PAÍS
- Publicado em 28.06.2020
O significado da manifestação do Chega!
O número bastante reduzido de comparecentes à manifestação organizada pelo partido Chega!, que teve lugar em Lisboa, a 27 de Junho, cujo objectivo terá sido negar a existência do racismo (estrutural) em Portugal, parece, à primeira vista, contrastar com a ascensão considerável da organização, nas intenções de voto, que se manifesta por uma franca aproximação aos partidos sociais-democratas (ver Nota 2 da Redacção) PCP e BE, e por uma ultrapassagem do liberal-marialvismo tradicional, do CDS-PP.
É, no entanto, de salientar, que este resultado encontra a sua causa precisamente no discurso do Chega! (quase sempre pela voz de André Ventura), que manifesta e, por isso, mobiliza, as intenções e interesses de sectores sociais pequeno-burgueses (assalariados e capitalistas), reaccionários, tanto na vertente infraestrutural, como naquilo que à subjectividade e à superstrutura social diz respeito.
Compreender as raízes materiais da narrativa anti-corrupção do partido, é mais do que meio caminho andado para compreender o citado insucesso.
A pequena burguesia actual concebe a ideologia da sua classe como sendo o ideal Absoluto da moral e dos princípios, pelos quais a Humanidade se deve reger. Não admitem que este ideal tem um carácter histórico e está ao serviço de um projecto de classe, material, também ele histórico, no sentido de historicamente limitado. Um dos pilares da sua ideologia é o conceito de meritocracia. Este conceito visa justificar subjectivamente, e reproduzir, as desigualdades sociais e a divisão social do trabalho, que se desdobra nas divisões do trabalho em função de género, “raça” e classe. A política, para a pequena burguesia reaccionária, é, nesta medida, a gestão do Estado burguês, nas suas dimensões jurídico-repressiva, social e económica, ao arrepio do seu ideal Absoluto. Essa gestão deve, pois, estar a cargo dos que demonstram ter mérito para tal – que são sempre os representantes políticos dos seus interesses materiais, claro está. Assim, à luz desta concepção, a política não é o campo da luta de classes, nem sequer o plano da luta ideológica, como a concebem os liberais de “esquerda”, mas antes o terreno onde se defrontam os embaixadores da Moral e os deturpadores dos bons costumes. A essência das posições anti-corrupção, mais não é do que a crítica da realidade social segundo este critério idealista.
Consequentemente, se o horizonte do progresso, definido em torno dos objectivos de classe da pequena burguesia, depende da liderança dos meritosos “homens de bem”, então a política resume-se a elegê-los para os cargos de poder, no âmbito da democracia liberal. Os eleitores depositam a sua total confiança num Homem-forte, e assim abdicam da sua cidadania. As arruadas e manifestações, o sindicalismo, até o associativismo reivindicativo, perdem significância, num cenário em que classes se devem unir sob a égide dos ungidos. A rua passa a ser redundante.
Assim, não nos surpreendemos com este desaire do Chega!, mas este insucesso não é, conforme procuramos explicitar, sinónimo de um falhanço eleitoral. Apenas indica que para os eleitores deste partido, bem como para os defensores do fascismo no geral, a política não é luta social, é apenas a delegação da colectividade no líder-indivíduo encarregue da gestão eficiente do Estado.
28Jun2020
O correspondente na Margem Sul, JC
Nota da Redacção: saudamos a iniciativa do nosso correspondente na Margem Sul que revela um elevado espírito de combate pela causa comunista.
Convém, no entanto referir que os terrenos que se pisam neste artigo são um pouco escorregadios, para não dizer pantanosos.
O racismo e o anti-racismo são dois lados da mesma moeda, uma espécie de irmãos siameses. Ambos se baseiam nos fantasmas das raças que sabemos, no entanto, não existirem. Nos dois casos, é um conformismo em sintonia com os tempos. A sua única utilidade política comum é ocupar o terreno para mascarar lutas sociais autênticas.
Ambos os campos visam escamotear que, todos os dias, milhares de pessoas (incluindo muitas jovens crianças) morrem em fábricas, minas, estaleiros de obras, no trabalho. Eles têm um nome: "os condenados da terra", os operários, os pequenos camponeses, dos quais o Capital precisa para saciar a sua sede de lucro. Eles são pretos, brancos, amarelos, velhos, jovens? Não, eles são acima de tudo explorados!
