PAÍS
Congresso do CDS: A aclamação da traição e da mentira!
- Publicado em 12.01.2014
Num patético e manipulador discurso hoje proferido em Oliveira do Bairro, no Congresso que está a servir para aclamar o seu papel de serventuário do imperialismo germânico, Paulo Portas voltou à carga com a sua tese do milagre económico que, segundo o personagem em questão, proporcionará em 17 de Maio próximo a saída de Portugal da condição de protectorado, verberando a opinião daqueles que têm insistido que esta é uma dívida impagável e que, a não ser derrubado o governo o seu tutor Cavaco, o défice e a dívida que eram suposto serem ultrapassados com a intervenção da tróica, não só não teriam solução, como se agravariam, como aliás se tem vindo a constatar.
Utilizando uma pseudo linguagem patriótica, com expressões como queremos ver a tróica pelas costas, Portas escamoteia o facto de o programa de resgate contido no Memorando de Entendimento com a tróica germano-imperialista ter sido assinado pelo seu próprio partido, o CDS, conjuntamente com PS e PSD e persiste em duas falácias discursivas: a primeira a de que, quer o CDS, quer o seu parceiro de coligação, o PSD, quer o tutor de ambos, Cavaco Silva, terem sido obrigados a aceitar as condições que o directório europeu, o BCE e o FMI, impuseram a Portugal e a segunda a de que, finalmente, Portugal, devido às reformas e reajustamentos conduzidos pelo governo que integra, se irá livrar da tróica no final do programa de resgate a que está sujeito, recuperar a soberania nacional e abandonar a condição de protectorado.
Nem assim Portas consegue, no entanto, alterar a realidade. É que, apesar de todas as medidas terroristas e fascistas que o governo de traição nacional faz abater sobre o povo e o autêntico genocídio fiscal que representa o Orçamento de Estado para 2014, a execução do plano de reajustamento que era suposto fazer reduzir a dívida e o deficit do país, não tem impedido, antes pelo contrário, que ambos venham aumentando, sendo que no final de 2013 a dívida foi muito superior a 130% do Produto Interno Bruto (PIB) e o desemprego, apesar de toda a engenharia estatística para o escamotear – mormente através do cada vez maior recurso a trabalho precário e escravo - não para de se agravar.
Desde que em 2011, PS, PSD e CDS assinaram o Memorando de Entendimento com a tróica que denunciamos o facto de que tal pacto iria agravar e exponenciar a condição de Portugal como protectorado ou colónia do imperialismo germânico e que, enquanto se persistisse no objectivo de pagar uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, nunca Portugal poderia ver-se livre dessa humilhante condição para a qual aqueles traidores e vendidos tinham atirado o país e o povo português.
Isto porque, como então também denunciámos, a dívida cujo pagamento estão a impor, a ferro e fogo, ao povo português, para além de não ter sido contraída por ele, nem o povo dela ter retirado qualquer benefício, mais não é do que a consequência e o corolário de uma política que os serventuários Sócrates, Cavaco, Coelho e Portas aceitaram e que assentou, e continua a assentar, na aceitação da destruição do nosso tecido produtivo, da venda a retalho de activos e empresas públicas estratégicas e de uma cada vez maior dependência do exterior.
A dívida é a argamassa ou o cimento que molda a estrutura da dominação colonial, composta, por um lado, pelo facto de o directório europeu, que é manipulado e serve os interesses do imperialismo germânico, ter a capacidade de impôr a política orçamental a todos os países que subscreveram o Tratado de Lisboa e, por outro, pelo marco travestido de euro que rouba a autonomia da política cambial que melhor pudesse servir os interesses de cada um desses países. Todos eles instrumentos de domínio e chantagem manipulados por uma potência com um superavit industrial e financeiro resultante, precisamente, da estratégia que conseguiu impôr aos outros países europeus, de destruição dos seus tecidos produtivos – a Alemanha que consegue, sem disparar um único tiro o que Hitler não conseguiu: dominar e subjugar a Europa e posicionar-se como potência mundial de referência!
Daí defendermos desde sempre que não basta derrubar este governo nem recusar o pagamento desta dívida. Há que constituir um governo democrático patriótico que, para além de implementar um plano económico e financeiro rigoroso e que defenda os interesses do povo português e a soberania nacional, se assegure em romper o colete de forças que constituem os dois instrumentos responsáveis pela perda de independência nacional e pelo agravamento das condições de vida do povo – precisamente o euro e a União Europeia!

