PAÍS
O Fascista Marcelo
- Publicado em 13.05.2014
Não me reporto ao Marcelo Caetano, mas ao protegido desse, o Marcelo Rebelo de Sousa. Este, como aquele, começou fascista e como ele há-de morrer fascista, porque tudo o que diz puxa sempre para a mesma estrebaria.
Senão, vejam!
No passado fim de semana, durante um jantar-debate na universidade política de Lisboa, organizada pelos jotinhas do PSD, Marcelo – o Nuno, não o José – desabafou perante a quase total incredulidade dos rapazinhos: “em matéria de abstenção eu acho que era preciso ter a coragem – pode parecer politicamente incorrecto – de dizer o seguinte: o voto tem que ser obrigatório!”
Não estando habituado a pagar direitos de autor, Marcelo nem pediu vénia ao seu antigo professor Freitas do Amaral, que já tinha abordado o mesmo assunto na Universidade da Covilhã, sem todavia usar da tonalidade autoritária que anda instilada em Marcelo: o voto tem que ser obrigatório.
Marcelo, tal como os demais palhaços contra-revolucionários que têm andado à frente do PSD, sempre defendeu que o povo português nunca deveria ser chamado a votar, em referendo amplamente democrático, a sua adesão à CEE e a subscrição de inúmeros e sucessivos tratados que foram pondo fim à nossa soberania como país independente. Para tal, nunca lhe pareceu que o sufrágio tivesse de ser obrigatório.
Para esse tipo de eleições, nunca esses catedráticos sugeriram a obrigatoriedade do sufrágio referendário, e até a obrigatoriedade do voto em tal sufrágio, pois estava em causa a soberania e a independência de um país com novecentos anos de história.
Para quem, como Marcelo, está disponível para vender a Pátria, nunca um referendo prévio à venda haveria de ser obrigatório, e o voto então muito menos.
Mas, em todo o caso, compreender-se-ia que um pretendido constitucionalista, como Marcelo, se interrogasse, antes de produzir sentença autoritária sobre a obrigatoriedade do voto, das razões políticas que levam à abstenção uma sempre crescente massa de eleitores, e precisamente dos eleitores mais pobres e mais necessitados de toda a espécie de ajuda.
Se se interrogasse e reflectisse sobre o assunto, talvez chegasse à compreensão do facto de que a abstenção popular se prende com a mentira, a corrupção e a gatunagem que caracteriza a acção dos dirigentes políticos, os quais escapam sempre ilesos da roubalheira.
É que o voto é, em Portugal, inútil para pôr cobro à mascarada da democracia que temos. O que está mal não é haver pessoas que não querem votar; o que está mal é as eleições serem uma farsa, montada para enganar o povo.
Tomem-se medidas para meter na cadeia os políticos mentirosos, corruptos, aldrabões e vende-pátrias e ver-se-á que a abstenção diminuirá como da noite para o dia.
Abster-se é, para uma população diariamente roubada e oprimida pelo governo de traição nacional como o governo Coelho/Portas, um direito – meio torto, é certo – que lhes resta para, no mais profundo do seu desprezo, mandar abaixo de Braga, Marcelo e os políticos seus amigos...
Ah! Como seria bom para a canalha reaccionária que pudesse continuar à vontade a sua política de latrocínio e que, mesmo assim, não houvesse uma única abstenção!...
Quererá efectivamente Marcelo mesmo acabar com a abstenção? É simples: todos os partidos concorrentes devem dispor dos mesmos direitos eleitorais e dos mesmos meios de propaganda e difusão que têm os partidos do arco-do-poder! Ver-se-ia como a música seria outra e com muitíssimo poucas abstenções.
O que faz falta é a democracia a sério, e não a obrigação de votar.
Votar à força não é democracia. Votar livre, sim! Votar à força é ditadura de psiquiatra louco em asilo de alienados.
Espártaco