A pequena burguesia tenta hoje usar a raiva populista contra o sistema falido, agitando o pano vermelho do racismo e da violência policial, dois subprodutos da opressão sistémica sob capitalismo. Nunca houve e nunca haverá justiça, igualdade ou equidade num sistema baseado na "justiça" dos ricos, sobre as desigualdades e a iniquidade mundializada.
O artigo, partindo, e bem, de uma realidade concreta deveria, em nosso entender, fazer ver que o que é posto em causa quando se afivelam as diversas máscaras “anti-racistas” (de iguais direitos e deveres de todos, sem “privilégios” para as “minorias” dos fascistas “orgulhosos” de o serem, ou de anti-discriminação das minorias raciais do restante espectro político parlamentar que na sua totalidade se revê no grupo pró-capitalismo “Black Lives Matter”) é a unidade da classe operária
Nota 2 da Redacção: chegaram até nós algumas críticas justas sobre a classificação de social-democratas dos revisionistas e social-fascistas do P"C"P e dos oportunistas do BE.
É certo que o BE reivindicou para si essa classificação e, por ironia, poderíamos subscrevê-la relembrando que, desde Tony Blair, a social-democracia não passa de uma nuance do neo-liberalismo.
Quanto à ideia de que o P"C"P também será social-democrata que aparece na correspondência do nosso camarada, provém certamente da estratégia reformista e prática de traição à classe operária, características da antiga social-democracia, que actualmente o P"C"P prossegue. Todavia convém deixar claro que, apesar do palavreado socialista, o partido do Barreirinhas Cunhal mantém as práticas fascistas a que recorre sempre que necessita, não podendo, por isso, deixar de ser classificado de social-fascista.

- Publicado em 20.06.2020
LAUAK – embolsar subsídios para criar postos de trabalho, mas proceder a despedimentos!
Os burgueses proprietários da LAUAK, depois de terem arrecadado cerca de 8 milhões de euros de apoios comunitários, em última instância pagos com os impostos de quem trabalha, para a criação de cerca de 300 postos de trabalho, avançaram com um despedimento colectivo de 197 trabalhadores.
Esta decisão é coerente com o seu historial de descaso para com os mais elementares direitos laborais conquistados, nomeadamente a recente imposição de trabalho nocturno sem compensações, a retirada do sábado, enquanto dia de descanso e as tentativas de impedir a livre adesão a sindicatos, através de recorrentes ameaças de despedimento.
Os aumentos salariais que tiveram lugar no início do corrente ano, que, diga-se em abono da verdade, ficaram reduzidos a nada depois de sujeitos a impostos e à inflação, poderiam iludir os mais incautos, levando-os a pensar que os sindicatos oportunistas e conluiados com o patrão, teriam finalmente negociado um acordo que respondesse, ainda que minimamente, aos interesses dos operários e técnicos da LAUAK.
O actual quadro de despedimento colectivo veio demolir quaisquer ilusões a esse respeito. Agora que seria necessária uma postura forte e combatente, que unisse os trabalhadores em torno da defesa dos seus postos de trabalho, dos seus salários e das suas condições de laboração, os sindicatos de sempre desdobram-se nas desculpas do costume e quem sofre são aqueles que vão para a fila do desemprego e os que, não sendo despedidos, vêem a sua posição e capacidade de defesa dos seus interesses, fragilizada.
Os trabalhadores que mantiveram o seu posto trabalho, poderão ser levados a considerar que o melhor será “baixar a cabeça”, para não pôr em risco o seu, já de si precário, emprego. Não devemos cometer esse erro. Como diz, sabiamente, o povo, “quanto mais te baixas...”.
Necessitamos de um sindicalismo de classe, que não ceda à burguesia patronal, que defenda única e exclusivamente quem trabalha, que saia da defensiva e passe ao ataque. Se assim não se proceder, os trabalhadores, no que do patrão depender, ainda darão por si a ter que pagar para trabalhar.
O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses apoia e sublinha a urgência na constituição de organizações representativas, capazes de fazer face à crise que se avizinha, que continuará a atingir duramente quem trabalha.
