PAÍS
Cavaco Silva Deve Ser Demitido e Punido - Por Intervir na Campanha Eleitoral pela Coligação PSD/CDS
- Publicado em 17.05.2014
A pretexto da promoção de Portugal na China, onde esteve em visita oficial desde o passado dia 12 de Maio, Cavaco aproveitou para, fora do país, intervir na campanha eleitoral pela coligação fascista PSD/CDS.
Esse apoio começou por traduzir-se num rasgado elogio à política de empobrecimento generalizado do povo e às medidas de genocídio fiscal adoptadas por este governo de traição nacional em obediência aos ditames da Tróica, de par com a oferta aos chineses de mais privatizações, designadamente, do sector dos transportes públicos.
Mas Cavaco foi ainda mais longe e, também por isso, devia ser imediatamente demitido e pronunciado criminalmente por violação da Constituição e das normas eleitorais.
É que, para além de dar mais uma mão ao governo, promulgando outro aumento de impostos, no caso, da ADSE dos funcionários públicos – medida cuja inconstitucionalidade havia antes insinuado –, Cavaco veio opor-se abertamente ao debate democrático da única questão central que merecia e devia ser discutida destas eleições: a saída do Euro.
Disse então, a este respeito, o apaniguado da Tróica em Belém: “Quem vos disser que um dia o euro pode desaparecer, digam que a opinião do Presidente da República – que conhece bem este assunto porque presidiu à sessão de assinatura do Tratado de Maastricht – é que eles são muito irrealistas”.
Em primeiro lugar, quando invoca o seu protagonismo na assinatura, nas costas do povo português, do tratado que levou à integração de Portugal na zona Euro, o presidente da República assume expressamente e com odioso orgulho a sua posição de traidor e de lacaio (o que não é nenhuma novidade, diga-se) dos interesses hegemónicos da Alemanha na Europa, à custa da submissão e exploração de países humilhantemente (des)qualificados de periféricos, como Portugal.
Mas, por outro lado, manifesta a sua oposição fascista a que se fale e, muito menos discuta nestas eleições para o parlamento europeu e não só, a questão da permanência de Portugal no Euro, atacando todos os democratas e patriotas de irrealistas que cada vez em maior número defendem a necessidade imperiosa de Portugal sair do Euro para reconquistar a sua independência nacional – para Cavaco, é o irrealismo.
Realista e inexorável para Cavaco (irreversível na linguagem do seu governo de lacaios) é, sob o domínio do euro e do imperialismo germânico, o roubo do salário e das pensões, a redução ao insuportável do preço da força de trabalho, o genocídio fiscal, a destruição de serviços públicos essenciais, etc., por várias dezenas de anos, sempre a assumir o compromisso de pagar uma dívida que não cessará de crescer exponencialmente.
Não é por acaso que Cavaco se sente forçado a vir agora em desesperada defesa do seu governo e da coligação fascista que o compõe e suporta, bem como da sua patroa Merkel.
À uma, porque o apaniguado da Tróica em Belém se sente apavorado perante o crescente apoio operário e de largas camadas de democratas e patriotas à saída de Portugal do Euro.
E à outra, porque Cavaco tenta deste modo travar aquilo que antevê como eminente: uma fragorosa derrota eleitoral do coligação de traição nacional PSD/CDS, que só não será maior pela falsa alternativa de capitulação e oportunismo que o PS de Seguro representa.
A CNE e o Ministério Público devem tomar imediatamente todas as medidas, no cumprimento das atribuições que a lei lhes comete, para pôr termo a qualquer intervenção política de Cavaco Silva durante a campanha eleitoral que não seja, no máximo, o estrito apelo ao voto e proceder á instauração de um processo crime por abuso de poder pelas declarações e conduta antidemocrática, condicionadora do livre exercício do direito de votar.

