PAÍS
Odivelas: Mais um capítulo da luta do povo contra a privatização da água!
- Publicado em 15.06.2013
Para quem dúvidas subsistissem àcerca da política de Bloco Central que tem imperado, quer no governo central, quer no poder local, a questão da água – que há uns tempos atrás já tinha dado lugar a um artigo sobre o tema da privatização deste activo na cidade ribatejana do Cartaxo – é paradigmática dessa chaga que tem constituído um permanente ataque aos interesses do povo e à liquidação e venda de activos públicos estratégicos, a preços de saldo, a grandes grupos privados.
E, sempre e sempre, com o argumento economicista de não ser sustentável, no quadro de uma profunda crise da dívida e do déficite, o estado ou o poder local suportarem os custos de exploração que activos como a água provocam. Tal como aconteceu no passado recente na cidade do Cartaxo, onde a aliança entre os correlegionários de Seguro do PS, de braço dado com os correlegionários de Coelho do PSD, tentam impor a privatização da água no concelho, também em Odivelas, em vésperas de eleições autárquicas e contra a vontade da população da cidade, a Câmara Municipal de Odivelas, lança concurso para a privatização da água, apoiada pela aliança entre Susana Amador, actual presidente da CMO – que se recandidata apoiada pelo PS - e Sandra Pereira, que se candidata nas próximas eleições autárquicas de 29 de Setembro, pelo PSD!
Desprezando de forma autocrática e arrogante a vontade das populações deste importante concelho, PS e PSD advogam, assim, um acto completamente desprovido de legitimidade democrática, visto que nem sequer tiveram a coragem de colocar a debate público a questão.Pudera! A avaliar pela imediata reacção do povo de Odivelas ao anúncio da aplicação deste programa e desta decisão, este está mobilizado para lutar contra a efectivação desta medida e, estamos certos, que a sua vontade será amplamente expressa nas próximas eleições autárquicas, isolando partidos e personagens que tudo têm feito para legitimar crimes desta natureza contra o povo.
A cidade de Odivelas e o concelho de que é sede é um dos maiores polos autárquicos do país. Esta decisão de privatizar ou conceder a privados a exploração de um activo como a água insere-se na estratégia mais global dos partidos que assinaram o memorando com a tróica germano-imperialista de fazer o povo pagar uma dívida que não contraiu, nem dela retirou qualquer benefício.
Bem pode o PS, a nível central e a nível autárquico, assegurar a pés juntos que é contra a austeridade que o governo de traição nacional Cavaco/Coelho/Portas tem imposto aos trabalhadores e ao povo, bem podem verberar a agenda que o governo, a mando dos grandes grupos financeiros e bancários que a tróica representa, tem levado a cabo ao proceder ou propor a venda de activos e empresas públicas a preços de saldo, que a prática está à vista. Caucionam a privatização da água, no Cartaxo e em Odivelas, e onde mais se verá! Eis um executivo camarário, controlado pelo PS, que perante um activo público da importância estratégica e económica como o é a água, demonstra, a quem ainda restassem dúvidas, que a cantilena até pode ser diferente da de Cavaco, Coelho e Portas, mas a letra é a mesma.
Tal como a população de Odivelas, somos defensores do princípio de que a água, bem como o saneamento, é um bem público, devendo a sua gestão ser pública e não privada. Isto porque o direito à água não se compagina com actividades e objectivos económicos que visam o lucro e não a satisfação das necessidades do povo e de quem trabalha. Só uma gestão pública, controlada pelas populações de cada concelho poderá assegurar que os serviços públicos de água sejam universais e assentem nos princípios da ética social, da solidariedade e da igualdade.
Os trabalhadores e o povo de Odivelas estão a demonstrar que já não alimentam ilusões. Com a proximidade de eleições autárquicas, o povo saberá que resposta dar aos partidos do arco do poder que, na Câmara Municipal de Odivelas tentam privatizar a água e, a sós ou tácitamente unidos, nada mais têm feito do que satisfazer interesses contrários ao do povo que dizem representar.
Lutar contra a privatização da água é lutar pela preservação de um activo que pertence ao povo, é lutar por garantir o acesso universal, democrático e justo a todos os que desse activo necessitarem, independentemente da sua condição. É uma luta que deve congregar todas as forças e elementos, com ou sem partido, que pugnem por esse princípio. É, enfim, lutar pela preservação dos activos e empresas públicas, absolutamente vitais à prossecução de uma estratégia económica que satisfaça os interesses do povo e de quem trabalha e não de quem, sacrificando-os no altar de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, pretende colocar o povo e o país de joelhos perante quem os pretende subjugar e colonizar.