18Jun2020
JC
O nosso correspondente no Pinhal Novo

- Publicado em 13.08.2019
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domingo, 11/08, 20:43 (há 21 horas)
À Direcção do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas
Caros Companheiros
O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP) deseja exprimir a mais firme e estreita solidariedade para com a corajosa luta que estais a travar, não apenas contra o patronato da ANTRAM como contra as manobras provocatórias e intimidatórias do governo e a traição da Fertrans. Se é certo que os capitalistas e seus lacaios e ideólogos têm destilado um ódio desbragado em relação à justa e mais do que legítima greve dos motoristas - o que não surpreende -, não é menos certo que podeis seguramente contar com o apoio da classe operária e dos restantes trabalhadores que acompanham e se solidarizam com esta vossa luta. Pela nossa parte, temos estado desde o início do vosso lado, em particular através das posições veiculadas em vários artigos no nosso órgão central , o Luta Popular Online, artigos esses que tomamos a liberdade de vos remeter em anexo. Estimando que esta luta venha a ser vitoriosa, abrindo novas perspectivas para outras lutas do movimento operário, contem com o nosso apoio e a colaboração que entenderem e aceitem as nossas mais cordiais
Saudações comunistas
O Secretariado do Comité Central |
- Publicado em 13.08.2019
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domingo, 11/08, 20:55 (há 20 horas)
À Direcção do Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (S.I.M.M.)
Caros Companheiros
O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP) deseja exprimir a sua mais firme e estreita solidariedade para com a corajosa luta que estais a travar conjuntamente com os vossos camaradas do SNMMP, não apenas contra o patronato da ANTRAM como contra as manobras provocatórias e intimidatórias do governo e a traição da Fertrans. Se é certo que os capitalistas e seus lacaios e ideólogos têm destilado um ódio desbragado em relação à justa e mais do que legítima greve dos motoristas - o que não surpreende -, não é menos certo que podeis seguramente contar com o apoio da classe operária e dos restantes trabalhadores que acompanham e se solidarizam com esta vossa luta. Para o PCTP/MRPP, esta greve, ao contrário de todos os restantes partidos, tem merecido uma inequívoca e intransigente defesa e acompanhamento, em particular através das posições veiculadas em vários artigos no nosso órgão central, o Luta Popular Online, artigos esses que tomamos a liberdade de vos remeter em anexo. Estimando que esta luta venha a ser vitoriosa, abrindo novas perspectivas para outras lutas do movimento operário, contem com o nosso apoio e a colaboração que entenderem e aceitem as nossas mais cordiais
Saudações comunistas
O Secretariado do Comité Central do PCTP/MRPP |
- Publicado em 23.01.2019
Prezado Camarada ARNALDO MATOS,
Com natural espontaneidade, isenta de quaisquer equívocos e/ou rancores, não resisto ao envio de uma brevíssima mensagem, de natureza (muito) pessoal, para felicitar o incansável Autor das justíssimas Notas evocativas de Rosa Luxemburgo e Carlos Liebknecht, mártires revolucionários cujo Centenário todos os trabalhadores politicamente conscientes (da Europa e do próprio Planeta),vítimas do capitalismo e do imperialismo, não podem, de modo algum, ignorar.
A este propósito, peço, apenas, licença para (re)lembrar, especialmente, a existência da versão francesa de um interessante volume, de John Peter Nettl, intitulado "Rosa Luxemburg", Paris, Éditions Spartacus, 2012 (nesta data, um curioso comentário, em jeito de recensão, ficou disponível na Internet, em "PDF, Une nouvelle biographie de Rosa Luxemburg,Spartacus, Atheles".
Votos (extensivos, naturalmente, à Camarada CIDÁLIA) de saúde e Bom 2019.
Com o respeito e a admiração (de sempre!), do
Fernando FIRMINO
- Publicado em 03.01.2019
Falando do Tuíter
Os comunistas nunca tomam decisões, sobretudo de índole estratégica e táctica, sem um fundamento. Quando o camarada Arnaldo Matos decidiu – e bem – assegurar a direcção política do Órgão Central do nosso Partido, logo se registou uma mudança qualitativa.
De mero observador da realidade, o Luta Popular Online passou a assumir a função que cabe a um Órgão Central de um verdadeiro Partido Comunista Operário – o de direcção da luta, o de organizador, o de farol da revolução.
