INTERNACIONAL

Viva a heróica greve dos Mineiros das Astúrias!

greve dos mineiros austurias 01Cumprem-se hoje vinte dias sobre o início de uma greve por tempo indeterminado dos mineiros das jazidas de carvão das Astúrias, em Espanha, a qual abrange também diversas explorações mineiras das províncias de Castela e Leão, Aragão e Castela-a-Mancha.

Esta greve por tempo indeterminado, iniciada em 1 de Junho, foi precedida por quatro dias de paralisação, a 23, 24, 30 e 31 de Maio, decretada para impor a revogação do plano, aprovado pelo governo espanhol e pela União Europeia, de encerramento total das referidas minas de carvão. Após a recusa por parte do governo de negociar com representantes dos mineiros e de esse mesmo governo ter mandado reprimir uma manifestação de mineiros em Madrid no último daqueles quatro dias de paralisação (31 de Maio), estes, reunidos em assembleias, decidiram iniciar a greve por tempo indeterminado, a qual foi apoiada pelos sindicatos maioritários, pertencentes às Comissiones Obreras e à UGT.

São cerca de 7.900 os trabalhadores das minas de carvão que estão em luta. Herdeiros de grandes tradições revolucionárias, de que é exemplo destacado a instauração da Comuna das Astúrias, em Outubro de 1934, mas que incluem também fortes e decisivas greves, como a que ocorreu em 1962 em plena ditadura fascista de Franco, os mineiros do carvão têm imprimido um carácter de grande combatividade e firmeza ao seu movimento grevista. Pondo em campo uma forte e clandestina organização de tipo militar, os operários em luta têm conseguido paralisar as principais vias de comunicação na região, enfrentando corajosamente e fazendo recuar, através da utilização de meios artesanais mas eficazes de combate, as forças paramilitares enviadas pelas autoridades governamentais para tentar restabelecer as comunicações e os transportes. Em acções de grande ousadia e coragem, grupos de mineiros barricaram-se no próprio interior de diversas minas, enquanto outros desencadearam acções de ocupação de diversos edifícios governamentais.

Galvanizados por estes exemplos de luta e de firmeza revolucionária, outros sectores de trabalhadores da região lançaram-se igualmente em movimentos grevistas contra as medidas ditas de austeridade decretadas pelo governo espanhol, agora enquadradas num “plano de resgate” sob a égide da União Europeia. É o caso dos trabalhadores do sector dos transportes (em greve desde 4 de Junho) e dos professores (em greve desde 11 de Junho). Por sua vez, os trabalhadores dos estaleiros de Ferrol entraram em luta no passado dia 7 de Junho, ocupando o edifício da Junta provincial e do município, cortando a auto-estrada e realizando uma manifestação com mais de 4 mil pessoas. Finalmente, no passado dia 18 foi decretada, pelas CCOO e pela UGT, uma greve geral em toda a região mineira, abarcando cerca de meia centena de municípios das Astúrias, de Castela e Leão, de Aragão e de Castela-a-Mancha. Esta greve teve uma adesão praticamente total nos diversos sectores de actividade, tendo no seu decurso sido cortadas as principais vias de comunicação e realizadas grandes manifestações nas principais cidades, com destaque para a que ocorreu em Langreo, nas Astúrias, a qual juntou cerca de 50 mil pessoas. Para hoje, dia 20, está convocada uma grande manifestação em Oviedo e foi já anunciada a realização de uma marcha de mineiros sobre Madrid, em data ainda não determinada.

O presente movimento grevista nas Astúrias e demais regiões do norte de Espanha reveste-se de uma grande importância para o conjunto dos trabalhadores das nações europeias, em luta contra o imperialismo germânico, os governos seus lacaios e a exploração do grande capital. Os mineiros em greve e em combate contra as forças repressivas governamentais são a demonstração plena da força indestrutível da consciência, da vontade e da solidariedade operárias, quando estas não são traídas pelo oportunismo. Uma outra lição relevante deste movimento grevista é a forma como os exemplos avançados de luta mobilizam os demais sectores de trabalhadores vítimas da exploração e da opressão. Uma direcção consequente do presente combate terá agora de unir os trabalhadores em luta nesta e nas demais regiões de Espanha e apontar-lhes objectivos avançados e revolucionários.

Sejam quais forem os seus desenvolvimentos e os seus resultados futuros, a greve dos mineiros do carvão em Espanha representa já um exemplo importante para os trabalhadores portugueses e uma seta apontada ao coração de todos os que pregam a capitulação e a conciliação na luta operária e popular, procurando canalizá-la para manifestações impotentes, negociatas e jogos parlamentares, que só podem significar a sua derrota. Os comunistas portugueses saúdam vivamente os operários das minas de carvão e todos os trabalhadores em luta nas regiões mineiras do norte de Espanha. A melhor prova de solidariedade com esta luta que os operários e demais trabalhadores em Portugal podem prestar, consiste em organizar, intensificar e conduzir à vitória a luta contra o roubo do trabalho e do salário, pelo não pagamento da dívida pública, pela expulsão da tróica germano-imperialista, pelo derrubamento do governo PSD/CDS e pela instauração de um governo democrático patriótico, que tome partido pelas classes trabalhadoras contra os interesses de rapina do grande capital. É este o caminho para a unidade internacionalista entre o povo português e os demais povos e nações oprimidas da Europa.


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