PAÍS

Ninguém calará a revolta popular!

2013-02-23-coimbraAfirmou o seboso líder do Grupo Parlamentar do PSD, secundado por António Costa do PS e por Paula Teixeira da Cruz, ministra da “justiça” deste governo de serventuários, que não lhes choca o facto de haver quem cante a música “Grandola Vila Morena”, mas sim que impeçam os outros de manifestarem a sua opinião.

Quem estivesse completamente alheado da realidade portuguesa e tivesse aterrado no planeta vindo de outra galáxia, ficaria tentado em considerar que quem com tal canto impediu quer o ministro Relvas, quer o traidor Coelho ou qualquer outro ministro ou secretário de estado deste governo, de botar faladura não é nada mais, nada menos, do que um “terrorista” anti-democrata.

Com o passar do tempo pode ser que vislumbre outra realidade:

- que este governo rouba os salários e o trabalho aos trabalhadores e que se está nas tintas para o que eles pensam e sofrem com a aplicação dessa medida;

- que vende, a preços de saldo, os activos e empresas estratégicas que restam, borrifando-se para que tal medida comprometa uma política económica soberana, independente e progressiva para o nosso país;

- que aumenta o IVA, da taxa mínima de 6% para 23% para produtos básicos, da dieta alimentar dos trabalhadores e do povo, e não só, sem se preocupar com as consequências que tal medida tem sobre a condição de vida de quem trabalha e do povo em geral;

- Corta em práticamente todas as “prestações sociais”, agravando as condições de fome e miséria a que sujeita o povo;

- Limita o acesso à saúde e à educação aos trabalhadores e ao povo e nem pestaneja perante a revolta que estes manifestam contra a destruição do SNS e da escola levada a cabo por este governo;

- Cria as condições para o agravamento do desemprego e da precariedade e impõe leis que remetem quem trabalha, ou procura trabalhar, para um retrocesso histórico nunca antes experienciado;

- Adopta todas estas e outras medidas para satisfazer os especuladores e agiotas que vêm na dívida um negócio e uma fonte de renda inesgotáveis;
- Faz tudo isto desviando recursos que deveriam ser afectos ao bem estar e à dignidade do povo, desprezando arrogantemente e com tiques fascistas, as exigências e expectativas que o povo formula nas ruas.

E faz tudo isto, apesar de ter sido eleito com base num programa eleitoral que parecia a antítese de tudo isto e que, na própria noite em que foram eleitos, para formar o famigerado governo PSD e CDS, foi rasgado em mil pedaços, o que leva a que tenham perdido qualquer legitimidade eleitoral.

Dizia António Costa, no programa “quadratura do círculo” – um título tão a propósito da sua redonda demagogia e oportunismo – que “fora da democracia toda a violência é permitida, mas dentro da democracia nenhuma violência é consentida”. Mas que democracia? Aquela em que PS e PSD de 4 em 4 anos promovem promessas sem fim, que sabem de antemão que não vão cumprir? É essa a noção de “legitimidade democrática” que defende?

Prometer algo e depois impôr o seu contrário, essa é que é a verdadeira violência, esse é que é o comportamento que define e caracteriza as práticas fascistas e terroristas que este governo tem levado a cabo a mando da tróica germano-imperialista.

Quando Costa e Assis verberam a atitude dos manifestantes em cortar o pio aos governantes serventuários da tróica germano-imperialista, fazem-no porque, se e quando, após o derrube deste governo PSD/CDS, o PS viesse a assumir de novo as rédeas do poder, como praticaria as mesmíssimas medidas que Coelho e Portas estão a impôr ao povo português, estão a acautelar as suas próprias costas da revolta popular que já não tem ilusões àcerca de que quem tem de derrubar: todos os que compactuam com os ditames da tróica germano-imperialista!

Estando a “comunicação social” nas mãos da burguesia, só os seus representantes têm acesso a ela para destilarem, profusamente, os seus pontos de vista reaccionários. O movimento a que muitos já aderem pelo país, com o objectivo de não permitir que ministros e secretários de estado continuem a destilar mentira e demagogia, pode ser o prólogo do derrube deste governo, desde que a classe operária, os trabalhadores e a juventude cerrem fileiras. O povo já decidiu calar estes governantes vende pátrias, agora é preciso persegui-los e reunir forças para os derrubar.


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