E está a fazê-lo de forma a elevar a consciência dos operários e das massas, assim como dos simpatizantes e militantes, de que a luta é dura e prolongada, de que a luta de classes é o motor da história e de que, sem organização comunista, baseada no centralismo democrático, a classe operária não se poderá constituir em Partido e, muito menos, dirigir a revolução.
É neste contexto que se tem de entender a decisão do camarada Arnaldo Matos em criar e animar uma conta na plataforma tuíte, à qual se pode aceder, quer como utilizador daquela rede social, quer – não sendo utilizador -, através do Luta Popular Online.
O camarada, com a inteligência, a sagacidade, o apurado sentido da análise marxista, a capacidade de identificar, a cada momento, quais os temas que devem ser alvo da análise e intervenção, bem como a firmeza que sempre o caracterizou, tem transformado esta ferramenta numa importante plataforma para dar a conhecer, diariamente, as questões nacionais e internacionais mais importantes, suscitando a discussão das posições do Partido, quer entre simpatizantes e militantes quer, sobretudo, entre os operários e as massas populares.
Saibamos, pois, utilizar os seus textos diários no tuíte “...nos contactos com outros camaradas, simpatizantes e amigos do Partido e restantes elementos das massas, da forma que considerarem mais eficaz...”. Saibamos retirar dos ensinamentos que tais textos nos transmitem para definir e estabelecer uma melhor ligação às massas e reforço da organização e direcção do Partido!
15Dez18
Luís Júdice
- Publicado em 26.04.2018
No distrito de Setúbal, por exemplo
A propósito da importância dos MUPIs
“(…) devemos prestar atenção ao aspecto quantitativo de uma situação ou de um problema e fazer uma análise quantitativa fundamental.
Toda a qualidade se manifesta por uma quantidade determinada e sem quantidade não pode haver qualidade.”
Mao Tsé-tung (1949, 13 de Março),
“Citations du président Mao Tsé-toung” [Éditions du Seuil, 1967 (pág. 70)],
a propósito dos “Métodos de trabalho dos comités do Partido”
Comunista operário.
De facto, uma consulta cuidada da tão conhecida obra de Jacques Ellul sobre as “Propagandas” não deixa lugar à dúvida. Nesta pedagógica “análise estrutural”, o autor demonstra claramente que, ao longo da contraditória Revolução Chinesa, “Mao aplicou com rigor os princípios da propaganda leninista adaptando-os às características em que se encontrava”, e “fê-lo com um rigor notável e uma perfeita compreensão dos dados concretos” (versão portuguesa, da editora Antígona, 2014, pág. 334).
Numa fase verdadeiramente desafiante da reorganização do PCTP/MRPP, em particular no distrito de Setúbal, como aquela que nos é proposto viver, em que a propaganda do projecto comunista se encontra, cada vez mais, na ordem do dia, não podemos deixar de nos sentir interpelados, na condição de membros do Comité regional do Partido, a encontrar formas adequadas que nos permitam transmitir aos trabalhadores as propostas marxistas e sempre jovens da única organização revolucionária existente em Portugal.
É neste contexto, dinamizador de vontades militantes, que importa referir o interesse suscitado pela iniciativa do camarada José Vila Boa e do próprio autor desta breve nota, os quais constituíram uma pequena e decidida brigada que, no final da tarde e durante a noite de quinta-feira, 12 de Abril, procedeu à colagem (decerto insuficiente mas, apesar de tudo criteriosa!) de alguns MUPIs, consagrados à empolgante Campanha das 35 Horas Semanais. Enumeram-se, de seguida, as diversas localidades onde tivemos o cuidado de focalizar a nossa atenção:
Barreiro (na Praça do “Fórum” e à porta da Escola Álvaro Velho); Moita (na “rotunda do Touro” e no coração da Baixa da Banheira); Montijo (na Praça “Entradas da Cidade” e na Freguesia do Afonsoeiro); Alcochete (próximo da Junta de Freguesia de S. Francisco e na artéria da Praça de Touros); Almada (na zona rodoviária de Cacilhas, na Avenida 25 de Abril, na rotunda de acesso ao Hospital Garcia de Orta e junto ao centro comercial “Almada Fórum”); e Setúbal (na Avenida Luísa Todi, junto ao Mercado do Livramento, e na Avenida Bento Gonçalves, em frente da Loja do Cidadão).
