PAÍS
Jerónimo de Sousa incomodado com o símbolo dos comunistas – bom sinal!
- Publicado em 21.05.2014
Num comício para promover a candidatura do seu partido ao parlamento europeu, o secretário-geral do PCP, e novamente a propósito dos enganos a que poderiam ser levados alguns eleitores, fez menção ao facto de no boletim de voto aparecer um símbolo comunista – o do PCTP/MRPP – que, segundo ele, estaria a meter a foice em seara alheia.
É a reedição do pânico que aqueles que nada têm a ver com o marxismo manifestam de que os operários, os trabalhadores, o povo em geral, venham a votar no único partido que se manteve fiel aos princípios marxistas-leninistas e os prossegue.
Jerónimo de Sousa não pode escamotear um facto ineludível. Nunca o seu partido se apresentou ao eleitorado com o símbolo que renegou – a foice, o martelo e a estrela. Porque, simplesmente, susbstituiu a aliança operário-camponesa pela famigerada Aliança Povo/MFA, precisamente a aliança burguesa que instalou no poder a política de bloco central, hoje dominante, hoje responsável pela situação a que Portugal chegou e a exploração e miséria a que o povo foi sujeito.
É preciso não ter vergonha! Um personagem que ainda recentemente – em entrevista à TVI24 – defendia, em relação a uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício, uma dívida que mais não consitui do que um negócio que proporciona aos grandes grupos financeiros e bancários, com os alemães à cabeça, encherem os cofres à custa da exploração e da miséria do povo e de quem trabalha, que nós não dizemos não pagamos, dizemos que qualquer dia não podemos pagar!!!
Esta é a coerência de um partido que há muito largou a foice e a meteu por seara alheia, como renegou um símbolo que só os verdadeiros comunistas se podem arrogar o direito de ostentar – como é o caso do PCTP/MRPP – para se esconder atrás das coloridas e olímpicas argolas da traição revisionista representada pela APU ou, mais recentemente , ofuscado pelo viçoso girassol da CDU!
O que a burguesia verdadeiramente teme é o que representa o símbolo da foice e do martelo, o símbolo da aliança operário-camponesa, que a há-de derrubar, bem como o que representa a estrela do internacionalismo proletário que assegurará que os povos e nações de todo o mundo se libertarão do jugo capitalista.
O que a burguesia teme é um partido como o PCTP/MRPP empenhado em organizar todas as forças democráticas e patrióticas, sem contudo perder a sua identidade, para levar Portugal a sair do euro e a classe operária, os trabalhadores e o povo português a adoptarem uma única e coerente atitude contra uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa que o governo de traição nacional de Coelho/Portas e Cavaco os quer obrigar a pagar: NÃO PAGAMOS!
Por isso, a burguesia se encarrega de dar todo o tempo de antena a partidos como o PCP que não constituiem grande perigo para a prossecução da sua política, enquanto por critérios jornalísticos ou puro fascismo se empenham em calar – sem sucesso – a única voz que os faz verdadeiramente tremer – a voz da classe operária, a voz do PCTP/MRPP.

