PAÍS
LOUÇÃ, DE PALHAÇO A MINISTERIÁVEL
- Publicado em 14.07.2014
Ainda no rescaldo da sua última palhaçada de admitir a saída de Portugal do Euro como a única solução para o país, depois de ter passado anos a atacar impiedosamente quem, como o nosso Partido, defendia essa saída, Louçã veio há dias apresentar um plano miraculoso de renegociação da dívida – Um programa sustentável para a reestruturação da dívida portuguesa – para garantir o seu pagamento integral. Plano esse que tem como condição e objectivo... a continuação de Portugal na zona Euro.
Num curto espaço de tempo, é assim a segunda vez que o homem muda de ideias: ou, em boa verdade, nunca deixou de ter a que alimentava há três anos, usando todas estas piruetas circenses para lançar a confusão e impedir que o movimento democrático e patriótico pela saída do Euro se reforce e amplie.
Nos últimos tempos, não houve manifesto ou manifestozinho que falasse em reestruturação ou renegociação da dívida que não contasse com a assinatura de Louçã.
Desta vez, no entanto, Louçã resolveu ele próprio aprofundar o estudo do problema e meteu-se seis meses a imaginar uma série de medidas com vista a sossegar banqueiros, governo, PS, capitalistas e a Sra Merkel quanto ao pagamento da dívida – pagamento que já ninguém com um palmo de testa ignora ser impossível e tratar-se de uma dívida insustentável no quadro actual da União Económica, Monetária e Bancária – e à salvação da zona Euro.
Aliás, um dos seus colaboradores na redacção do referido Programa Sustentável ou Relatório sobre a reestruturação da dívida – o dirigente do PS Pedro Nuno Santos, apoiante de Costa e que já chegou a defender o não pagamento da dívida - foi absolutamente explícito: esta é a única maneira de evitar a saída do euro.
Já esquecido da sua última palhaçada, Louçã apresenta-se assim como o candidato mais credível e competente ao lugar de próximo ministro das finanças de um governo do bloco central, com um programa que não belisca o essencial dos interesses da Alemanha e que contém aliás propostas que noutros países sujeitos ao garrote da Tróica não deram qualquer resultado quanto à dívida e ao empobrecimento contínuo dos respectivos povos.
Não admira que Louçã tenha passado a ser elogiado, por toda a casta de oportunistas e traidores, como a luminária que descobriu a solução milagrosa de salvar os bancos da falência, pagar a dívida e pôr a economia a crescer, mantendo todos os compromissos com o exterior (leia-se com a Alemanha), nomeadamente a permanência de Portugal na zona Euro, e tudo sem custos para o contribuinte!
Ora, já aqui neste jornal se demonstrou à saciedade que não apenas a dívida pública é impagável e insustentável, mesmo atirando-a para daqui a mais de duas dezenas de anos, como sem a saída de Portugal do Euro nunca será possível o país recuperar a sua soberania política, económica, monetária, orçamental e cambial e, com a criação de uma nova moeda – o Escudo –, partir para a aplicação de um modelo de desenvolvimento económico e de crescimento ao serviço do povo português.
Para além de que qualquer outra alternativa – como a que Louça preconiza - se faria sempre à custa da redução dos salários de todos os trabalhadores
E que para que isso seja possível, é indispensável e urgente correr com este governo de traição nacional PSD/CDS e constituir um governo de unidade democrática e patriótica.
Mas para Louçã, o seu programa de reestruturar a dívida naturalmente que passa bem sem ter que derrubar este governo e, quanto ao que vier a seguir, é suficiente um governo de consenso, reclamado por Cavaco, em torno da necessidade de manter os compromissos actuais relativamente ao pagamento da dívida e à permanência de Portugal no Euro.
Esta última acrobacia de Louçã não representa mais do que o prolongamento da dependência do país do imperialismo germânico por mais duas, três, quatro, décadas, escamoteando que Portugal, se não sair do Euro, nunca conseguirá alcançar taxas de crescimento que reflictam um desenvolvimento económico sólido e melhores condições de vida para quem trabalha, exactamente porque é a imposição daquela moeda a causa do nosso endividamento permanente e do nosso empobrecimento incessante.
O povo português e todos os democratas e patriotas cada vez mais compreenderão que o debate nunca pode ser travado em torno da reestruturação de uma dívida impagável e insustentável, mas unicamente sobre a urgente e inadiável saída de Portugal do Euro.
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Fora o Euro! Venha o Escudo!
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