Conscientes de que os MUPIs constituem ainda um penetrante “suporte”, que vem complementar outros meios comunicacionais (a este propósito, não resistimos a sublinhar o êxito da recente distribuição, no âmbito do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, de mais um comunicado do nosso Partido, entregue às operárias e aos operários que trabalham e sofrem na Autoeuropa, no concelho de Palmela), pensamos chegado o momento de aprofundar esta estratégia, susceptível de alargar, de maneira ordenada e entusiástica, as formas de agitação e propaganda e, como é óbvio, a estrutura organizativa do Partido aos restantes municípios do distrito.
Ainda no seguimento da citação em epígrafe, e para terminar, falamos de motivações e de tarefas relacionadas com pessoas que, longe de serem elementos abstractos e distantes, são camaradas (mulheres e homens) com os quais vale a pena lutar, ao longo dos anos, pela causa planetária da Revolução Comunista.
Fernando Firmino
- Publicado em 19.04.2018
Comentário Sobre a Guerra na Síria
O Irão ameaçou Israel directamente na terça-feira, depois do ataque aéreo perpetrado por Tel Aviv contra uma base aérea síria na segunda-feira, que matou pelo menos sete assessores iranianos. Assim, um alto funcionário da política externa iraniana advertiu Israel que o seu ataque "não permanecerá sem resposta". Tel Aviv, por sua vez, leva as ameaças iranianas muito a sério.
De acordo com Haaretz:
https://www.haaretz.com/israel-news/israel-on-high-alert-prepares-for-iran-retaliation-for-syria-strike-1.5990777
(…), a fronteira do norte de Israel está em alerta máximo no meio de preocupações de uma possível "ação de vingança do Irã ou do Hezbollah", bem como um possível ataque dos EUA contra Damasco em retaliação pelo alegado ataque químico na cidade de Duma.
O ataque aéreo, do qual o Irão, a Síria e a Rússia culpam Israel, tinha como alvo a base aérea de Tiyas (T-4), pertencente à Força Aérea Árabe Síria, localizada perto da cidade de Homs. De acordo com relatos da imprensa estrangeira, o bombardeio causou danos significativos à base, em que o Irã havia planeado várias melhorias. Israel não reivindicou a responsabilidade pelo ataque.
A base aérea de T4 é um dos principais locais onde a Força Quds da Guarda Revolucionária Iraniana na Síria está implantada.
12ABR18
Carlos Pais
Tragédia em Terras de Viriato
- Publicado em 25.10.2017
Tragédia em Terras de Viriato
Cidália Guerreiro, José Dias Cruz, Lurdes Gaspar, Arnaldo Matos
Atravessou o Mondego, fronteira sul do distrito de Viseu, aí por alturas de Penacova, na zona onde dois irmãos, Alfredo e José Simões, respectivamente de 41 e 43 anos de idade, lhe fizeram corajosamente frente e acabaram por morrer queimados, abraçados um ao outro, na incompreensível ausência de bombeiros, de agentes da protecção civil, de militares, de polícias, de meios aéreos, de membros do governo, de Dona Constança – que, coitada, ainda não gozou férias – e de Marcelo, tudo gente, com excepção dos bombeiros, que só aparece depois dos incêndios florestais, não obviamente para combatê-los, mas para usufruir politicamente deles.
Dos altos de Penacova passou o fogo à margem direita do Mondego, venceu a barragem da Aguieira, engoliu novas matas de pinhais e eucaliptos e ocupou as terras de Viriato até à linha do rio Vouga, que divide ao meio, de lés-a-lés, o distrito de Viseu limitado a norte, como se sabe, pela fronteira do Douro.
No distrito de Coimbra, o fogo deixou para trás vinte populares mortos, entre operários, camponeses pobres e pequenos proprietários, destruindo fábricas, desocupando empregos, demolindo casas, desenterrando hortas, queimando pomares, asfixiando gados e arrancando culturas.
Mas o pior ainda estava para vir e aconteceu na metade sul do distrito de Viseu, nos concelhos que vão para norte até à Serra da Gralheira e para nordeste, pelo vale do Dão, até Mangualde.
