido da liquidação do tecido produtivo do país, do negócio da dívida e do facto de imporem a economias frágeis como as de Portugal uma moeda forte como o euro, sabe perfeitamente que a única saída limpa que ocorreu em Portugal foi, precisamente, a que está a encher os bolsos e os cofres desses grupos que representa com denodo e servilismo canino.

Cavaco sabe que, agora, para manter o país aprisionado e cada vez mais exangue de recursos à União Europeia e ao euro, se torna necessário que as medidas transitórias anteriormente anunciadas – cuja natureza extraordinária serviu para o Tribunal Constitucional, que é cada vez menos uma ameaça, fechar os olhos à sua aplicação – se tornem definitivas. Sabe, também, que a oposição violenta exibida nos últimos tempos pelo PS e pela direcção de Seguro, não passam de um folclore ritual da sua agenda eleitoral que visa esconder o essencial.

Que é o facto de que, defendendo a manutenção de Portugal no euro, quer o PS, quer o PSD e o CDS, quer Cavaco, estão a escamotear que, tal como se afirma no Manifesto Eleitoral do PCTP/MRPP, “…é o euro que está na base do aumento galopante da dívida e do consequente roubo contínuo do trabalho, do salário, das pensões e de todos os direitos laborais e sociais tão duramente conquistados…”, assim como “…é através do euro que Portugal está a ser transformado numa colónia do novo imperialismo alemão e a democracia está a ser substituída por uma nova forma de fascismo comandada pelo capital financeiro e que tem em Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva os seus representantes e agentes…”

Se os trabalhadores e o povo português reconhecessem, como deseja Cavaco, que uma cultura de compromisso é um pressuposto essencial à governabilidade, não estaria o indigente de Belém tão empenhado em seduzir, uma vez mais, o PS e a direcção de Seguro para a armadilha do compromisso. Ele sabe que será mais difícil para os interesses que defende não contar com a complacência do PS.

Como sabe que sempre tem contado com essa colaboração, apesar de o PS anunciar amiúde a sua intenção de promover uma violenta oposição a Coelho e Portas, tal como aconteceu no passado recente com o acordo sobre redução do IRC – um imposto que só beneficia os patrões – e aqueles que, primeiro o traidor Proença e agora o lacaio Carlos Silva, assinaram na mesa da concertação social e que, não se oponham os trabalhadores a elas, perpetuarão o roubo dos salários e do trabalho, perpetuarão o roubo dos benefícios sociais, das pensões e reformas e liquidarão a contratação colectiva.

Ao contrário do que Cavaco defendeu neste seu discurso, cumprir a Liberdade e o Desenvolvimento não é possível de assegurar por um governo que aceita servilmente a perda de soberania cambial, orçamental, fiscal e económica de Portugal, como o governo que ele tutela aceita.

Ao contrário do que Cavaco afirmou neste seu discurso, não é possível o povo português aspirar a viver num país mais desenvolvido, onde o crescimento económico tenha condições para ocorrer e um programa efectivo de combate ao desemprego tenha lugar, sem que este governo seja derrubado e em sua substituição seja constituído um governo democrático e patriótico que rejeite o euro, institua o novo escudo e se recuse a pagar uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício.

 

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