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As causas da imigração

As causas da imigração

Quando a situação dos trabalhadores piora num dado local, uma das opções que escolhem é fazer a trouxa e mudar para um sítio onde a sua situação não seja tão má. No geral, a migração de mão de obra no capitalismo vai à procura de mercados onde possa vender a sua única mercadoria- a força de trabalho, sujeitando-se, a maior parte das vezes a níveis de exploração inauditos. Este é um fenómeno complexo e mundial, mas o certo é que vai contribuir para a integração e alargamento do proletariado internacional.

Milhões de portugueses já emigraram no passado e dezenas de milhares continuam a fazê-lo no presente, da mesma forma que centenas de milhares de imigrantes buscam o nosso país para venderem a sua força de trabalho.

De uma forma geral os números mostram que, na prática, a entrada de imigrantes agora verificada está longe de compensar a anterior saída de emigrantes: actualmente, residem em Portugal cerca de 1 milhão de imigrantes e residem no estrangeiro cerca de 5 milhões de portugueses emigrantes.

O capitalismo precisa da mão de obra dos imigrantes: são os salários baixos pagos a estes, especialmente aos ilegais, por exemplo na área agro-alimentar ou da construção civil, ou trabalhos que não exijam altas qualificações, que gera a obtenção de lucros, ao mesmo tempo que . estes trabalhadores podem ser despedidos mais facilmente, alargando o exército de mão de obra de reserva.

Sem planificação económica (ou, o que vale o mesmo, com uma multidão de planos económicos individuais privados e uma meia dúzia de planos económicos de empresas imperialistas) só se pode esperar que os fluxos migratórios permaneçam idênticos e bem ancorados nos mercados laborais gerados nessa ausência de planificação nacional.

Assim, quaisquer que sejam os controlos que a burguesia local venha a introduzir, o melhor que pode acontecer é aumentar a velocidade de adequação da população residente às necessidades de exploração de mão-de-obra pelos negócios privados, diminuindo, ao mesmo tempo, a velocidade de igualização das condições de trabalho e remuneração no mundo, tudo em favor dos exploradores do trabalho.

As condições indignas, quiçá propositadas em que os imigrantes vivem em Portugal têm de ser urgentemente alteradas e passam por: 

- legalização célere dos imigrantes, criando um serviço organizado e desburocratizado, que conduza a uma integração dos mesmos;

- realização obrigatória de contratos de trabalho que garantam a dignidade do trabalhador imigrante, impedindo, assim, a sua discriminação;

- fiscalização da segurança e condições de trabalho;

- controlo e desmantelamento das máfias.

pctpmrpp

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