O fogo do passado domingo, dia 15 de Outubro, matou aí também vinte pessoas, como em Coimbra, tudo gente pobre do povo (operários, camponeses e pequenos proprietários, muitos deles ex-emigrantes em países europeus). A última das vinte mortes das terras de Viriato ocorreu esta manhã no Hospital da Prelada, na cidade do Porto: tinha 53 anos de idade e chamava-se Joaquim Dias. Como todos os 45 homens, mulheres e crianças que morreram nos fogos florestais de 15 de Outubro, foram todos vítimas do criminoso abandono a que os governos de Passos Coelho e de António Costa deixaram as populações das aldeias do centro e norte de Portugal.
Durante dois dias, domingo e segunda-feira de 22 e 23 de Outubro, percorremos todos os locais da tragédia em terras de Viriato, vimos e chorámos com dezenas de pessoas simples do povo tudo o que então aconteceu, como aconteceu e porque aconteceu. Continuaremos agora a descrever o que vimos, o que ouvimos, o que cheirámos e tocámos e, sobretudo, a apelar ao que é preciso fazer e como fazer, face a tudo quanto aconteceu, por negligência criminosa dos governos e instituições públicas irresponsáveis que vamos tendo.
Mortágua
Veio pois o fogo dos lados de Penacova, como atrás se disse, e mergulhou logo na Zona Industrial do município de Mortágua, o primeiro dos vinte e quatro concelhos do distrito de Viseu.
Não se sabe por inteligência de quem as zonas industriais dos concelhos de Viseu estão implantadas em matas de resinosas e de eucaliptos. Quando os incêndios florestais irrompem, Viseu arrisca-se a perder toda a sua produção industrial, juntando à tragédia dos incêndios a tragédia do desemprego e da fome.
A empresa mais atingida foi a Pellets Power, que se dedica à transformação de madeira destinada à exportação, e é uma das cinco unidades existentes em Portugal, pertencentes ao mesmo grupo, o Gesfinu: além da unidade de Mortágua, uma outra unidade em Santo Estevão, no concelho de Lousada, a unidade de Setúbal, a de Alcácer do Sal e a de Sines mais abaixo, tudo estrategicamente situado junto de portos marítimos, para facilidade de exportação, e perto de fontes de matérias-primas florestais, para facilidade de produção, e … consequentemente dos correlativos incêndios.
Na fábrica de Mortágua, tomada pelo incêndio da zona industrial, cerca de quarenta trabalhadores aguardam ainda decisão dependente da análise da Seguradora, sem saberem qual irá ser o seu futuro. Há muitos contratos a prazo, tendo todavia a maioria dos trabalhadores dez anos de casa.

Na Central Termoeléctrica de Biomassa Florestal, vinte trabalhadores mantêm os postos de trabalho assegurados, mas os principais danos concentram-se na frota de transportes, com uma dezena de viaturas queimadas.
Nas unidades incendiadas, os operários devem organizar-se e exigir da segurança social e do patronato o pagamento dos respectivos salários, tanto mais quanto é certo que as fábricas ardidas irão reclamar e obter subsídios de reparação por parte do Estado.
Os camponeses cujas produções agrícolas se perderam devem organizar-se para exigirem do ministério da agricultura, do famigerado Capoulas, o pagamento dos prejuízos sofridos.
Santa Comba Dão
De Mortágua, saltou o fogo para a zona industrial de Santa Comba Dão, sem que ninguém aparecesse a travá-lo no caminho ou a recebê-lo do outro lado.
Na sede da empresa de construção civil Scoprolumba, ardeu o barracão do lado dos escritórios. Esta empresa já havia requerido judicialmente insolvência, e os comentários recolhidos inculcam que o proprietário não se mostrou muito preocupado com o incêndio.
No espaço contíguo, um conjunto de seis pequenas empresas arderam total ou parcialmente.
Cerca de trinta operários ficaram sem trabalho.
Na freguesia de São Joaninho, concelho de Santa Comba Dão, no limite com o concelho de Tondela, o fogo chegou pelas 11 horas da noite (23H00), não havia bombeiros, nem militares, nem polícias, nem agentes da protecção civil, nem autoridades de nenhuma espécie.
