PAÍS

Porto: EDP provoca “apagão” em bairros sociais

edpA EDP Distribuição cortou na quinta-feira e na sexta-feira o fornecimento de energia em várias habitações dos bairros do Lagarteiro e de Contumil. O pretexto foi que existiam, nalguns casos há vários anos, dezenas de ligações ilegais de electricidade e os atrasos no pagamento de facturas.

Este corte a pelo menos 84 habitações correspondendo a cerca de 300 famílias, foi feito na calada da noite com um enorme aparato policial, intimidando as populações, como relata Fernanda Gomes, presidente da Associação de Moradores do Lagarteiro segundo a qual elementos da EDP foram acompanhados ao bairro por várias carrinhas de intervenção policial, criando uma situação «pior do que uma rusga», afirmando com veemência de que «nós não somos nenhuns marginais nem delinquentes».

Muitos dos moradores afectados, são reformados, que têm ao cuidado filhos e netos, na sua maioria desempregados, contestam revoltados esta situação, «é um desespero. Não sei como pagar a dívida. Não sei o que fazer da vida. Tenho os meus netos a meu cargo, quero fazer-lhes o almoço e não sei como hei-de fazer. Não tenho como comprar, não tenho dinheiro, querem desgraçar-me a vida», disse Maria Alice, 51 anos, uma das afectadas pelos cortes de energia.

Entretanto a Câmara Municipal do Porto lamenta “não ter sido informada” e acusa a EDP de “insensibilidade social”. As associações de moradores avançam que com a retirada dos contadores de electricidade a SMAS se prepara também o mesmo em relação ao corte de água.

Esta situação tipicamente terrorista de uma empresa recentemente privatizada que só poderia ter a cobertura deste governo vende-pátrias, vem na sequencia do aumento brutal das suas tarifas – que nem disfarçadas com a chamada tarifa social – que tem provocado uma hecatombe nos magros orçamentos de milhares de famílias. Neste caso as famílias afectadas pelo “apagão” estão ainda mais vulneráveis, porquanto muitas delas nos seus agregados familiares, existem pessoas que perderam o emprego, o subsídio de desemprego, perderam o RSI (Rendimento Social de Inserção), ficaram também sem muitas das prestações sociais dadas pela Segurança Social. Estas famílias tiveram de “optar” ou pagar as facturas ou de dar de comer aos seus filhos e netos.

Ao contrário do que lamentam autarcas ou outros oportunistas da nossa praça, o problema não é a falta de “sensibilidade social” da EDP, mas sim a demonstração cabal do que significa a privatização de uma empresa estratégica para o nosso país, e a política de terra queimada de um governo que se está maribando com atitudes de “responsabilidade social”. O que se exige além da reposição dos contadores de luz nestes bairros, é a nacionalização da EDP com controlo dos trabalhadores e utentes, situação, essa sim, uma emergência social e nacional, que se consubstancia no derrube do governo Coelho/Portas e a imposição no seu lugar de um governo democrático patriótico com ou sem eleições, antes que o país fique completamente às escuras…

 

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