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Espaços verdes - O debate na TVL

O que neste debate ficou bem patente é que todos os partidos que a sós ou coligados passaram pelo executivo camarário durante os últimos 30 anos, além de terem sido responsáveis pela expulsão de mais de metade dos cidadãos de Lisboa (o nível demográfico actual da capital é igual ao de 1931!), continuam todos de acordo, tal como no passado, com os intrumentos que sequestraram a cidade dos seus munícipes – o famigerado PDM de Jorge Sampaio e os pomposamente apodados de PDMs da 2ª e 3ª geração! Já no debate sobre a EPUL tinha ficado claro, e neste ficou muito mais evidenciado, que , apesar de algumas "críticas" ao abandono e degradação da capital, é notório o namoro entre PS e PSD, com um CDS e um BE afinados pelo mesmo diapasão de que é preciso aproveitar “o que de bom foi feito” (?!) e ponderar sobre o que se pode melhorar. Tudo isto, claro, escamoteando a questão de fundo essencial: que estratégia, que política, para resgatar Lisboa do sequestro que lhe foi imposto pela política de patobravismo, pela invasão do automóvel e pela cobardia política de não se pôr termo a uma instituição feudal como a da Administração do Porto de Lisboa que impede os lisboetas de usufruirem do seu rio.

O próprio BE, provavelmente com um "sentimento de culpa" mal resolvido em relação ao Robin dos Bosques, o "Zé que não faz falta", esboçou umas quantas críticas quanto ao Campo de Tiro no Monsanto, pareceu verberar a intervenção policial na Quinta do Monte, mas passou o resto do debate a "evidenciar" que muitas coisas, e boas, terão sido entretanto realizadas pelo actual executivo. Pelo que, deveríamos ser "assertivos" e não criticar por criticar!

Isto é, pintar uma casa numa cidade destruída pela incúria e abandono...é bom! Não interessando para nada, quer para o BE, quer para o CDS, pelos vistos, qual a estratégia que é necessário prosseguir para resgatar Lisboa do sequestro a que foi sujeita por mais de três décadas de poder camarário protagonizado por todos os partidos do "arco parlamentar", a sós ou coligados.

Neste debate sobre ESPAÇOS VERDES, o casamento está marcado, sendo que o BE e o CDS se prestam a ser as "damas de honor" dos noivos, PS e PSD.

É que tantos foram os elogios ao "tanto" que o executivo camarário fez relativamente ao PLANO VERDE projectado pelo Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, tão suaves foram as críticas a alguns aspectos considerados menos "felizes" da execução desse plano, tantos foram os apelos que se fizeram a que não nos podíamos esquecer o que de "bom" se fez neste capítulo na capital, que chegámos a pensar que estávamos a falar de duas Lisboas completamente distintas e antagonistas nos seus destinos.

Caso para que seja legítimo admitir a possibilidade de, não podendo Fernando Seara candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Lisboa se, nos bastidores da política do "bloco central", já não terá sido estabelecido um acordo entre PS e PSD e não venham os munícipes lisboetas a ser confrontados, um destes dias, com uma candidatura "unitária" entre os principais responsáveis pela destruição de Lisboa e pela expulsão de mais de metade da sua população desde que uns e outros estão à frente do executivo camarário da capital.


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