Dois homens, que tentavam ajudar o irmão de um deles a salvar um aviário, morreram. Aos dois homens juntou-se uma outra vítima, na aldeia de São Jorge, e um casal de idosos, na aldeia de Relvas.
Natália e o marido tentaram salvar a casa, o que conseguiram, mas não conseguiram salvar os animais, que morreram todos, acabando também o marido no hospital, onde ainda se encontra.
Numa população de 75 habitantes, São Joaninho perdeu quase 8% dos seus homens e mulheres, o que representa a maior tragédia aldeã em todos os incêndios deste ano em Portugal.
Para além da comovente solidariedade do povo das aldeias vizinhas, São Joaninho não tinha recebido ainda nenhum auxílio das autoridades do concelho ou do governo de Lisboa.
Os incêndios florestais estão a liquidar as aldeias de Portugal, depois de matarem o nosso povo.
O exército e a marinha devem acorrer urgentemente às aldeias e ao seu povo, pois do governo de António Costa e das palhaçadas de Marcelo não há nada a esperar.
Tondela
Na Zona Industrial da Adiça, do município de Tondela, arderam as fábricas da Neves & Mota, Lda., de transformação de madeira, e da Tratis-Tratamento de Resíduos Industriais, S.A.
Quarenta e sete operários perderam os seus postos de trabalho, e estão a morrer de fome, se não se unirem e organizarem para obrigar o patrão e o governo a pagar-lhes os salários que lhes são devidos.
Um Stand de Automóveis, situado de um e de outro lado da estrada nacional, ficou totalmente destruído, com 430 viaturas queimadas.
Na zona habitacional de Botulho, a mata de pinheiros e eucaliptos ficou totalmente destruída pelo fogo, que soprou violentamente dos lados do Sul, de Mortágua e de Santa Comba Dão.
Os populares salvaram as suas casas, mas não as suas hortas, culturas, pomares e animais domésticos.
Tondela é o maior município do país especializado na produção de aves. Calcula-se que o fogo, proveniente de todos os quadrantes, terá destruído para cima de vinte aviários, causando um prejuízo que o próprio presidente da câmara local avalia em sete milhões de euros.
As freguesias mais atingidas são as de Dardavaz, Vila Nova da Rainha e Lajeosa do Dão. Dois dos aviários, entre os quais o Pinto Valouro, perderam, respectivamente, 12 000 e 9 000 pintos.
No sector avícola de Tondela, terão ficado sem trabalho perto de trezentos operários, na sua maioria mulheres.
Apenas no concelho de Tondela ficaram destruídas 150 habitações e morreram três pessoas.
Os maiores incêndios florestais começaram cerca das 23H00 do domingo, dia 15 de Outubro.
Uma vez mais não apareceram as corporações de bombeiros, nem os agentes locais da protecção civil, nem ministros, nem auxílio de ninguém, a não ser a solidariedade das famílias e dos vizinhos das vítimas.
A população ficou totalmente abandonada à sua sorte. Onde paravam os bombeiros e autoridades concelhias de protecção civil? Onde estava o governo de António Costa, a ministra da administração interna e a protecção civil, responsáveis também pelas mortes de Tondela: Hermínio Lopes, Hermínio da Silva Romão e Marques da Costa?
Nelas
Um homem de 50 anos morreu a combater o fogo em Canas de Felgueiras. E duas pessoas estão dadas como desaparecidas na freguesia de Canas de Senhorim.
Em Nelas, concelho da série de municípios compreendidos entre o Dão e o Mondego, juntaram-se dois fogos, que incendiaram 4 800 hectares de eucaliptos e resinosas, correspondentes a 60% da área florestal e a 39% da superfície do concelho. Dos dois fogos, um começou na Serra da Estrela, a mais de cinquenta quilómetros de distância, perto do Sabugueiro, e o segundo fogo proveio de Oliveira do Hospital, a mais de setenta quilómetros, no distrito de Coimbra.
Como se não bastasse a união infernal dos dois fogos, um terceiro fogo desembestou da lixeira do município, saltou em cima da zona industrial de Nelas e destruiu mais de uma dezena de fábricas.

Os danos produzidos na floresta, na produção agrícola, na indústria e nas habitações de Nelas ultrapassam os mil milhões de euros.
O povo de Nelas deve organizar.se em associações de moradores, de operários, de produtores e de camponeses pobres, para exigir da câmara municipal e do governo o subsídio pelos prejuízos causados.
Incluímos no texto a imagem do concelho de Nelas tirada do satélite, com a representação da área ardida colorida de amarelo, e as aldeias incendiadas e a zona industrial coloridas a vermelho.
(continua)
24Out17
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Terras de Viriato em Chamas!
- Publicado em 18.10.2017
Terras de Viriato em Chamas!
Quem são os Assassinos?
Em todo o Maciço Central, assim como na maior parte do território https://www.cialissansordonnancefr24.com/ nacional, mais uma vaga de incêndios veio semear a morte e a destruição, alcançando proporções nunca dantes vistas no nosso país.
Percorrendo algumas centenas de quilómetros, desde a madrugada do passado dia 15, pudemos verificar a imensidão do incêndio que pelas 6,30horas da madrugada já lavrava nas imediações e viria a manter isolada por várias horas a aldeia de Sabugueiro, na Serra da Estrela…
De Seia a Nelas e de Tondela a Santa Comba Dão e Mortágua; de Castro Daire a São Pedro do Sul e de Vouzela a Oliveira de Frades –, em toda a Região de Lafões e por todo o distrito de Viseu onde o maior número de mortes ocorreu; por todos os lugares onde passei, vi morte, desolação e destruição; e gente a pedir justiça e castigo severo para os assassinos!
Vi na freguesia de Ventosa – Vouzela os que choravam a morte dos entes queridos; e, na zona industrial de Campia – Vouzela, homens e mulheres a repor as tubagens do abastecimento de água às habitações, onde o fogo rondou junto às fábricas…
Mas foi na Zona Industrial de Oliveira de Frades que uma maior desolação me comoveu ao contactar com aqueles que choravam toda a esperança das suas vidas destruída;
Mais de uma dezena de fábricas ficaram completamente destruídas, e centenas de trabalhadores sem os seus postos de trabalho, em que um dos casos mais significativos é o da Portax - Iberoperfil SA, onde a revolta de alguns trabalhadores ali concentrados com quem falámos era ainda maior porque, segundo eles próprios nos contaram, o incêndio só se propagou porque “o depósito abastecedor de água às bocas-de-incêndio se encontrava vazio, não obstante a Inspecção do Trabalho ter inspecionado a empresa há uma semana” (bela inspeção, sim senhora!) …
Enquanto um outro operário da mesma empresa, com a firmeza de quem sabia do que falava, nos transmitia este sábio comentário: “o que se está a passar no país só acontece porque há muita gente a ganhar dinheiro com isto!”…
Pois eu penso exatamente como este operário!
E, provocam-me náuseas as pantominices do primeiro-ministro António Costa proferidas na sua inútil e miserável declaração de boas intenções (mais uma!) transmitida ao país, onde não se coibiu de revelar, mais uma vez, toda a incapacidade e incompetência para resolver qualquer problema relacionado com a floresta, a menos que se trate de alimentar o negócio dos incêndios.
Quem se lembra das declarações deste mesmo primeiro-ministro proferidas a propósito dos grandes incêndios que devastaram no ano passado todo o Maciço da Gralheira entre os concelhos de Arouca e São Pedro do Sul?
Nessa altura, a prioridade apontada para os concelhos afectados foi a de “repor a economia a funcionar e em particular dos agricultores, e pensar no reordenamento da floresta, de forma a prevenir que situações destas venham a ocorrer no futuro”!
Um ano decorrido, e o que é que se viu? Que nada foi feito e mais milhares e milhares de hectares de área ardida e, no espaço de tempo de 4 meses, para cima de uma centena de pessoas assassinadas pela incúria governamental ao serviço das grandes negociatas em torno da lucrativa indústria incendiária!
Não restam dúvidas de que estamos perante um cartel de incompetentes e assassinos acoitados em diversos órgãos do poder político e económico que não olham a meios para atingir os seus fins, matando, queimando e destruindo o país, comandados pelos interesses do imperialismo global…
Basta de ilusões!
Este governo deve ser demitido! E, os seus apoiantes desmascarados!
Viva a Revolução Proletária!
18Out17
Viriato
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